Gromo, brote ou surto de coronavírus?



Ainda que o debate vinha de bastante atrás, desde que fora proposta do consultório @emgalego da AGAL no twitter, a palavra “surto” usada na Lusofonia para definir o surgimento repentino de umha doença num determinado lugar avançara com força entre quem usa o galego nesta redes social. Porém, existiam também outras alternativas para o galego, resultado da traduçom do mesmo símil botânico que usa o espanhol para o galego: abrocho ou gromo, por exemplo.

Foi finalmente por “gromo” que se inclinou a RAG, umha decisom explicada por Manuel González (coordenador do Seminario de Lexicografia) no próprio portal académico, provocando umha forte polémica com o reintegracionismo e mais galego-escreventes que entendiam que a RAG estava a contradizer o seu princípio quarto de usar o português para ampliar o vocabulário técnico.

Entre as respostas a esta decisom, o presidente da AGAL pronunciou-se em vídeo:


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  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    o debate é um pouco estranho…. Eu ademais comecei por ler que a RAG recomenda que se diga cromo….e os que estejam afetados pelo surto do corona-virus cromados…

    Porque será que a condição de galego é uma cousa tão especial, que só a podem ter espanhois….Para espanto de quem estiver livre de preconceitos. Porque será que a Galiza que gerou Portugal está para este pessoal noutra galaxia

    • Miro Moman

      Caro Alexandre. Obrigado pela tua mensagem no site do Sentidinho. Tentei responder mas o domínio do teu endereço de email semelha não existir.

  • Ernesto Vazquez Souza

    Essa escolha da RAG é uma pailanada… mais uma ocorrência, simplesmente. Nem merece explicação nem debate. Apenas lhes lembrar que são uns ignorantes elaborando um galego de pailães. Um galego inútil que só serve para políticos parvos, para universiteiros de cu gordo e para culturetas decorativos. Que estão fazendo aquilo contra o que já satirizava Martelo Paumán em verso a fins do século XIX.

    O preocupante não é este galego pro-gromo, o preocupante é o Pogromo constante e continuado das instituições contra os reintegracionistas e a consequente de xenofobia alentada contra Portugal e o Português a partir dos anos 80. Em sentido contrário do que a lógica e a sobrevivência apontam. E assim nos vai, demorando, enredando nas silveiras e dando pinche-carneiros linguísticos e filosóficos para não assumirmos – quando menos os reintegracionistas – que a cousa não tem mais remédio que seguindo a proposta de LAPA de 1973.

    • conavirus

      Gromo será umha pailanada, mas é galego enxebre, e tampouco empece a comunicaçom (a similitude com «gomo», na sua acepçom de «broto», e mais o contexto permitem ao lusófono entender). Com «pincha-carneiro» se quadra nom é tam doado …

      O que nom é galego, e sim mui espanhol, é «ocorrência» (no sentido de tirada, de ideia inesperada ou aguda), «cultureta» ou «assim nos vai». Isso é que empece a reintegraçom do galego, por muitos «ãos» que lhe metas.

  • Ernesto Vazquez Souza

    Essa escolha da RAG é uma pailanada… mais uma ocorrência, simplesmente. Nem
    merece explicação nem debate. Apenas lhes lembrar que são uns
    ignorantes elaborando um galego de pailães. Um galego inútil que só
    serve para políticos parvos, para universiteiros de cu gordo e para
    culturetas decorativos. Que estão fazendo aquilo contra o que já
    satirizava Martelo Paumán em verso a fins do século XIX.

    O preocupante não é este galego pro-gromo, o preocupante é o Pogromo
    constante e continuado das instituições contra os reintegracionistas e a
    consequente de xenofobia alentada contra Portugal e o Português a
    partir dos anos 80. Em sentido contrário do que a lógica e a
    sobrevivência apontam. E assim nos vai, demorando, enredando nas
    silveiras e dando pinche-carneiros linguísticos e filosóficos para não
    assumirmos – quando menos os reintegracionistas – que a cousa não tem
    mais remédio que seguindo a proposta de LAPA de 1973.

    • Venâncio

      Meu caro Ernesto,

      A proposta de Lapa partia do princípio (que, julgo, nenhum outro português jamais tomou a sério) de que o português era a “forma culta” do galego.

      Eis, com todo o respeito e carinho, uma tese bizarra, oportunista, mal-informada, que nenhum fundamento linguístico tinha, ou tem. Mas, como lemos alhures aqui, ainda há quem a defenda… por motivos patentemente identitários, que nada têm a ver com uma ciência liinguística.

      Como bem o exprimiu o sociolinguista Mário Herrero Valeiro em obra de 2011, a proposta de Lapa evidenciava «uma perspetiva de base culturalista e elitista ‒ mas de modo nenhum isenta de elementos populistas ‒ e escorada numa tradicional visão purista da língua e dos usos linguísticos».

      Como vês, bebe-se da melhor fonte.

      • Venâncio

        P.S.

        Eu sei. A perspectiva duma Galiza TRILINGUE não vos assusta. No vosso pensamento mágico, uma vez institucionalizado o português, o galego ir-se-ia transformando nele. Conseguido isso, a Galiza seria teatro do enfrentamento de dois titãs, o português e o espanhol. Por pura vontade popular, o espanhol seria vencido, e deste modo restaria (rufar de tambores…) o português numa Galiza finalmente unilingue.

        Que belo sonho! Só que a realidade já hoje demonstra quanto o espanhol corrompe o português exactamente de galegos muito empenhados. (Mostrei-o em “Assim nasceu uma l;ingua”). E então, durante os decénios da luta de titãs, seria o português a ir-se transformando em… espanhol.

        A sério: quanto mais o português institucionalizado avançar na Galiza, mais certa tem o espanhol a vitória final.

        • Ernesto Vazquez Souza

          Sei que não podemos coincidir. Repare Fernando que eu vou por outra via, em paralelo. É inútil debatermos. Pode ter perfeitamente razão, na sua, mas eu acho melhor – posso estar enganado – estoutra via..

          Eu estou convencido, depois de mais de 30 anos metido a ler, estudar e escrever em galego, na perspetiva que me aprenderam os meus mestres e que fui sometendo a cŕitica, que fracassamos e que os intelectuais galegos (essa elite a que Lapa se dirige e que tinha de ter construído a língua) cometemos um erro total não considerando as palavras de LAPA e não sabendo virar naquela altura o projeto de língua.

          Quanto tempo perdido. Pessoal e coletivo. Quanto trabalhar por nada e para nada… Isso o senhor nunca entenderá.

          Eu proponho e pratico outra via:

          1. Focar-nos no português
          2. Aproveitar e recuperar o galego
          3. Tomar despreocupadamente do castelhano aquilo que funcione.

          • Venâncio

            Ernesto,

            Continuais (tu e outros demais) convencidos de que o português vos teria salvado, de que o número de falantes não teria diminuído.

            Isto, além de ser uma extrapolação jamais verificável, é um ponto de vista imensamente elitista. Mas é mais: é um ponto de vista enganador.

            Sim, existem alguns de vós a dominarem razoavelmente o português. Mas a larguíssima maioria faz dele um uso ritual e, mais, nunca conseguirá realmente EXPRIMIR-SE em português, isto é, numa expressão fluida, móvel, criativa.

            Pior (sim, porque há pior), o espanhol estará sempre presente, e activo, nas vossas mentes, inspirando maravilhas próprias, porque outras não as conheceis.

            Uma “Galiza de língua portuguesa” seria sempre um fracasso, criando continuamente monstros linguísticos. Eu mostrei-o, amigo, num livro que provavelmente nunca leste e nunca lerás.

            Abraços.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Fernando, a flexibilidade treina-se. Nunca nos exprimiremos em qualquer uma das variedades reconhecidas, nem cultas, nem populares, nem dialetais do português.

            Isto há que assumir já: É mester deixar-se de tanta parvalhada imitativa de modelos, palavras e jeitos que apenas com um esforço enorme uns poucos (capacitados por outra banda por natura ou estudo intenso) podem atingir. E para que? é produtivo?

            É necessário dar de comer o monstro, deixá-lo correr e viver livre. Não podemos, nem deveríamos querer – para além de que não podemos – renunciar o castelhano que conforma o nosso ADN de língua popular e culta.

            Andar a caçar castelhanismos, todos… pretendendo-os substituir é como sairmos caçar biosbardos. Quem queira, e tenha por hobby bem… que localice, capture e informe, para que a gente venha sabendo… e faça a vontade… mas é mais simples incorporarmos despreocupadamente aquelas cousas que não chiem em esceso, já estejam na língua e aquelas próprias do castelhano literário da Galiza, que já andavam nos textos galegos.

            A minha proposta sempre foi esta. Fazer o que fizeram Vicetto, Murguia, Valle Inclán, Otero, Risco, Cunqueiro, Blanco-Amor, Torrente Ballester, Ferrín, Rivas… quando escrevem em castelhano, mas fazendo em Português…

            Essa é a minha proposta.

          • Venâncio

            Ou eu ainda não estou bem acordado ou a minha mente ficou num nó ao ler a tua última proposta:

            «Fazer o que fizeram [para ficar pelos vivos] Ferrín, Rivas … quando escrevem em castelhano, mas fazendo em Português…»

            Se alguma coisa percebo, seria isto: que, quando desejeis exprimir-vos numa língua, numa verdadeira língua, o façais em normas “nacionais” e comprovadas, seja o castelhano, seja o português.

            Lindo. Só que… na realidade dos factos, quer por serdes de língua materna galega, quer por terdes na mente o software castelhano, não conseguis dominar socialmente também o português. O que vos sai, habitualmente, é uma misturada dos três, e ainda por cima pobre, já que não é língua de ninguém.

            Ah, houvesse ele um linguista galego que vo-lo explicasse melhor do que eu consigo.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Mas é justo isso… mas onde é que está o problema?… é o que diz Lapa…

            Nunca dominaremos nenhuma comme il faut. As nossas singularidades é o que somos.

            Mas podemos tanto em castelhano (levamos séculos fazendo) como português (estamos a fazer) criar os nossos monstros, demos e lâmpadas maravilhosas, a todo vapor de fantasias, no nosso jeito crioulo, mestenho e marginal…

            surge et ambula…

          • Venâncio

            😉

            Onde não há linguística (e, concordarás, os linguistas reintegracionistas andam, há décadas, muito calados), uma pessoa tem de confiar-se à espontaneidade, à desordem criativa.

            Tu és, nitidamente, adepto duma “desordem criativa” para a língua dos galegos.

            Mas, pergunto eu, eram para isso necessários uma associaçom, uma academia e o diabo a quatro?

            Termino com a dedicatória de Rodrigues Lapa na sua edição das “Cantigas de escarnho e mal dizer”, da Galaxia:

            «À Galiza de sempre, raiz anterga da nosa cultura, adico afervoadamente iste libro».

            Se Lapa vos é um guru, que o seja por completo.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Era necessário…? e quem sabia daquela… quem sabe… mas e por que não fazer se alguém queria tentar?

            Efetivamente, eu proponho partir de uma desordem criativa (o monstro) e ver onde imos… mas em nenhum momento digo perder a raiz, a contrário a raiz invade tudo, a língua e a nossa fantasia, mitos, modos… aquela bruma céltica e medieval,
            aqueles Griais, Brocéliandes e bestas ladradoras, as cantigas
            populares, a nossa literatura antiga e moderna e os cancioneiros …

            A Galiza, toda ela, e não apenas a língua, não soube entrar bem na modernidade… aquilo das Nações, o pensamento simbólico da era das nações… não foi conosco… falharam muitas cousas nomeadamente essa porra da Espanha…

            Mas quem sabe talvez simplesmente adamos três séculos perdidos pelo deserto… 😉

          • Venâncio

            Ernesto,

            Eu não percebo o que tenham as “brumas célticas” a ver com um reintegracionismo.

            Mas venho percebendo que, no reintegracionismo galego, tudo tem a ver com tudo. Como nas cosmogonias de Artur Alonso Novelhe.

          • Ernesto Vazquez Souza

            Homem… são cousas das que Lapa gostava… da raiz anterga…

            Na Galiza tudo tem a ver com tudo… 😉

          • Venâncio

            Eu fixei-me nas últimas linhas do teu comentário anterior. No que as precede, dizes coisas com muito tino.

      • Ernesto Vazquez Souza

        P.s O português é uma forma culta do galego. De facto é a forma culta do Galego. A que existe formalizada e com tradição culta no tempo e na história. Assim o entendiam os galegos cultos – mal que lhes proesse e pesasse – antes de 1745, incluído o Padre Feijó.

        É apenas a partir de Martim Sarmiento, pouco depois (ca 1754) que, no colo das novas ideias nacionais à moda, define – em rotura com toda a tradição anterior – o galego como uma língua nacional. E estabelece a hipótese de um padrão independente do castelhano (o que é evidente) e do português (o que força pois é novidade na altura).

        Poderíamos dizer, se ousamos desafiar os lugares consagrados aprendidos, que Sarmiento, de boa fé e com não pouco anti-lusismo nacionalista, desencarrilou o galego e nos meteu por outra via. Via que por causas políticas e sociais foi fazendo divergir a imagem, a identidade e a codificação a cada vez mais afastados da lógica, a razão e a tradição, na que depois destacam três grandes desvios no mesmo rumo: 1865, 1890 e 1980.

        Portanto podemos, aplicando a lógica, suspeitar que Lapa (um autor do seu tempo e formação, com as suas ideias e já numa etapa seródia da vida, mas de limpa coerência e afiada lógica) tinha razão… em 1973.

  • Joám Lopes Facal

    Caro Ernesto, é que alguém crê ainda nesse significante vazio propagandístico denominado binormativismo?
    Nom irá sendo tempo de voltar ao trabalho paciente de crítica rigorosa às eivas seculares ou sobrevindas do galego — os gromos que anunciam vírus — e à paciente tarefa de promover umha ortografia moderna, adaptada ao curso histórico e actual do galego como variante nacional legítima do galego-português?
    Acaso é preceptivo acreditar-mos no absurdo dilema excludente de aceitarmos a assimilaçom polo idioma dominante ou dissolvermo-nos no português imaculado como pretende umha minguada elite?
    A lealdade ao galego que nos foi legado segue sendo o autêntico frente de batalha; proclamar a sua substituiçom por um falaz português pronto a usar, além de socialmente incompreensível, tem um marcado saibo a pratica cultural masturbatória, socialmente inútil.
    De veras cremos que o futuro da proposta reintegracionista passa por recluírmo-nos num selecto bunker intemporal?

    • Ernesto Vazquez Souza

      Bom… não sei quem acredite… eu desde logo nadinha… mas precisaria fazer um inquérito entre os Sócios da AGAL… os demais não me interessa o que considerem…

      Não vejo que eu esteja fora desse modelo de lealdade, nem que renuncie em nada ao nosso legado. É mais considero a minha proposta uma conjugação de pragmatismo e de tradição no mais clássico esquema sionista…