Lauro Moreira, embaixador do Brasil na CPLP



lauro-moreira-foto-3Dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 156 da série geral que iniciei com Sócrates, a uma personalidade muito importante do Brasil, que ademais de ser um grande amante das artes e das letras lusófonas, foi o primeiro representante do seu país na CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) do ano 2006 ao 2010. Estou a falar de Lauro Moreira, nascido em Anápolis-Goiás (Brasil) no ano 1940. Com este depoimento, a ele dedicado, completo o número quarenta e quatro da série lusófona.

PEQUENOS DADOS BIOGRÁFICOS

De nome completo Lauro Barbosa da Silva Moreira, nasceu em Anápolis-Goiás no ano 1940. É licenciado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ). Ingressou no serviço diplomático em 1965, tendo nesse mesmo ano integrado o Grupo de Coordenação com os Países Socialistas da Europa de Leste (COLESTE), na qualidade de Secretário Executivo Adjunto. Serviu em postos diplomáticos em Buenos Aires, Genebra, Washington, Barcelona e Marrocos, além de chefiar a Divisão de Difusão Cultural e, mais tarde, o Departamento Cultural do Itamaraty. De 1981 a 1983 foi Diretor Superintendente da Trading Company COMEXPORT (em São Paulo) e Presidente da firma de consultoria Lauro Moreira e Castro. Em 1997 foi nomeado Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Vº Centenário do Descobrimento do Brasil e Presidente, ainda, da Comissão Executiva Bilateral Brasil-Portugal para as Comemorações do Descobrimento do Brasil. Em 2003 foi Diretor da Agência Brasileira de Cooperação. Foi, desde 2006, o Representante Permanente do Brasil junto da CPLP, na sua sede de Lisboa.

Serviu em postos diplomáticos em Buenos Aires, Genebra, Washington, Barcelona e Marrocos, além de chefiar a Divisão de Difusão Cultural e, mais tarde, o Departamento Cultural do Itamaraty. De 1981 a 1983 foi Diretor Superintendente da Trading Company COMEXPORT (em São Paulo) e Presidente da firma de consultoria Lauro Moreira e Castro.

Para além das suas atividades profissionais de diplomata de carreira, foi sempre um militante da causa cultural e artística, dedicando-se às artes cénicas (ator, diretor e autor), ao cinema (documentarista) e à fotografia (premiado em concursos nacionais). Em todos os postos diplomáticos por onde passou dedicou-se à promoção das artes e da cultura brasileiras, sobretudo da música e da poesia em língua portuguesa, proferindo palestras, escrevendo textos e organizando recitais. Em 1998 lançou o CD duplo Mãos Dadas, onde interpreta poetas de todos os países de língua portuguesa e, em 2005, gravou o álbum Manuel Bandeira: o poeta em Botafogo. Criou também o grupo Solo Brasil para apresentar o que há de mais representativo na música brasileira do século XX. O grupo já esteve em 16 países, alcançando sempre um marcante sucesso. Recebeu as seguintes distinções honoríficas: Do Brasil, Medalha do Mérito da Marinha do Brasil (1984), Medalha do Mérito Santos Dumont (1985); Comendador da Ordem do Mérito Militar (1999); Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco (1999) e Grã-Cruz da Ordem do Anhanguera do Estado de Goiás (2000); de Portugal, Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique (2001) e, do Reino do Marrocos, Ordem Wissam Al Alaoui.

Para além das suas atividades profissionais de diplomata de carreira, foi sempre um militante da causa cultural e artística, dedicando-se às artes cénicas (ator, diretor e autor), ao cinema (documentarista) e à fotografia (premiado em concursos nacionais). Em todos os postos diplomáticos por onde passou dedicou-se à promoção das artes e da cultura brasileiras, sobretudo da música e da poesia em língua portuguesa, proferindo palestras, escrevendo textos e organizando recitais.

Na sua honra, em 2013, o Grupo Ares e Mares abriu as portas da ‘‘Casa de Ler Lauro Moreira”, para promover encontros anuais, desenvolver estudos, divulgar poetas, escritores e artistas, desenvolver ações culturais como encontros, recitais, exposições artísticas, compartilhar e apoiar projetos como forma de aproximar os povos de língua portuguesa.
Embora nascesse na cidade de Anápolis, em 1940, viveu a primeira infância com os pais em Itaberaí, município de Goiás. Ele sintetiza sua infância: “Tive uma vida muito feliz e tranquila, com uma família grande. Sou o filho e o neto mais velho”. Seu avô materno foi um grande latifundiário, enquanto o avô paterno era pobre, o que fez com que seu pai enfrentasse condições financeiras difíceis até completar os estudos. “O homem mais admirável que eu conheci na vida”, expressão da grande admiração que Lauro sente por seu pai, Nicanor de Faria e Silva, que foi fonte de inspiração para as suas opções de vida. Assim como seu pai, estudou advocacia, mas diferente dele, que seguiu a carreira política, Lauro optou pela diplomacia e cultura. Sua mãe era extremamente integrada na família, chamava-se Honorina Augusta Barbosa e Silva e era dona de casa. O casal teve quatro filhos, dois homens e duas mulheres, tendo a mais nova falecido aos 14 anos, em 1966.
“Tenho a impressão que só pelos 18 ou 20 anos comecei a me dar conta de que aquilo que eu tinha em casa, aquela harmonia e perfeição absolutas, era quase uma exceção no mundo. Havia uma convergência enorme de almas”. A condição privilegiada da infância vivida por Lauro definiu traços em sua personalidade, que são perceptíveis no presente. Com 62 anos de idade seu pai morre no Rio de Janeiro, vítima de hepatite. Após poucas semanas sua mãe morre pela mesma causa, quando Lauro tinha 28 anos. A convergência de almas a que Lauro se refere, talvez, e sobre um olhar místico, possa explicar o fato de terem falecido em datas tão próximas. Lauro era uma pessoa religiosa, herança da família, mas também devido a sua formação, pois estudou em colégio franciscano, dominicano, salesiano, beneditino, marista e por fim jesuíta, nas cidades de Anápolis, Goiânia, São Paulo e Rio de Janeiro.lauro-moreira-foto-00
Com dez anos de idade viajou para São Paulo para estudar, instalando-se na casa da irmã de seu pai, casada com um português, o único estrangeiro que havia na família, o “tio Monteiro”, muito ligado a Lauro. Neste momento o diplomata para por alguns instantes, como se estivesse reorganizando os eventos representativos em sua memória e dá uma data: “28 de Fevereiro de 1950; chego ao colégio interno de São Bento, naquele ambiente de São Paulo, que era uma coisa estranhíssima, com quatro climas diferentes por dia”. Mesmo que Lauro afirme que seu sotaque não possa ser reconhecido, já que desde muito cedo habituou-se a passar longas temporadas vivendo em diferentes países e cidades do Brasil, mesmo assim, a emoção que emerge do exercício de rememorar torna perceptível o seu sotaque de goiano. O tom de sua voz reflete e expressa emoções.
“A primeira lição da minha vida: percebi logo que sou brasileiro de dentro para fora, e não de fora para dentro. Sempre aprendi a ver o Brasil a partir do seu interior, do seu núcleo”, comenta Lauro, relembrando quando teve contato, ainda criança, com a falta de conhecimento dos paulistas a respeito de sua cidade natal, logo que chega a São Paulo. Isso aconteceu quando a mãe de outro estudante perguntou a Lauro: “De onde? Goiânia? Mas como é que você fez para chegar aqui, meu filho, vindo de tão longe?…”. Em oposição ao vazio de informações que os habitantes dos centros em crescimento acelerado da década de 50, São Paulo e Rio de Janeiro, tinham do interior do país, Lauro diz que o inverso não acontecia, pois em sua terra natal e em sua família as referências das grandes cidades eram sempre presentes: “Esse era o Brasil daquele tempo, em que você tinha o litoral, onde estava concentrado o progresso, e você tinha o vazio lá para dentro. Mas um vazio que obviamente só existia aos olhos dos habitantes do litoral”.
Lauro Moreira estudou em colégios tradicionais de São Paulo, como o São Bento e o Arquidiocesano, onde o estudo era puxado e a disciplina rígida. Durante esse período de cinco anos, retornava a Goiás para reencontrar a família somente nas férias escolares. Nessa época, a diversão de Lauro era o cinema, “Meu caro, São Paulo tinha 220 cinemas, os mais luxuosos que você possa imaginar: Cine Marrocos, Art Palácio, Metro, Ópera, aquele outro que só passava filmes franceses (não recordo o nome), o Bandeirantes, o Marabá, o Ipiranga… Eu saía aos domingos e já ia para o cinema às 10h, na sessão matinal do Cine Avenida, um pulgueiro (como então se dizia) na Avenida São João, especializado em bang-bangs”. O gosto de Lauro pelo cinema ainda permanece na memória de Mônica Moreira, uma de suas duas filhas, produtora cultural no Rio de Janeiro: “Lembro-me bem do enorme trabalho artesanal que o meu pai tinha com a montagem e sonorização de seus filmes em Super 8mm”.
A independência, a afirmação e o sentido de responsabilidade foram desenvolvidos precocemente na personalidade de Lauro. Além do cinema já consumia também literatura, a partir dos onze, doze anos: os livros de José de Alencar, como Iracema, Ubirajara, e O Guarani, o marcaram muito, bem como uma novela de Charles Dickens, e vários romances de Emílio Salgari.

Na promoção das artes e da cultura brasileira, tem como focos a música e a literatura em língua portuguesa. Em 1998, lançou o CD duplo “Mãos dadas”, em que recita obras de poetas da língua portuguesa. Em 2005, gravou o álbum “Manuel Bandeira: o poeta em Botafogo”, com interpretações próprias e do poeta, ilustradas com a música de Camargo Guarnieri. Em 2008, Lauro Moreira lançou um CD com poemas de Marly de Oliveira. Criou o grupo “Solo Brasil”, que já percorreu vinte países em quatro continentes e inúmeras cidades brasileiras. O trabalho apresenta um painel com o que há de mais representativo na MPB do século XX.

Lauro Moreira exerce atualmente a função de Presidente do Conselho da Biblioteca Padre Euclides, Instituição centenária localizada na cidade de Ribeirão Preto. Como diplomata, já serviu em Buenos Aires, Genebra, Washington, Barcelona, Marrocos e Lisboa, tal como se indicou. Presidiu a Comissão Nacional para as comemorações do “Vº Centenário do Descobrimento do Brasil”, foi diretor geral da Agência Brasileira de Cooperação e o primeiro Embaixador do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, entre 2006 e 2010. Dedicou-se às artes cênicas como diretor, ator a autor. Atuou no cinema como documentarista e recebeu inúmeros prêmios em fotografia. Na promoção das artes e da cultura brasileira, tem como focos a música e a literatura em língua portuguesa. Em 1998, lançou o CD duplo “Mãos dadas”, em que recita obras de poetas da língua portuguesa. Em 2005, gravou o álbum “Manuel Bandeira: o poeta em Botafogo”, com interpretações próprias e do poeta, ilustradas com a música de Camargo Guarnieri. Em 2008, Lauro Moreira lançou um CD com poemas de Marly de Oliveira. Criou o grupo “Solo Brasil”, que já percorreu vinte países em quatro continentes e inúmeras cidades brasileiras. O trabalho apresenta um painel com o que há de mais representativo na MPB do século XX.

Nota: O brasileiro Renato Mendes escreveu no seu dia uma ampla biografia de Lauro Moreira, que pode ser consultada aqui. E outra ampla biografia com múltiplos dados pode ler-se entrando aqui.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

0. Lauro Moreira: Caminhos da Lusofonia (1ª parte).
Duração: 53 minutos. Ano 2015.

1. Caminhos da Lusofonia (2ª parte).
Duração: 28 minutos. Ano 2015.

2. Sempre Lisboa.
Duração: 14 minutos. Ano 2016.

3. Discurso ao receber o prêmio José Aparecido de Oliveira em Lisboa, da CPLP.
Duração: 14 minutos. Ano 2016.

4. Entrevista ao Embaixador Lauro de Oliveira.
Duração: 3 minutos. Ano 2012. Produtora: Academia Goiana de Letras.

5. Lauro Moreira interpreta a Fernando Pessoa.
Duração: 12 minutos. Ano 2015.

6. Lauro Moreira interpreta a Tomás A. Gonzaga.
Duração: 6 minutos. Ano 2015.

7. Lauro Moreira interpreta a Cora Coralina (“Oração do milho”).
Duração: 3 minutos. Ano 2009.

8. Depoimento de Lauro Moreira sobre a Língua Portuguesa.
Duração: 7 minutos. Ano 2017.

9. Poesia em concerto: 3 epopeias brasileiras.
Duração: 3 minutos. Ano 2019. produtora: Casa da América Latina.

ENTREVISTA: A FAVOR DE UMA COMUNIDADE DE CIDADÃOS LUSÓFONOS

A Página da Educação, nº 188 do ano 2009, publicou uma ampla entrevista que lhe fez António Baldaia em Lisboa a Lauro Moreira. Da mesma tiramos os fragmentos mais interessantes:

“Ele tem um sonho:
Alguns dias após receber a PÁGINA numa sala da Missão do Brasil, num 10.º andar da Avenida da Liberdade, e nas vésperas de deixar Portugal, Lauro Moreira foi homenageado na Academia das Ciências de Lisboa, tendo-lhe sido entregue por Adriano Moreira o prémio Personalidade Lusófona 2009, com que foi distinguido pelo Movimento Internacional Lusófono (MIL).

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representantes dos paises lusófonos

A lusofonia é um tema sobre o qual tenho me debruçado já há longo tempo e tenho formulado para mim mesmo algumas concepções a respeito. É claro que para um leigo, lusofonia é muito fácil de definir – seria simplesmente o universo habitado por cidadãos que falam Português. Mas a lusofonia é muito mais, porque ela não se circunscreve ao espaço e ao universo dos falantes de Português. A lusofonia, muito mais do que um espaço, é um espírito que emerge de 500 anos de um convívio cuja matriz é Portugal, um convívio que acabou formando um património linguístico, cultural, histórico, e que teve um dia para começar, mas não tem para acabar. A lusofonia, portanto, é algo em construção, um fenómeno in fieri, algo que está ocorrendo. Isto é um tesouro que não se esgota de uma hora prà outra e tão pouco se pode formar de um dia pró outro. É fruto de um contacto e de um diálogo intercultural. Não é uma imposição de um lado sobre o outro; não é, sequer, diálogo multicultural, em que se respeitam as culturas autóctones. Não, é realmente intercultural! Houve uma troca, a partir justamente do primeiro dialogante, daquele que propõe o diálogo, que foi Portugal, a partir do momento em que inicia as colonizações. Então, por exemplo, o Brasil foi português durante 322 anos (1500 a 1822). A partir daí, é um caso muito especial: Brasil se torna independente, mas uma independência feita por um príncipe português herdeiro da coroa de Portugal, o que é uma coisa sui generis…
(…)

A lusofonia, portanto, é algo em construção, um fenómeno in fieri, algo que está ocorrendo. Isto é um tesouro que não se esgota de uma hora prà outra e tão pouco se pode formar de um dia pró outro. É fruto de um contacto e de um diálogo intercultural.

Estávamos na questão da lusofonia…
A lusofonia, no caso do Brasil, leva em consideração tudo isto. Mas aconteceu também com os africanos. O facto de Moçambique ter 43 línguas e de em Timor-Leste apenas oito por cento falarem Português não tem importância, porque no fundo nós estamos falando de lusofonia, que não se confunde apenas com o número de pessoas que falam Português…

Tem um sentido mais lato, uma dimensão cultural…
Muito mais… Mesmo aqueles que não falam português, eles estão dentro dessa coisa. Então, eu acredito que a lusofonia seja algo muito claramente identificável, muito rico e que está em permanente evolução. O que vem dar sustentação à CPLP – na verdade, e não estou sendo original, a CPLP será uma espécie de moldura jurídico-legal para uma realidade pré-existente.

Pré-existente e abrangente. É também cultura, política, comércio…?
Economia, comércio, cultura. O carácter, o temperamento destes países. Tudo!

Ou seja, não faz sentido pensar num “projecto” de lusofonia.
Ela existe, é uma realidade. E temos como cimento uma coisa chamada língua portuguesa, que é a terceira mais falada no mundo ocidental, que é uma língua de cultura, que é uma língua extremamente rica.

Vou tentar uma provocaçãozinha: a CPLP não surgiu, também, para enquadrar politicamente o acordo ortográfico, para o validar?
Isso seria empobrecer de mais a CPLP. Ela é um organismo com todas as regras internacionais. E um organismo internacional não nasce para simplesmente acompanhar um acordo ortográfico, de menor importância neste caso. Não. O acordo ortográfico foi assinado em 1990, e a CPLP sai em 96, só. Detalhe: um ano antes, em 89, o presidente Sarney convida os presidentes e os chefes de governo de todos os países de lingual portuguesa para uma reunião, e nessa reunião criou-se aquilo que viria a ser, de certo modo, o embrião da CPLP – o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, o famoso IILP, que nunca funcionou, que eu saiba. Mas a ideia de uma comunidade da lusofonia já vinha de há muito tempo. No começo do século 20, existia já uma ideia de se fazer uma comunidade – luso-brasileira, porque eram os únicos países independentes que tinha naquele tempo. Foi necessário esperar a independência de todas as colónias para que voltássemos a ter uma comunidade. Não mais com Portugal funcionando como cabeça, mas com igualdade de condições. Apesar da grande assimetria que existe; apesar de termos o mais antigo Estado-Nação da Europa e o mais novo país da comunidade internacional; apesar de termos um país de 150 mil habitantes e outro de praticamente 200 milhões…

anagrama-da-cplp-bandeiras-dos-paises-lusofonosE como é que oito países de quatro continentes, sem contiguidade…

Não têm fronteira nenhuma uns com os outros, e isso é que é interessante.

… como é que surgem unidos? Tinha de haver um qualquer cimento, como referiu há pouco…
Exactamente. Então, essa questão da lusofonia é muito forte e nos une a todos. É uma realidade que não fomos nós que escolhemos – ela aconteceu, acontece todos os dias. A CPLP, sim, é escolha nossa. Foi uma decisão dos países darem um formato jurídico a esse convívio, a esse espaço, a esse universo. Cria-se então a CPLP, para tratar basicamente de três áreas. A primeira é a concertação político-diplomática. Se a gente for espiar o que aconteceu nesses 13 anos, vamos chegar à conclusão de que a CPLP tem sido extremamente benéfica para os países lusófonos como um todo. Porque tem sabido ser o elemento conciliador, mediador de crises político-institucionais em países de maior fragilidade política. Isso não aparece no jornal, normalmente, porque não é para aparecer; não tem sentido, é um lado mais diplomático…”

Esta entrevista pode ler-se na sua íntegra aqui.
Outra interessante entrevista realizada a Moreira, em que fala sobre a sua grande atração pelo teatro, pode ler-se entrando aqui.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Lauro Moreira, o primeiro embaixador do Brasil perante a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), de 2006 a 2010, que na altura tinha a sua sede em Lisboa. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.
Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um debate-papo, em que intervenham alunos e docentes, sobre a importância da Lusofonia e o labor da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa). Seria muito importante, se houvesse hipótese, convidar especialistas sobre o tema e professores galegos defensores do reintegracionismo linguístico, membros da AGAL e da AGLP, para que estejam presentes no debate organizado no nosso centro educativo, e contribuam para o mesmo com as suas ideias. Ter-se-iam em conta também as opiniões dadas no seu momento por Lauro Moreira sobre o grande valor de todos os cidadãos lusófonos do mundo irem sempre de mãos dadas na defesa da língua comum.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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