João Antunes: “Gostaria que a Galiza fosse vista como uma irmã, apesar de já o ser”



João Antunes mora no Tramagal, distrito de Santarém. Julga que a história da Galiza não é muito exposta em Portugal, o que deveria ser revertido. O seu contacto com a Galiza foi, sobretudo, através da Internet. Formado em Turismo, olhando para a Galiza, ele vê modernidade conciliada com tradição, valores e costumes. Em breve teremos uma sua secção no PGL, onde nos vai descobrir espaços do seu país.

João mora no Tramagal, no distrito de Santarém. Como foi o teu contacto com a língua da Galiza?
Apesar da distância geográfica entre a minha terra e a Galiza, o meu contacto com a língua da Galiza foi várias vezes constante e presente, através de documentários na Internet, através de livros e de aulas de história na escola, o que me fez suscitar o meu interesse pela Galiza e a sua língua e cultura.

Em geral, que conhecimento tem a sociedade portuguesa sobre a Galiza, seja a língua ou sejam outros itens?
Existe alguma consciência sobre a Galiza na sociedade portuguesa, mas não é o suficiente, somente no norte de Portugal que esse conhecimento é mais notável e constante, devido à sua proximidade, mas é de facto que se pode dizer que tem havido um crescimento no conhecimento e no interesse pela Galiza. Conhece-se que a Galiza e Portugal partilham uma cultura muito semelhante, incluindo a língua, mas infelizmente a história da Galiza não é muito exposta em Portugal, o que deveria ser revertido.

A tua visão da Galiza não é comum no teu país, não é?
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Enquanto jovem, é diferente perante a visão das gerações mais velhas, onde eu vejo modernidade conciliada com tradição, valores e costumes, será mais difícil para os mais velhos conseguirem relacionar estes dois termos. Mas felizmente, com o passar do tempo, a visão da Galiza na sociedade portuguesa, nas várias diferentes gerações, moldou-se e reestruturou-se, dando a conhecer mais a Galiza para a população portuguesa, de várias formas.

Quais julgas que seriam as melhores vias para divulgar a realidade galega em Portugal?
Existe vários meios para a divulgação da realidade galega em Portugal, devido não só à Internet, mas também da cultura próxima entre ambas. Hoje em dia, é possível dispor de várias formas a divulgação, e a meu ver, as melhores vias, seriam através da Internet, da televisão e dos livros/jornais.

João Antunes é formado em turismo. Este facto tem ajudado na tua aproximação à Galiza?
Sim e muito, contribuindo no progresso do meu conhecimento pela Galiza e pela sua cultura, a área em que estou formado permitiu-me perceber para além da superfície da cultura e da sociedade, deu-me a entender como funciona a sua cultura e a sua relação com Portugal. Mesmo não sendo um conhecedor experto da cultura galega, é sempre bom aprender o que ela possui e o que a torna única.

Vais iniciar uma série de artigos no PGL onde nos vais descobrir espaços do teu país. Que é o que costuma atrair mais os visitantes? Que é o que deveria, em tua opinião, ser atraente e não o é?
Durante a minha jornada académica na área de turismo, fui percebendo que o que atrai mais os visitantes são a simplicidade, o ser um local ou algo “único”, distante do turismo em massa e o mais importante ainda, a experiência em si. A palavra atraente é muito relativa na área do turismo, mas no meu ponto de vista, deve ser algo que ofereça uma boa e única experiência, que partilhe alegria e que permita o contacto profundo com a sociedade e com a cultura em que o visitante está a visitar. É difícil nos dias de hoje tentar encontrar algo que não seja atraente e que deveria ser, no contexto do turismo, mas ao tentar encontrar uma resposta para esta questão, quero referir, que o turismo deve ser aproveitado para a sustentabilidade, o respeito, a preservação das localidades, e das suas tradições e costumes.

Porque tomaste a decisão de te tornar sócio da Agal?
Senti como um “dever” de me tornar sócio da Agal, juntar o útil ao agradável, como se costuma dizer, e poder partilhar o trabalho feito por esta associação e a Galiza para o outro lado de Portugal, deixa-me extremamente feliz e satisfeito, sabendo que desta forma será possível aproximar ainda mais a Galiza e Portugal.

Senti como um “dever” de me tornar sócio da Agal, juntar o útil ao agradável, como se costuma dizer, e poder partilhar o trabalho feito por esta associação e a Galiza para o outro lado de Portugal, deixa-me extremamente feliz e satisfeito.

Como gostarias que a Galiza fosse vista, sentida, em Portugal, no ano 2050?
Gostaria que a Galiza fosse vista como uma irmã, apesar de já o ser, mas na atualidade, ainda não é suficientemente vista dessa maneira. Gostaria também de ver uma partilha intercultural entre as duas de uma forma mais enraizada e que permitisse que as duas sociedades se pudessem conhecer e se interligarem de uma forma mais profunda e de irmandade.


Conhecendo João Antunes

Um sítio web: Youtube.

Um invento: A música.

Uma música: Tango Surdina, de Tó Trips (soundtrack do filme “Surdina”).

Um livro: A Lã e a Neve, Ferreira de Castro.

Um facto histórico: A Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974.

Um prato na mesa: Carne de porco à alentejana.

Um desporto: Futsal e hóquei no gelo.

Um filme: Surdina, de Rodrigo Areias.

Uma maravilha: Respeito mútuo entre pessoas.

Além de português/esa: Apaixonado pela natureza.

Valentim Fagim


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