Froilano de Mello, microbiologista e tagoreano de Goa



froilano-de-melloO presente artigo está dedicado a um goês, de nacionalidade portuguesa, que se destacou por ser um microbiologista de fama mundial, e um admirador de Robindronath Tagore. Estou a referir-me a Indalécio Pascoal Froilano de Mello (1887-1955), que viajou pela Europa, Cuba e Brasil, e mesmo esteve na Galiza, e em concreto em Ourense no ano de 1935. O presente depoimento dedicado a ele faz o número 66 da série que estou a escrever sobre os grandes vultos da Lusofonia, e o 178 da série de grandes vultos da humanidade iniciada no seu dia com Sócrates, o grande educador grego da antiguidade.

A SUA RICA BIOGRAFIA

Indalécio Pascoal Froilano de Mello nasceu a 17 de maio de 1887 em Benaulim-Salcete (Goa-Índia) e faleceu em São Paulo (Brasil) em 9 de janeiro de 1955, à idade de 67 anos. Foi um grande microbiologista de nacionalidade portuguesa, cientista, médico, professor, escritor e político e até membro do Parlamento de Portugal naquela altura, quando Goa era uma colónia portuguesa.
Ao longo da sua carreira como cientista, Mello foi responsável pela descoberta de centenas de protozoários, parasitas e micróbios, que hoje são conhecidos por nomes latinos batizados por ele, seguidos do seu próprio nome. Foi prefeito de Pangim, capital do estado de Goa, entre 1938 e 1945. Durante a sua participação como membro do Parlamento português (1945 a 1949), foi o representante dos eleitores da Índia Portuguesa  que compreendia as colônias de Goa, Damão e Diu, na Assembleia Nacional de Lisboa.

Ao longo da sua carreira como cientista, Mello foi responsável pela descoberta de centenas de protozoários, parasitas e micróbios, que hoje são conhecidos por nomes latinos batizados por ele, seguidos do seu próprio nome.

Tal como antes indicamos nasceu em Benaulim-Salcete filho de pais católicos naturais de Goa. Ele foi o mais velho dos filhos do advogado Constâncio Francisco de Mello e de Delfina Rodrigues, filha do Dr. Raimundo Venâncio Rodrigues, que foi prefeito de Coimbra e membro das Cortes Gerais de Portugal, além de um dos primeiros diretores da Faculdade de Medicina de Goa, considerada como a melhor de Ásia (então conhecida como Escola Médico-Cirúrgica de Goa). Constâncio faleceu quando Froilano contava com 12 anos de idade, o que causou dificuldades financeiras para a família. As rendas das propriedades portuguesas eram insuficientes para suprirem necessidades económicas familiares e com isso, o jovem Froilano teve que trabalhar ao mesmo tempo em que estudava. Ele graduou-se como doutor em Medicina na cidade de Pangim, e mais tarde repetiu o curso no Porto (Portugal). Em 1910, voltou para Goa com o diploma adicional de Medicina Tropical da Universidade de Lisboa.

Leprosaria Central Dr. Froilano de Mello de Goa.

Leprosaria Central Dr. Froilano de Mello de Goa.

Dentro da sua carreira académica e científica temos que destacar que em 1910, aos 23 anos de idade, foi nomeado professor da prestigiada Faculdade de Medicina de Goa. De 1913 a 1914, ele serviu como professor-assistente da Universidade da Sorbonne em Paris, e foi professor itinerante da Universidade do Porto em 1921. Foi também promovido a diretor do Instituto de Bacteriologia da Faculdade de Medicina de Goa, uma pequena construção em Campal que lhe serviria como centro de pesquisas científicas entre 1914 e 1945. As suas publicações na área de microbiologia e parasitologia trouxeram fama internacional ao instituto graças às traduções simultâneas dos seus trabalhos em inglês, português e francês. Mello tornou-se mais tarde o reitor da faculdade.
Durante esse mesmo período, acumulou o cargo de Chefe da Saúde Pública da Índia Portuguesa e intercalou um curso de pós-graduação em parasitologia no Kaiser Wilhelm Institut für Biologie de Berlim, e no Instituto Max Planck de Potsdam na Alemanha, de 1922 a 1923. Em 1922, aos 35 anos de idade, Mello passou a ser coronel do Corpo Médico do Exército Português, o mais alto posto militar médico da época, graças às suas campanhas de saúde pública em Goa, Damão, Diu e Angola. Mello liderou a delegação portuguesa na Conferência Internacional sobre Lepra em Cuba e divulgou os seus conhecimentos em várias conferências mundiais, incluindo a Conferência sobre Sanitarismo em Lucknow (Índia), no ano 1914 e o Terceiro Encontro de Entomologia na mesma cidade indiana, e no mesmo ano, onde, a convite do Governador Geral da Índia, discursou sobre fungos patogênicos. As suas pesquisas em medicina tropical angariaram-lhe renome internacional e reconhecimento como especialista da disciplina. Mello publicou mais de 200 textos sobre bacteriologia em revistas de línguas portuguesa, francesa e inglesa. Criou as revistas médicas em Goa, Boletim Geral de Medicina, Arquivos Indo-Portugueses de Medicina e História Natural e Arquivos da Escola Médico-Cirúrgica de Nova Goa. O seu trabalho em francês com o título de A la veille du Centenaire, foi elaborado com grandes detalhes sobre as contribuições no primeiro centenário da fundação da Faculdade de Goa. Fora do seu trabalho médico, Mello escreveu ainda em 1946 sobre o poeta bengali Robindronath Tagore o texto com o título O Cântico da Vida na Poesia Tagoreana.

Mello publicou mais de 200 textos sobre bacteriologia em revistas de línguas portuguesa, francesa e inglesa. Criou as revistas médicas em Goa, Boletim Geral de Medicina, Arquivos Indo-Portugueses de Medicina e História Natural e Arquivos da Escola Médico-Cirúrgica de Nova Goa.

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Froilano de Mello com colegas seus.

Mello foi membro da Sociedade Real Asiática de Bengala; da Academia de Ciências da Índia; das Societé de Pathologie Exotique et Société de Biologie de Paris na capital francesa; Sociedade de Ciências Médicas, Sociedade de Etnologia & Antropologia e Sociedade de Geografia de Lisboa. Recebeu medalhas de honra da Rainha Guilhermina de Holanda em 1938, do Papa Pio XII, por ocasião da cerimônia de canonização de São João de Brito em 1947, do Presidente Ramón Grau de Cuba em 1949, do Presidente Eurico Gaspar Dutra do Brasil em 1950. Sobre as condecorações portuguesas foi agraciado com as comendas Grande Official da Ordem de Aviz, Comendador da Ordem de São Tiago e Comendador da Ordem de Benemerência.
Foi muito importante o seu labor em várias campanhas médicas, trabalhando apaixonadamente para erradicar a tuberculose e a malária em Goa. Os seus esforços levaram à fundação de duas importantes instituições, os primeiros leprosários da Ásia em Macasana na cidade de Salcete em 1934, atualmente conhecido como Leprosaria Froilano de Mello e Dispensário Virgem Peregrina em Santa Inês, na cidade de Pangim. Foi fundador também do Sanatório de Margão em 1928 e abriu instalações para os pacientes de lepra em Damão. Em 1926, Mello, com a ajuda do aluno Dr. Luís Brás de Sá, mapeou cuidadosamente o território da Goa Velha e localizou mais de 4.800 poços infetados com mosquitos anófeles e fechou-os. Teve um papel significativo na luta contra a epidemia de malária em Goa, em 1920.
Também difundiu novas medidas para o saneamento básico urbano, que incluíam a introdução da Polícia Sanitária em Pangim. Frente ao combate de uma epidemia de raiva, quando estava no cargo de prefeito, ordenou a eliminação de todos os cães de rua, oferecendo recompensas por capturas dos animais. Como resultado houve uma dramática redução nos casos da doença. Prémios similares foram oferecidos para captura ou destruição de cobras venenosas, reduzindo as ocorrências de mordidas desses répteis.
Em 1926, Mello foi eleito membro do Parlamento como representante da Índia Portuguesa em Lisboa. Contudo, após a revolução de 28 de maio, as eleições foram anuladas e não voltariam a ser realizadas nos seguintes dezanove anos. Mello assumiu o cargo de prefeito de Pangim entre 1938 e 1945. Durante esse mandato, cuidou do embelezamento e urbanização da cidade. Em 1940, Mello idealizou o plano de melhorias para as praças das igrejas e a atual estrada 18 de junho na Zona Campal. Ademais construiu balaustradas no rio Mandovi, do centro da cidade até Campal, ao longo da avenida marginal. Plantou árvores que ladeiam as ruas, de sementes vindas de Cuba. Pés de jacarandá e acácia, que foram plantadas em 1940, agora sombreiam alamedas que antes contavam apenas com coqueiros e árvores ficus.

Froilano de Mello com a sua família.

Froilano de Mello com a sua família.

Como membro do Parlamento de Portugal, no ano de 1945, quando o Parlamento Português foi reaberto, Mello foi eleito pela segunda vez como representante da Índia Portuguesa. Foi o único político independente a servir naquela casa entre 1945 e 1949; todos os outros eram ligados ao Partido da União Nacional de António de Oliveira Salazar. Com isso, os seus discursos na Assembleia Nacional foram censurados. No início, Mello defendia posições pró-portuguesas e acreditava que Goa poderia continuar pertencendo ao Império Português. Em novembro de 1946, na Assembleia Nacional em Lisboa, denunciou ações em Goa do que chamou uns poucos “quinta colunas e nazistas, intelectuais educados na Europa Central e fanáticos fracassados, que pregavam a absorção de Goa e fomentavam o ódio do povo português”. Lutou incansavelmente para abolir a discriminante Lei Colonial de 1930, que relegara aos cidadãos não-portugueses a uma condição de segunda-classe. A lei foi rejeitada na Assembleia Nacional de 1950. Com essa mudança garantida, Mello passou a defender a independência das colónias portuguesas de Goa, Damão e Diu, que deveriam se autogovernar mas permanecer na Commonwealth Portuguesa, que hoje seria a CPLP. Com o Estado Novo, as colônias se tornaram parte integral de Portugal e foram rejeitadas quaisquer medidas de independência.

Lutou incansavelmente para abolir a discriminante Lei Colonial de 1930, que relegara aos cidadãos não-portugueses a uma condição de segunda-classe. A lei foi rejeitada na Assembleia Nacional de 1950. Com essa mudança garantida, Mello passou a defender a independência das colónias portuguesas de Goa, Damão e Diu, que deveriam se autogovernar mas permanecer na Commonwealth Portuguesa, que hoje seria a CPLP.

Nos últimos anos da sua vida, após aposentar-se em Goa, Mello não foi candidato à reeleição por manobras políticas do regime do Partido Único de Salazar. Em 1950, quando ocorreu o Quinto Congresso Internacional de Microbiologia na cidade brasileira de Petrópolis, Mello esperava ser delegado de Portugal, mas não recebeu a indicação governamental. Quando isso foi anunciado, o governo brasileiro convidou-o, assumindo as despesas da viagem e a estadia. Agora sofrendo perseguições políticas em Goa, Mello emigrou com sua esposa para o Brasil em 1951, onde três dos seus filhos já se tinham estabelecido. Ele morou em São Paulo e continuou as pesquisas no campo dos protozoários, nos intestinos dos cupins. Descobriu várias novas espécies e dedicou-se ao seu novo país. Proferiu palestras e conferências no Rio de Janeiro e São Paulo e foi convidado a organizar a seção de protozoologia do Instituto Ezequiel Dias em Belo Horizonte. Mello faleceu em São Paulo de cancro de pulmão, em 9 de janeiro de 1955, aos 67 anos de idade. O seu último texto científico, Memórias do Instituto Ezequiel Dias, foi publicado em fevereiro de 1955, um mês após o seu falecimento.

 Froilano de Mello com seu filho Victor Froilano.


Froilano de Mello com seu filho Victor Froilano.

Dentro da sua vida pessoal temos que destacar que Mello casou duas vezes. A primeira esposa foi Marie Eugenie Caillat, aristocrata suíça de Genebra, que se mudou para Pangim após o casamento. Eugenie foi a primeira pessoa a traduzir a obra de Robindronath Tagore para a língua francesa. Ela faleceu em 1921 de complicações da gripe espanhola que tinha apanhado no Porto. O casal não teve filhos. Em 15 de setembro de 1923, Mello se casou com Hedwig Bachmann, uma jovem professora suíça de Diessenhofen. Com ela teve seis filhos: Alfredo, Eugénia, Victor, Francisco Paulo, Cristina e Margarida. A sua segunda esposa Hedwig escreveu o livro Von der Seele der Indischen Frau (Tipografia Rangel, Goa, 1941), A alma da mulher indiana em português. É um estudo psico-sociológico das tradições hinduístas a partir da interpretação de provérbios, do impacto das civilizações ariana e dravidiana. Um dos filhos, Alfredo Bachmann de Mello (1924–2010) foi um bem conhecido autor de viagens e memórias que escreveu a autobiografia From Goa to Patagonia: memoirs spanning times and spaces. Outro filho, Victor Froilano Bachmann de Mello (1927–2009) foi um renomado engenheiro geotécnico.
Nota: É interessante a leitura do seu labor no Parlamento de Portugal, representando a Índia portuguesa, entrando aqui.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

  1.-Conheça Goa, o estado indiano com idioma português.
Duração: 2 minutos. Ano 2016.

2.-Goa, Índia 2018.
Duração: 19 minutos. Ano 2018.

3.-Goa: Portugueses pelo mundo.
Duração: 43 minutos. Ano 2013.

4.-Victor Froilano Bachmann de Mello (filho de Froilano de Mello).
Duração: 8 minutos. Ano 2020.

5.-Colégio Médico de Goa (em hindi).
Duração: 3 minutos.

OS SEUS TRABALHOS CIENTÍFICOS MAIS DESTACADOS

a.-Sobre a Malária
Profilaxia malárica nas povoações rurais das Novas Conquistas, Primeira Conferência Sanitária de Goa, Pangim, 1914. Também em Boletim Geral de Medecina e Farmacia, Nova Goa, 1914.
Alguns problemas sobre a malária em Goa, Ibid., 1914.
Rapport sur les resultats du traitement des divers etats du paludisme par la Smalarina du Prof. Cremonese, “Transactions of the VII Congress of the Far East Association of Tropical Medicine”, Calcutá, 1928.froilano-de-mello-capa-dum-livro-de-seu-filho-alfredo
Indicações do emprego da plasmoquina na terapêutica e profilaxia da malária, Boletim Geral de Medicina e Farmácia, Pangim, 1929.
Sur l’emploi de la plasmoquine dans le traitement du paludisme, Presse Medicale, Paris, setembro, 1929.
Sur une methode pour delimiter l’tendue des splenomegalies et enregistrer d’une faon précise leurs oscillations ulterieures, Bulletin Soc. Pathologie Exotique, Paris, 1929.
O Fomento das Novas Conquistas e suas relações com os problemas de assistência e saneamento, Terceiro Congresso Colonial Nacional, Lisboa 1930. Também em Boletim Geral de Medicina e Farmácia, Nova Goa 1930.
La plasmoquination en masse des localits malariennes et ses resultats prophylactiques, Bulletin Soc. Pathologie Exotique Paris, junho de 1931.
A scheme for malarial sanitation in rural areas, The Antiseptic, Madras, setembro de 1933.
Premiere Campagne Antimalarienne active em Goa, Arquivo da Escola Médico-Cirúgica, Nova Goa, Série B, 1934.
Nota final sobre a presente campanha anti-palustre. Ibid, 1934.
On the mass chimiprophylaxy of malarial areas and its practical results, Medicina, Lisboa, 1935.
Sobre a Quimioprofilaxia das localidades maláricas e seus resultados práticos após dois anos de experiência pessoal, Jornadas Médicas Galaico-Portuguesas, Ourense, 1935. Também em Portugal Médico, Porto, maio de 1936.
Experimental studies on the treatment of malarial splenomgalies by the method of Ascoli, South Africa Medical Journal, novembro de 1938. Também em Compt Rendues du Congres de 1st South Africa Medical Association, Lourenço Marques, 1939.
Experiences cliniques sur le traitement des splenomgalies palustres par la methode d’Ascoli, A Medicina Contemporânea, Lisboa, novembro de 1938.
La campagne antimalarienne dans les regions rurales de e Portugaise, Rivista Malariologia, Roma, 1938.
O problema da endemia malárica na Índia Portuguesa, Clínica, Higiene e Hidrologia, Lisboa, 1936.
Treatment of malaria with special reference to the chemoprophylaxis of malaria in Portuguese India, South African Medical Journal, dezembro de 1938. Também em O Médico, Nova Goa, 1939.
Resultats de 5 ans d’experience personelle sur la prophylaxie quinosynthtique des regions a haute endemicity palustre, Acta Conventius Tertii de Tropicis ut que Malaria Morbis (Congresso de Amsterdã, 1938).
A orientação da campanha antimalárica nas Novas Conquistas, seus resultados práticos e a lição que delas deriva para a nossa conduta futura, A Medicina Contemporânea, Lisboa, agosto de 1937, também em Boletim Geral de Medicina e Farmácia, Nova Goa, 1938.

b.-Sobre a Tuberculose
Estado Actual da Ciência sobre a tuberculose pulmonar, Boletim Geral de Medicina e Farmácia, Nova Goa, 1912.
Une nouvelle conception sur le mode d’action des tuberculines, Ibid, 1913.
Um caso de antracose pulmonar simulando a tuberculose, Ibid, 1917.
Un programe a suivre dans la declaration obligatoire de la tuberculose a l’Inde Portugaise, Revue d’hygiene et police Sanitaire, Paris, 1914.
Conferência Provincial sobre a Tuberculose, Boletim Geral de Medicina e Farmácia, Nova Goa, 1934.

c.-Sobre a Lepra
Traitement de la lepre, Presse Medicale, Paris, 1921.
Estado actual de Quimioterapia antileprosa, A Medecina Ibera, Madrid, 1925.
Breves considerações sobre o estado actual da Quimioterapia anti-leprosa (com impressões clínicas pessoais sobre algumas das medicações preconizadas). Comunicado no Congresso Luso-Espanhol em Coimbra, Boletim Geral de Medicina e Farmácia, Nova Goa, 1925.
Etat actuel de chimiotherapie antilepreuse, Presse Medicale, Paris, 1925.
Primeira Conferência da Lepra na Índia Portuguesa, Arquivos Indo Portugueses de Medicina e História Natural, Vol IV, 1927.
Wie soll die Lepra bekampft werden, Die Medizin Welt, Berlin, outubro 1928.
Une croisade internationale, combattant la Lepre, simultanement dans tous les pays, pourrait eteindre ce fleau en quelques decades, Congresso de Medicina Tropical do Cairo, 1928.
Le probleme de la lepre dans l’Inde Portugaise, Revue D’hygeine et de Medicine Preventive NBA V, Paris, 1931
Treatment of Leprosy by intravenous injections of pure Chaulmogra oil, Medical Digest, Bombaim, agosto de 1935.
A campanha anti leprosa na Índia Portuguesa, Arquivo da Escola Médico-Cirugica, Nova Goa, Série B, 1915.
Traitement de la lepre d’apres 3 ans d’experience personelle, XI Congresso Internacional de Dermatologia de Budapeste, 1935
Como eu trato os meus leprosos (conclusões baseadas em 3 anos de experiências na Leprosária Central de Macasana), Jornadas Médicas Galaico-Portuguesas, Ourense, 1935. Também em Portugal Médico, Porto, 1936.
Leprosaria Central de Goa (Relatório), Arquivo da Escola Médico-Cirúgica, Nova Goa, Serie B, 1937
Traitement et guerison de la Lepre, II Semaine Medicale Internationale, Montreux, 1935.
O problema da Lepra. Como se deve agir e como eu agi na nossa India. Lecture in the Liga da Profilaxia Social, Porto, Volume das Conferências, 1939. Também em Boletim Geral de Medicina e Farmácia, Nova Goa, 1938.

d.-Livro sobre Tagore: O cântico da vida na poesia tagoreana. Porto: O Comércio do Porto, junho de 1946, 142 páginas. Edição generosamente oferecida pelo autor à Liga Portuguesa de Profilaxia Social (onde o 4 de fevereiro de 1946 pronunciou uma conferência sobre Tagore).froilano-de-mello-noticia-na-imprensa-em-ingles

ADMIRADOR DE ROBINDRONATH TAGORE

De nome completo Indalécio Froilano Pascoal de Mello, tal como já assinalamos, foi um médico de renome internacional, extraordinário parasitologista, epidemiologista e grande orador. Nasceu em Benaulim-Salsete e faleceu no Brasil. Foi um destacado professor da Escola Médica de Goa, a mais importante da Ásia naquela altura. Desde 1922 foi também professor na Faculdade de Medicina do Porto. Participou como relator em numerosos congressos médicos celebrados em muitos lugares do mundo. Foi um grande investigador e publicou infinidade de trabalhos sobre temas relacionados  com as suas especialidades científicas e médicas. Foi também, junto com os goeses Telo de Mascarenhas, Adeodato Barreto, Renato de Sá e Propércia Correia, um grande admirador do bengalí Robindronath Tagore. Escrita no ano 1944 e publicada posteriormente pelo jornal O Comércio do Porto, é muito interessante a sua monografia intitulada O cântico da vida na poesia tagoreana. Tema que antes foi uma sua conferência pronunciada o dia 4 de fevereiro de 1946 nos locais da Liga Portuguesa de Profilaxia Social. De maneira muito acertada, com grande sensibilidade, reveladora do seu apreço pela poesia de Tagore, vai analisando passo a passo, tomando como base os livros poéticos tagoreanos mais importantes: Gitanjali (Oferenda lírica), The Gardener (O Jardineiro), Lover´s Gift (Regalo de amante), Fruit Gathering (A Colheita), The Crescent Moon (A lua nova) e, entre outros, Stray Birds (Pássaros perdidos), a lírica tagoreana da primeira infância, o delicioso arrulhar da segunda infância, a lição do adolescente, as lições do Guru, os arroubos amorosos de um jovem, a delicada timidez do amor feminino, o velado idílio entre dois, a ética da maturidade e a canção da morte. Este interessante livro fecha-se com um muito documentado glossário dos termos tradicionais da cultura indiana empregados no estudo.
No Epílogo deste formoso livro escreve Froilano de Mello: “É de uma grandeza colossal a personalidade poética de Tagore. E será eterna porque eternas são as fontes indianas que a geraram! Avatar moderno dos velhos bardos e dos velhos ascetas, Tagore faz reviver em nossos dias aquela essência imortal que se respira, através de todos os tempos, na filosofia e no lirismo que impregnam a alma indiana. (…) Os fragmentos que ficam retratados no meu livro são suficientes para dar à Mocidade Portuguesa uma ideia da força e da beleza do pensamento de um dos maiores poetas contemporâneos, bem como para demonstrar a tese de que a sua grandeza e a sua imortalidade residem, precisamente, no facto de ter sabido reproduzir a grandeza da sua terra à luz dos grandes mestres do pensamento humano que essa terra produziu no curso dos séculos. Tagore é, nos nossos dias, o transunto reduzido e sublimado do lirismo e da filosofia que dos cânticos védicos evoluem até às doutrinas vedânticas. É uma mutação nova da mesma essência imortal. E mesmo a sua aspiração mais terrena e patriótica, a de que a Índia do futuro venha a ser o que foi a Índia do passado, reproduz na expressão do pensamento um éco da aspiração védica pela conquista da Imortalidade (a seguir Froilano de Mello reproduz o lindo poema tagoreano “Aí onde o espírito é sem receio e se olha de cabeça erguida…”) (…) É o avatar patriótico do velho hino védico ao Soma: somente a Pátria de Tagore é, nessa canção, a Índia de hoje, fragmentada, deprimida e espezinhada, e a pátria do indo-ária do período védico era a Imortalidade Imaterial nos Céus radiosos e eternamente iluminados (Mello reproduz agora o poema do Rigveda intitulado “Aí onde a luz é eterna…”) (…) Que a Mocidade Portuguesa aprenda a conhecer e a amar o maior bardo indiano dos tempos contemporâneos: Robindronath Tagore” (Nova Goa, Páscoa de 1944).

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Visionamos os documentários referidos antes, e depois desenvolvemos um cinemafórum, para analisar o fundo (mensagem) deles, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Froilano de Mello, grande microbiologista goês. Nela, além de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.
Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um LivroFórum, emque intervenham alunos e docentes. O livro mais interessante para ler é o dedicado a R. Tagore, intitulado O cântico da vida na poesia tagoreana, publicado no Porto em 1946.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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