O ato contou com presença do presidente da AGAL, Miguel Penas

Governo galego participou em conferência sobre língua portuguesa



Intervenção de Valentín García Gómez na conferência

Intervenção de Valentín García Gómez na conferência

Conforme noticiado no PGL em agosto, a Universidade do Minho acolheu no dia de hoje a Conferência «Perspetivas da Língua Portuguesa», organizada pela Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua dos Observadores Consultivos da CPLP. Neste evento participou pela primeira vez a Junta da Galiza, representada pelo secretário-geral de Política Linguística, Valentín García Gómez.

A decisão de participar García Gómez pode entender-se na sequência da aprovação da Lei Paz-Andrade por unanimidade dos deputados do Parlamento galego em março de 2014, que assinala entre os objetivos principais a integração da Galiza nas organizações internacionais do espaço lusófono.

A intervenção do representante galego foi destacada na sessão de abertura, em que participaram o reitor da Universidade do Minho António M. Cunha, o Coordenador da Comissão Temática Eugénio Anacoreta Correia, a Diretora Executiva do IILP Marisa Mendoça, o Secretário Executivo da CPLP Murade Murargy, e o Representante Permanente de Timor-Leste junto da CPLP, Antonito de Araújo.

Além de membros da Academia Galega da Língua Portuguesa, que colaborou com a organização do encontro e facilitou os contactos com o governo galego, estiveram presentes José Morell, porta-voz da Comissão Promotora da ILP Valentim Paz-Andrade, Miguel Penas, presidente da AGAL, Marcos Maceira, da Mesa pola Normalización Linguística e diversas personalidades representativas da língua e cultura da Galiza.

Instituições oficiais como a Universidade de Santiago e o Conselho da Cultura Galega estiveram também representadas, respetivamente, pela vice-reitora de serviços universitários, María do Carme Silva Domínguez, e pelo presidente do CCG, Ramón Villares, que faz parte da Comissão de Honra.

O programa do evento indicava que «A conferência, promovida em parceria com a Universidade do Minho, integra-se num conjunto de iniciativas levadas a cabo pela Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa que visa contribuir para alavancar a participação da sociedade civil em prol da nossa língua comum, através da mobilização de especialistas, académicos e personalidades de incontornável relevância na CPLP. Estes eventos concretizam a estratégia definida nos Planos de Ação de Brasília e de Lisboa e ocorrem no momento em que se assinalam 800 anos sobre a data do primeiro documento oficial escrito em português».

O programa desta conferência incluiu os mais recentes desenvolvimentos de alargamento da CPLP e enfatizou os laços históricos comuns entre a Galiza e Braga – durante largos séculos capital da romana Hispania Gallaecia e do Reino Suevo – na região onde nasceu a Língua Portuguesa».


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  • António Gil Hdez

    Talvez… Mas… Quem sabe? “Oshá”!

  • Ernesto V. Souza

    É um fito no caminho e um feito histórico da maior transcendência, para além da demonstração de que ainda na margem, podem-se ainda alterar alguns marcos que até não há muito declararam-se inamovíveis e mesmo sagrados…

    Esta mudança de situação e de contexto é do mais importante. Do conflito pode-se passar a uma relativa convivência e simplesmente dela com que se deixe fazer e viver, irão saindo outras cousas.

    Este passo do governo galego, deve ser parabenizado e celebrado, como chegada de cosmonauta à lua.

    • António Gil Hdez

      Não che sei: o governo galego (gobierno español en Galicia) faz parte das instituições do reino de espaÑa, não nos esqueça.
      Quer dizer, não só participa do projeto e do processo nacionalizador desse reino, mas sobretudo faz decididamente com que esses projeto e processo se verifiquem e executem.
      A respeito da língua, o projeto e o processo ficam definidos no artigo 3. da CE 1978, que segue os arts. 1 e 2 e é seguido pelo 4, 5, 6, 7… Convém lembrá-los, porque esse art. 3 marca e fixa a hierarquização das “lenguas españolas”; na realidade submete as não línguas (“las demás lenguas españolas” e “las modalidades linguísticas”) à “lengua española” que tem nome próprio, “el castellano”. “Las demás” carecem de nome; portanto, não existem. Os factos são os factos, que se correspondem com o direito ou plano jurídico.

      Artículo 3
      1.- El castellano es la lengua española oficial del Estado. Todos los españoles tienen el deber de conocerla y el derecho a usarla.
      2.- Las demás lenguas españolas serán también oficiales en las respectivas
      Comunidades Autónomas de acuerdo con sus Estatutos.
      3.- La riqueza de las distintas modalidades lingüísticas de España es un patrimonio cultural que será objeto de especial respeto y protección.

      De facto é “el castellano” a “lengua española” que garante “la unidad de la patria española” (art. 2) ou “nación” única (art. 1), cuja integridade territorial está encarregada e assumida pelo exército español. Leiam o art. 8:

      1.- Las Fuerzas Armadas, constituidas por el Ejército de Tierra, la Armada y el Ejército del Aire, tienen como misión garantizar la soberanía e independencia de España, defender su integridad territorial y el ordenamiento constitucional.

      2.- Una ley orgánica regulará las bases de la organización militar conforme a los principios de la presente Constitución.

      Quer dizer, conforme ao estabelecido no parágrafo 1 deste artigo e preceitos concordantes.

      Poderia haver alguma interpretação diversa da hoje dominante e sustida pelo tándem pEpEsoE, mas hoje domina a reduzida ou estrita. O DXPL foi, delegado pelo desgobierno de Madrid, para expor que o reino bubónico é dono da “lengua gallega” a todos os efeitos, não só o relativo à restrição de usos, mas também e sobretudo o referido à formalização ou ortografia. Entendo que o discurso oculto do DXPL e sustido por toda a banda “oficialista” vem a ser: “Nosotros, dueños del gallego normativo, no solo lo normatizamos, sino que controlamos sus usos. Se queréis, lusófonos, tomadlo como os lo ofrecemos. Y sabed que no permitiremos injerencias ningunas de ningún orden, porque somos estado-reino soberano e independiente.”

      • Ernesto V. Souza

        Nem ideia, António… quem sabe o que pode acontecer uma vez que a rocha se movimentou… pode ficar tudo num abalar, pode-se cair para a nossa parte esmagando-nos, pode ir caminho abaixo sem controlo, podemos ser quem de lhe ir controlando o caminho…

        A cousa era movimentá-la… e a ver… agora…

        • António Gil Hdez

          Parece que “falamos” dous idiomas diversos: talvez eu, sem o querer, “fale” chinês e tu e outros imaginem que estão a “falar” alguma língua fomânica. Quem sabe o que está a acontecer entre nós… Eu tenho de me medicar, pouco, mas são medicamentos que têm alguma efetividade. Parece-me (estarei errado) que outros tomais placebos e com eles vos satifazeis… Enfim…

          • Ernesto V. Souza

            António, tu falas muito claro, não está a acontecer nada é simplesmente que não concordo contigo, ou ainda que discrepo profundamente. 😉

            Eu acho que as elites nacionalistas espanholas estão desnortadas, sem qualquer capacidade de análise, de programação ou de projeto e que isto é o início de uma deriva interessante, com os galegos protagonistas, de novo e muito lógica, consequência direita de dous feitos:

            1º Independente ou não, da perspectiva Galega, Catalunha e com ela a Espanha moderna (e também o “nacionalismo espanhol” é um projeto queimado.

            2º Com Brasil e os países africanos, num contexto com uma Europa decadente, talvez era bom recuperar o velho baralho e ir jogar, por ver umas mãos noutros tapetes.

            E quem sabe… quem sabe… talvez sonou a hora do fim, ou do princípio, ou de ambas as cousas… mas a Lusofonia, exista ou não, é um projeto, não queimado no que os galegos têm para dizer e para fazer…

          • http://miromoman.wordpress.com/ Miro Moman

            As elites nacionalistas espanholas estão pressas numa dicotomia de difícil solução. Por uma banda o seu nacionalismo (real ou eleitoralista) e pola outra a sua obediência a um capitalismo global que converteu já a sua gloriosa Espanha numa deputação provincial e que semelha que não vai parar até esvaziar completamente de conteúdo o estado-nação.

            Então de repente estão na mesma situação que os nacionalistas periféricos: são nacionalistas sem estado. E ainda pior, pois os nacionalistas espanhóis nem sequer ousam protestar para recuperarem o seu estado… São coma monicreques a fazer trejeitos sem jeito.

          • Ernesto V. Souza

            XD XD pois é… agora entendem-se bem as “sábias palavras do profeta” Daniel:

            “Sodes, pois, uns imperialistas fracassados”….

  • Ângelo Cristóvão

    Um evento muito interessante em que a Galiza participou e foi reconhecida polos parceiros com normalidade. Essa normalidade terá de se refletir, mais cedo ou mais tarde, no plano legal.
    Foi também um passo importante do governo galego num contexto significativo, o da língua portuguesa, como desenvolvimento da Lei Paz-Andrade. Lembremos que esta foi aprovada por unanimidade dos deputados do Parlamento, por um entendimento entre os promotores da Iniciativa Legislativa Popular e as outras partes intervenientes. Seria bom que esse entendimento tivesse continuidade.

  • Galician

    Pena não dispor de audio ou vídeo da intervenção do representante do governo da Galiza.

    • Ângelo Cristóvão

      Talvez haja.

    • António Gil Hdez

      Desculpa: é “representante (isto sim) do gobierno español na comunidad autónoma de Galicia.
      Galiza, caro, oficialmente (para o reino boubónico) não existe, bem como na Galiza não há nem pode haver “governo”; como muito “goberno”, que há de ler-se “gobierno”…

      • Ângelo Cristóvão

        Neste jogo há mais intervenientes. O governo espanhol é um deles, com um peso muito importante, claro. Ora bem, ao entrarmos no espaço de língua portuguesa, talvez os países da CPLP talvez tenham algo a dizer. O que indica a lei Paz-Andrade é que podemos participar nesse âmbito.

  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Esperemos que não queiram entrar como espanhóis, dada a quota de português que já têm na Extremadura e a que esperam implementar na Galiza. Não vá a ser que raciocinem como a Senra no PE: “se não me aceitam na minha língua (= castrapiÑo), falo-lhes em espaÑol que sim me aceitam”. Só faltava outra Guiné Equatorial na CPLP.

  • Ângelo Cristóvão

    Em relação à Conferência de Braga, com independência de que pessoa recebeu a encomenda de representar o governo galego, e a que partido político pertence, a leitura que se faz no âmbito diplomático da CPLP é que participou um representante oficial da Galiza, por convite dos organizadores. Isto deveria fazer-nos pensar se estamos preparados para responder ao desafio.

  • Ângelo Cristóvão

    Acabam de ser disponibilizados os vídeos desta Conferência: https://educast.fccn.pt/vod/channels/tqyeyhodr