Tiago Peres, autor da 'Breve História do Reintegracionismo'

«Filgueira Valverde defendeu o galego-português nas páginas da ‘Fouce’»



Tiago Peres 2

Tiago Peres leva vários anos a trabalhar num livro histórico, nunca melhor dito. Através das páginas da Breve História do Reintegracionismo, que vê a luz neste verão, o autor demonstra que ainda nos resta muito a saber sobre as origens do movimento reintegracionista e o processo de codificação do galego. O peso do Decreto Filgueira e o papel do Conglomerado Galaxia também ocupam um lugar salientável nesta obra.

Quais os maiores desafios a que se enfrenta um historiador para historiar o reintegracionismo?

O maior desafio é manter a objetividade e a distância com o teu objeto do estudo. É claro que a objetividade não existe, mas como historiadores devemos ir na sua procura. Além disso, para a etapa contemporânea há uma dificuldade acrescentada ao estarem a maior parte dos seus protagonistas ainda vivos. É também nesse sentido um maior risco. Quanto mais nós achegamos cronologicamente, mais complicado é saber valorar o peso real que determinadas pessoas tiveram na organização e articulação do movimento. Seja como for, o livro não tem por objetivo contornar os egos dos reintegracionistas, que são muitos e mui variados, (risos), mas fornecer uma visão global do movimento desde o começo dos confrontos normativos até a atualidade.

O livro não recolhe apenas texto mas também numerosas imagens diagramadas polo profissional Ricardo Cabanelas. Era o livro que sonhavas?

Pois na verdade está perto do livro dos meus sonhos. Essa foi desde o começo a nossa ideia, e digo nossa já que a ideia inicial foi de Valentim Fagim. Acho que os dois olhamos a necessidade dum material destas características. Um livro breve, de carácter divulgador mas ao mesmo tempo rigoroso do ponto de vista historiográfico e com um desenho atrativo. É algo, por outra parte, muito comum na historiografia anglo-saxónica mas ainda pouco estendido nas nossas latitudes.

Como bem dizes, o livro conta com um dos melhores desenhadores galegos, Ricardo Cabanelas, que para além de um magnífico profissional e também o autor de muitos dos desenhos e logótipos do movimento.

Assinalar também que a “Breve História do Reintegracionismo” não está pensada para os próprios reintegracionistas, mas para todas aquelas pessoas que tenham interesse em conhecer como foi o processo de codificação do galego moderno. Processo que em muitas ocasiões foi ocultado ou desvalorizado. É nesse sentido, e em palavras de Antón Villar Ponte, um livro sobre as “loitas” normativas.

A 'Breve História do Reintegracionismo' chega este verão mercê à Através Editora

A ‘Breve História do Reintegracionismo’ chega este verão mercê à Através | Editora

A maioria das pessoas julga que o reintegracionismo é um movimento recente, nascido em finais de 70, começos de 80. Qual a focagem do livro ao respeito?

As pessoas que pensam isso vão levar sem dúvida uma surpresa ao lerem este livro. Se bem é certo que o reintegracionismo como movimento social começa por meados dos 80, uma outra coisa foram as diferentes lutas normativas antes da oficialização das Normas Ortográficas de Morfolóxicas do Idioma Galego (NOMIG). Neste sentido, os confrontos normativos dentro das fileiras do galeguismo e do nacionalismo são tão velhos como a própria história do galeguismo. É claro que o argumento da modernidade do reintegracionismo foi tradicionalmente utilizado pelo isolacionismo, mas é um argumento que tem um problema, dá-se mal com a história. Por citar tão só um exemplo dos muitos que aparecem no livro: um Ricardo Flores, nas páginas da Fouce, chamava “espanholeiros” aos membros do Seminário de Estudos Galegos por entender que a sua proposta ortográfica não confluía o suficiente com o português.

Quando um movimento é periférico é comum simplificá-lo se for visto de fora. É assim tão simples o reintegracionismo?

Não é simples, antes diria que é todo o contrário. Nesse sentido, acho que o estudo do Reintegracionismo como movimento é, do ponto de vista historiográfico, um fenómeno muito interessante para qualquer historiador, mas também muito complexo. Complexo pela heterogeneidade e diversidade organizativa, mas também pelas diferentes posições com respeito a codificação e as mudanças de postura de muitos galeguistas. Foram também muitas as diferentes propostas normativas, sobretudo nos começos dos anos oitenta, que foi a época, como acertadamente assinalou Johanes Kabatek, das “Mil e uma normativas”. Eu procurei simplificar já que embora também existissem e existem conflitos ortográficos ocultos dentro das duas tendências maioritárias, a dialética principal foi, e continua a ser, o confronto entre reintegracionismo vs isolacionismo.

A RAG decidiu dedicar o dia das letras a Filgueira Valverde. Qual o seu peso na questione della lingua? Como historiador, qual a tua opinião sobre a nomeação?

Suponho que a estas alturas não deveria estranhar que a RAG decida dedicar o dia das letras a Filgueira Valverde. Paradoxalmente acho que, mesmo do seu ponto de vista, é um erro ter feito essa eleição. Já como historiador, Filgueira Valverde é uma pessoa que dá muito jogo, já que mesmo como poderão ler as pessoas que comprarem o livro, Filgueira defendeu o galego-português nas páginas da Fouce, mesmo colocando quadros explicativos onde os leitores podiam observar a extensão da nossa língua pelo mundo. O seu percurso vital posterior é bem conhecido, e não faz falta insistir. Tem a sua importância por ter sido o que finalmente deu nome ao famoso Decreto Filgueira Valverde, mas do meu ponto de vista haveria que falar mais do Conglomerado Galaxia para perceber como foi o processo de oficialização do galego, e não focar a responsabilidade numa pessoa em concreto. As responsabilidades em diferentes graus foram compartilhadas entre os agentes na Galiza do nacionalismo espanhol e o galeguismo cultural mas também alguns sectores do nacionalismo galego.

Estamos perante um movimento em expansão. Até onde julgas que pode chegar?

O livro remata com uma frase que acho que resume muito bem a tua pergunta. Um dos paradoxos do reintegracionismo é que embora seja um movimento de carácter minoritário e a margem da oficialidade tem como vocação ocupar o centro do debate sobre língua na Galiza. E pessoalmente estou convencido de que isso tarde ou cedo vai acontecer, e vai ser assim porque ao contrário doutros movimentos, o reintegracionismo tem umas características que possibilitam esta expansão. Estou a falar não só dos clássicos argumentos utilitaristas com respeito à língua, como também do facto de ser um movimento que ultrapassa as fronteiras ideológicas e partidárias articulando-se de maneira transversal. Essa transversalidade é uma da suas características definitórias e ao mesmo tempo a que possibilite o seu sucesso no futuro.


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  • Ernesto V. Souza

    Parabéns Tiago, aledo-me imenso que o livro finalmente se editar… abraço…

    E sim, Filgueira fazia mos anos 30 mapinhas desses precursores falando do português no Brasil, Angola… 😉

  • Galician

    “Estou a falar não só dos clássicos argumentos utilitaristas com respeito à língua, como também do facto de ser um movimento que ultrapassa as fronteiras ideológicas e partidárias articulando-se de maneira transversal. Essa transversalidade é uma da suas características definitórias e ao mesmo tempo a que possibilite o seu sucesso no futuro.”

    Concordo, essa é uma das chaves que podem avalancar o reitegracionismo cara o sucesso. E na minha opinião compre mantermos sempre essa visão e incidirmos ainda mais nela.

    Mudando de tema mas ligando-o a isto… No campo político, o día que o nacionalismo / independentismo galego aplique esse mesmo paradigma da transversalidade terá abandonado o infantilismo e a estupidez reinante para converter-se num projeto nacional digno desse nome.

    • Valentim R. Fagim

      O amigo Ernesto deve ter uma cópia digitalizada do tal artigo…

      • Ernesto V. Souza

        não… tinha fotocopiado, acho, mas nem sei onde… e não lembro que fosse o da Fouce…

        • António Gil Hdez

          Posso procurar em A Fouce, se é que a edição fac-similar está completa. A de A nosa Terra ficou truncada em vários números…

  • António Gil Hdez

    Avisei das miragens… Eu, sinceramente, não acredito em conversões nem religiosas nem das outras. Sim são evidentes progressões nas manifestações a partir de uma atitude fundamental. Não creio que o Filgueira passasse da mera retórica sem nenhuma consequência prática e atual ao afirmar a “unidade” galego-portuguesa. A qual, aliás, ninguém nega referida a tempos recuados e nada atuais.

  • António Gil Hdez

    E acrescento: do mesmo jeito e por razões equivalentes que cumpre duvidar da possibilidade de mudança entre as camadas dirigentes-ou-dominantes no reino bourbónico, também vale duvidar da possibilidade de mudança “ortográfica” entre os dirigentes “tradicionais” dos partidos nacionalistas (ou nacionadores) da Galiza.

    • Ernesto V. Souza

      Caro, acho que Filgueira, precisamente (e penso que muito está a despistar esta hipócrita campanha do ativismo isolata contra o tal por fascista…) é um caso exemplificador da constante de mudança de casaco em função da mudança dos tempos, e sempre que haja benefício…

      Para mim Filgueira era para estudar como uma especializaç4ao no campo sócio-cultural-político do franquismo mas dentro do estraperlismo.

      Se um repassa a biografia e publicações de Filgueira verá que é uma das presenças constantes no relacionamento etnográfico, literário e cultural no aquém e além Minho antes e durante todo o franquismo e na transição, um dos fixos nos atos pro-Camões, nos congressos sobre etnografia, no iberismo…

      De feito, acho que para toda a gente a sua intervenção e apoio a teses isolacionistas, foi inaguardada… penso que nessa e noutros momentos mais escuros colocou o pragmatismo do imediato por sobre o que pensava.

      E disto e doutras cousas da experiência vital de todos nós, penso que dá para inferir que o resto dos reintegracionistas utópicos e ao tempo pragmáticos e avarentos de honor e carreiras, podem dar o passo (e também o contrapasso)… só é alviscarem por onde corre o ouro ou o poder no hoje… (não no amanhã, no que não acreditam)…

      • Isabel Rei Samartim

        Estraperlista, contrabandista… Mas ele negociava com materiais de primeira e à luz do dia, com todas as permissões oficiais. Não era um negócio ilegal, era o mais legal de todos.
        Esse “pragmatismo”, essas decisões, caro, são pura e dura afeção ao regime antigalego. Medo, diria eu.
        Não acho que “o que pensava” fosse mais longe que isso. Há “pragmatismos” que nos colocam em situações definitivas, portas fechadas, quer dizer, fazer-se um homem do regime não permite tomar a cultura galega como algo mais do que material de negócio e temporeiro. Não poderia ter feito outra cousa, mesmo na improvável hipótese de que quisesse.
        E assim para todo o resto que agiu do mesmo jeito. Seria interessante, sim, estudá[email protected] E o resultado, como espelho, pode-se pôr diante [email protected] plató[email protected] atuais a ver que imagem devolve cada quem. Mas o seu cargo, a clareza da sua posição política, não dão para intuir que no íntimo Filgueira quereria outra cousa que a que teve…

        • Ernesto V. Souza

          Pois é… mas isso é o grande estraperlismo: o dos caminhões do exército, os depósitos portuários, e os armazéns municipais, os dos grandes empresários, e cargos da administração, com todos os carimbos e licenças e o apoio da Falange, a Guarda civil para assustar ao que não colaborava não o pequeno de saquinhos de café e zucre baixo as saias… o de todos sabendo tudo, o dos amigões, o do caciquismo e a informação reservada e os postos dados…

          Claro que ele agiu, como tantos hoje, mesmo tantos dos hipócritas escandalizados por e para próprio proveito… e acho que fez sempre… procurar neles razões filológicas, científicas, alta política é absurdo, como debater com eles na procura de respostas ou construção de algo em comum.

          • Miro Moman

            Ernesto. Isso é assim na Galiza e no Tombuctu. É verdade que os galegos, em razão das vicissitudes históricas que nos tocou viver, somos particularmente camaleónicos (mas nem tanto como os chineses). Por isso aqui o calvinismo nunca calhou 😉

          • Ernesto V. Souza

            Seguramente a humanidade é bastante igual, mas não penso que sejam as vicissitudes apenas…. está a questão cultural, que define o bom, o mau, acho que na China, como na Galiza esse camaleonismo, esse virar casaco em havendo proveito, essa exibição dos quartos e o pragmatismo, do saber caciquil do poderosos… é bem considerado socialmente, ou quando menos não está socialmente punido como noutras partes…

            Sinceramente, a mim o caso Filgueira acho que me interessa mais neste presente… no desmascaramento da hipocrisia de persoeiros e instituições, e evidencia da pugna pela dominação e o campo cultural… bons discípulos de Filgueira, Piñeiro uns e outros… e todos o mesmo e por igual… pretendendo mais uma vez que nos posicionemos nas suas guerras…

            Enfim… o reintegracionismo fez e faz bem em continuar o seu caminho.

          • Isabel Rei Samartim

            Vou deixar a um lado o detalhe de o “grande estraperlismo” ser o estatal, o que detenta a legalidade, portanto o politicamente correto, e o “pequeno estraperlismo” o que se agocha em baixo das saias, portanto, o feminino, o pequeno, o pouco importante. ^_^
            A mim parece-me que não somente Filgueira está muito na moda quanto que corremos perigo de adoptar as suas práticas atendendo a isto que dizes tão bem: “o dos amigões, o do caciquismo, mordidas, lutas internas, silêncios,
            quedas em desgraça, conspirações e a informação reservada e os postos
            dados…”
            E claro, sempre fazemos bem ao seguirmos o nosso caminho, que por algo é o de cada uma, o que nos vamos abrindo dia a dia. Contudo, somos capazes de, sem querer, reproduzir caminhos antigos, por isso estudá-los não vem mal e ainda aprendemos algo. A história, mesmo se breve, é isso, um constante caminho em vias de reprodução…

          • Ernesto V. Souza

            Pois… mas bem pudera ser que a história não existisse, nem se transmitisse nem pudesse aprender mais dela que dos mitos, contos, cantigas e outras formas de contar… e que essas estórias emergissem da necessidade de explicarmos, de narrarmos o que acontece e nos acontece, o que percebemos e nos manca, o que nos destaca do e no presente; uma interpretação dela acorde com o nosso contexto e circunstâncias e em função sempre da nossa experiência, afetos, afinidades, escolhas construidas e em construção e sensibilidades aprendidas ou educadas.

            Agora, é interessante, neste presente, comovedor e também muito revelador:

            1º que a RAG e o galeguismo cultural institucional ache normal, neste presente e circunstância, e com apoio desta Xunta, dentro da lógica cultural espanhola, celebrar Filgueira e com ele a normalidade do processo da transição e de construção do aparato cultural e da língua desde o franquismo a hoje…

            2º que o ativismo isolacionista diga não mas unicamente questione o valor simbólico e político da figura sem atender
            ao papel simbólico e peso na escolha linguística, no cânone cultural, que defendem, empregam e na lógica institucional na que se levam movimentando décadas…

          • Isabel Rei Samartim

            Pois é um bom exemplo de que nada muda, e que cada quem conta-che a feira segundo lhe vai e com vários casacos no armário. Do outro, aproveitar a contra é um jeito de fazer, bem o sabemos. E questionar o modelo de língua é algo que a algumas pessoas lhes custa mais do que engolir nomeamentos.

  • António Gil Hdez

    Sinceramente, não entendo essa teima (tão “galega”?) de achar “galeguistas” onde quer. Desculpai, mas penso que Juan Valera é mais galeguista do que o próprio Filgueira.
    O Museu da Ponte Vedra? Responde a algo mais do que a encerrar a cultura galega num museu, num lugar fechado e dedicado aos mortos? Não tembém como um contrapeso aos seus excessos em prol do franquismo e contra o Galeguismo real, que representava Bóveda? (Há explicações de familiares que não explicam mais do que o ulterior posicionamento ideológico e político a respeito dos seua antepassados…)
    O efetivo do Filgueira, acho, não são os seus escritos, por muito que se preocupasse com o Camões, escritor morto muitos anos atrás e nada vivo… impiedosamente ocultado aos galegos pelo partido em que o Filgueira militou desde antes de esse partido existir…
    O efetivo do Filgueira é o seu labor político-governativo: as celulosas colocadas onde se ahcam e, em virtude da lei de costas do seu partido, permanentemente colocadas onde o Filgueira as colocou.
    O efetivo do Filgueira é esse simulacro de “decreto de normativización da lingua galega” que desenvolve de facto a “ley de normalización” promulgada QUASE OITO (8) MESES DEPOIS de aprovado o decreto: um decreto que desenvolve uma lei inexistente?
    O efetivo do Filgueira é a pretensão dele e dos sucessivos aproveitados desse “decreto de normativización” para impedir que o Galego seja deveras GALEGO, quer dizer, português da Galiza. E neste conglomerado acham-se aproveitados de todas as ideologias, aparentemente opostas e mesmo inimigas, mas na realidade consolidadoras da IDEOLOGIA NACIONALISTAS ESPAÑOLA, a promover a uniformidade idiomática no reino bubónico.
    INSISTO: Cuidado com as miragens ou com olhar para a árvore (das aparências) e perder de vista o bosque (ndecente) ou com ficar no DEDO e preterir a LUA…

    • Ernesto V. Souza

      António, não há melhor espanhol que um galego mau… XD

  • madeiradeuz

    Boa, Tiago! Adorei a entrevista!

  • António Gil Hdez

    No facebook coloquei este comentário sobre as minhas relações com o Filgueira:

    Tive muito pouco trato com o Filgueira. Que eu lembre, em três ocasiões:
    1.- Uma, na sua casa (sic) na Ponte Vedra, arroupado pelos professores brasileiros Azevedo Filho e Ferreira da Cunha, e com eles a professora italiana Stegagno Picchio (os três…, os quatro, já em melhor vida; Deus é piedoso com todos!):
    2.- outra no palácio de Rajoi, onde a “Xunta” tinha então a sua sede, num descanso do “consello”;
    3.- a terceira num andar da “Xunta” na rua República de El Salvador, também em Compostela (se não erra a minha memória locativa).

    As duas últimas tinham como “subject matter” “la questione della lingua”. O senhor
    toureou-nos muito bem as direções da AGAL e da AS-PG.
    Na primeira pude comprovar o “galeguismo” do senhor; o seu simplesmente era o conto da erudição, sem interesse real nem na gente nem no idioma e menos ainda na Galiza.
    PORTANTO, é o melhor “vulto” que pôde achar a RAG que preside o nacionalista espaÑol Alonso Montero, os quais, Filgueira e Montero, me confirmam a TESE de que o projeto nacional espaÑol, a IDEOLOGIA NACIONAL ESPAÑOLA, não difere por razão da IDEOLOGIA SOCIAL; é a mesma sejam os que forem os seus sustentadores, das “izquierdas”, das “derechas” ou dos “centros”.
    Como, aliás, deveria ser entre os presumíveis “NACIONADORES” da Galiza e na Galiza…

    • Ernesto V. Souza

      Claro que sim António… ele já era um “listo” antes da Guerra… são impressionantes estes personagens que fazem da erudição mercado especialmente este porquanto o mercado erudito, académico, institucional, linguístico… em parte saiu do seu caletre…

      A mim, sinceramente o que me pasma desta hipocrisia geral de uns e outros é que possam assumir ou rejeitar Filgueira, sem perceberem que longe de ser anormal, a sua figura é central no construto da realidade política, cultural, institucional, no cânone literário, etnográfico e histórico, por igual que no modelo linguístico… é dizer… exibi-lo ou rejeitá-lo tanto tem… porque a ninguém interessa enxergar nada… nem menos ainda entender que este presente é um continuum do Franquismo, sem roturas e sem condenas, sem revisões e sem questionamentos…

      Cada dia me interessa menos esta história, esta gente, este galeguismo, esta pretensa cultura normal… esta hipocrisia de nomeamentos, de méritos, este espaço institucional atafegante e destrutivo, esta pacatez mental dos construtores de história, cultura e pátrias para uso dos que mandam e esse colaborar neste confinamento, neste submetimento e nesta aniquilação…

      Abraços fortes para ti e para o pessoal da Crunha se os vês: o Mário, o Celso, o Corredoira…

      Ernesto

  • madeiradeuz

    Parece que o sistema de comentários não quis importar toda a conversa do antigo site para aqui… A ver se o solucionam em breve.

    • Ernesto V. Souza

      Bom… nada se passa, era tertúlia… 😉

      • madeiradeuz

        É esquisito, porque na capa aparece que a entrevista tem 22 comentários (com este já 23), mas ao entrar só aparecem os comentários postados após a mudança de pglingua.org para pgl.gal… Lost in migration? 😛

  • ranhadoiro

    Essa intitulacão parece vir a dizer que o filgueira tb teve cousas boas.
    Vou dizer uma cousa: Não ha galego nem galega d oque não se possa tirar um exemplo reintegrante. Mas o que contam não são as curiosidades e sim o que nos fica dele.
    O que nos ficou dele é a acção dum espanholista que concebeu sempre o castelhano como a língua senhorial da Gz e o galego como a variante regional e do castelhano dependente. A entrevista na Voz ao sair o decreto de normalização e o retrato do trabalho dum cipaio ao serviço da espanha. O resultado disso dá bem nas vistas… e há quem o critica porém aceita a sua cipaiada

  • madeiradeuz

    Acho que era o anexo a este artigo do José Paz o que alguns procuráveis, nomeadamente o António. https://pgl.gal/filgueira-valverde-defendia-em-1939-a-lusofonia/

  • António Gil Hdez

    Penso que eu deixei aqui um comentário. Mas não lembro… Pode alguém informar-me se ando errado?

    • madeiradeuz

      Não estás errado. Na migração de pglingua.org a pgl.gal, o sistema de comentários não importou 17 idem que havia a esta entrevista. Intentaremos recuperá-los de maneira manual.

  • agal_gz

    (Comentário recuperado manualmente)
    Ernesto V. Souza (21 de julho)
    Parabéns Tiago, aledo-me imenso que o livro finalmente se editar… abraço…
    E sim, Filgueira fazia mos anos 30 mapinhas desses precursores falando do português no Brasil, Angola… 😉

  • agal_gz

    (Comentario recuperado manualmente)
    Galician (21 de julho)

    “Estou a falar não só dos clássicos argumentos utilitaristas com respeito à língua, como também do facto de ser um movimento que ultrapassa as fronteiras ideológicas e partidárias articulando-se de maneira transversal. Essa transversalidade é uma da suas características definitórias e ao mesmo tempo a que possibilite o seu sucesso no futuro.”

    Concordo, essa é uma das chaves que podem avalancar o reitegracionismo cara o sucesso. E na minha opinião compre mantermos sempre essa visão e incidir ainda mais nela.

    Mudando de tema… No campo político, o día que o nacionalismo / independentismo galego aplique esse mesmo paradigma da transversalidade terá abandonado o infantilismo e a estupidez reinante para converter-se num projeto nacional digno desse nome.

    • agal_gz

      (Comentário recuperado manualmente)
      Valentim R. Fagim (21 de julho)
      O amigo Ernesto deve ter uma cópia digitalizada do tal artigo…

      • agal_gz

        (Comentário recuperado manualmente)
        Ernesto V. Souza (22 de julho)

        não… tinha fotocopiado, acho, mas nem sei onde…

        • agal_gz

          (Comentário recuperado manualmente)
          António Gil Hdez (24 de julho)
          Posso procurar em A Fouce, se é que a edição fac-similar está completa. A de A nosa Terra ficou truncada em vários números…

  • agal_gz

    (Comentário recuperado manualmente)
    António Gil Hdez (21 de julho)
    Avisei das miragens… Eu, sinceramente, não acredito em conversões nem religiosas nem das outras. Sim são evidentes progressões nas manifestações a partir de uma atitude fundamental. Não creio que o Filgueira passasse da mera retórica sem nenhuma consequência prática e atual ao afirmar a “unidade” galego-portuguesa. A qual, aliás, ninguém nega referida a tempos recuados e nada atuais.

    • agal_gz

      (Comentário recuperado manualmente)
      António Gil Hdez (21 de julho)
      E acrescento: do mesmo jeito e por razões equivalentes que cumpre duvidar da possibilidade de mudança entre as camadas dirigentes-ou-dominantes no reino bourbónico, também vale duvidar da possibilidade de mudança “ortográfica” entre os dirigentes “tradicionais” dos partidos nacionalistas (ou nacionadores) da Galiza.

      • agal_gz

        (Comentário recuperado manualmente)

        Ernesto V. Souza (22 de julho)

        Caro, Acho que Filgueira, precisamente (e penso que muito está a despistar esta hipócrita campanha do ativismo isolata contra o tal por fascista…) é um caso exemplificador da constante de mudança de casaco em função da mudança dos tempos, e sempre que haja benefício…

        Se um repassa a biografia e publicações de Filgueira verá que é uma das presenças constantes no relacionamento etnográfico, literário e cultural no aquém e além Minho durante todo o franquismo e na transição, um dos fixos nos atos pro-Camões, nos congressos sobre etnografia, no i berismo…

        De feito, acho que para toda a gente a sua intervenção e apoio a teses isolacionistas, foi inaguardada… penso que nessa e noutros momentos mais escuros colocou o pragmatismo da imediatez por sobre o que pensava.

        E disto e doutras cousas da experência vital de todos nós, penso que dá para inferir que o resto dos reintegracionistas utópicos e ao tempo pragmáticos e avarentos de honor e carreiras, podem dar o passo (e também o contrapasso)… só é alviscarem por onde corre o ouro ou o poder no hoje… (não no amanhã, no que não acreditam).. .

        • agal_gz

          (Comentário recuperado manualmente)

          Isabel Rei Samartim (22 de julho)
          Estraperlista, contrabandista… Mas ele negociava com materiais de primeira e à luz do dia, com todas as permissões oficiais. Não era um negócio ilegal, era o mais legal de todos.
          Esse “pragmatismo”, essas decisões, caro, são pura e dura afeção ao regime antigalego. Medo, diria eu.
          Não acho que “o que pensava” fosse mais longe que isso. Há “pragmatismos” que nos colocam em situações definitivas, portas fechadas, quer dizer, fazer-se um homem do regime não permite tomar a cultura galega como algo mais do que material de negócio. Não poderia ter feito outra cousa, mesmo na improvável hipótese de que quisesse.
          E assim para todo o resto que agiu do mesmo jeito. Seria interessante, sim, estudar isso. E o resultado, como espelho, pode-se pôr diante dos platónicos atuais a ver que imagem devolve cada quem. Mas o seu cargo, a clareza da sua posição política, não dão para intuir que no íntimo Filgueira quereria outra cousa que a que teve…

          • agal_gz

            (Comentário recuperado manualmente)

            Ernesto V. Souza (22 de julho)

            Pois é… mas isso é o grande estraperlismo: o dos caminhões do exército, os depósitos portuários, e os armazéns municipais, os dos grandes empresários, e cargos da administração, com todos os carimbos e licenças e o apoio da Falange, a Guarda civil para assustar ao que não colaborava não o pequeno de saquinhos de café e zucre baixo as saias…

            Claro que ele agiu, como tantos hoje, mesmo tantos dos hipócritas escandalizados por e para próprio proveito… e acho que fez sempre… procurar neles razões filológicas, científicas, alta política é abs urdo, como debater com eles na procura de respostas ou construção de algo em comum.

          • agal_gz

            (Comentário recuperado manualmente)

            Miro Moman (22 de julho)
            Ernesto. Isso é assim na Galiza e no Tombuctu. É verdade que os galegos, em razão das vicissitudes históricas que nos tocou viver, somos particularmente camaleónicos (mas nem tanto como os chineses). Por isso aqui o calvinismo nunca calhou 😉

          • agal_gz

            (Comentário recuperado manualmente)

            Ernesto V. Souza (22 de julho)

            Seguramente a humanidade é bastante igual, mas não penso que sejam as vicissitudes apenas…. está a questão cultural, que define o bom, o mau, acho que na China, como na Galiza esse camaleonismo, esse virar casaco em havendo proveito, essa exibição dos quartos e o pragmatismo, do saber caciquil do poderosos… é bem considerado socialmente, ou quando menos não está socialmente punido como noutras partes…

            Sinceramente, a mim o caso Filgueira acho que me interessa mais neste presente… no desmascaramento da hipocrisia de persoeiros e instituições, e evid encia da pugna pela dominação e o campo cultural… bons discípulos de Filgueira, Piñeiro uns e outros… e todos o mesmo e por igual… pretendendo mais uma vez que nos posicionemos nas suas guerras…

            Enfim… o reintegracionismo fez e faz bem em continuar o seu caminho.

          • agal_gz

            (Comentário recuperado manualmente)

            Isabel Rei Samartim (22 de julho)

            Vou deixar a um lado o detalhe de o “grande estraperlismo” ser o estatal, o que detenta a legalidade, portanto o politicamente correto, e o “pequeno estraperlismo” o que se agocha em baixo das saias, portanto, o feminino, o pequeno, o pouco importante. ^_^
            A mim parece-me que não somente Filgueira está muito na moda quanto que corremos perigo de adoptar as suas práticas atendendo a isto que dizes tão bem: “o dos amigões, o do caciquismo, mordidas, lutas internas, silêncios,
            quedas em desgraça, conspirações e a informação reservada e os postos
            dados…”
            E claro, sempre fazemos bem ao seguirmos o nosso caminho, que por algo é o de cada uma, o que nos vamos abrindo dia a dia. Contudo, somos capazes de, sem querer, reproduzir caminhos antigos, po r isso estudá-los não vem mal e ainda aprendemos algo. A história, mesmo se breve, é isso, um constante caminho em vias de reprodução…

          • agal_gz

            (Comentário recuperado manualmente)

            Ernesto V. Souza (23 de julho)

            Pois… mas bem pudera ser que a história não existisse, nem se transmitisse nem pudesse aprender mais dela que dos mitos, contos, cantigas e outras formas de contar… e que essas estórias emergissem da necessidade de explicarmos, de narrarmos o que acontece e nos acontece, o que percebemos e nos manca, o que nos destaca do e no presente; uma interpretação dela acorde com o nosso contexto e circunstâncias e em função sempre da nossa experiência, afetos, afinidades, escolhas construidas e em construção e sensibilidades aprendidas ou educadas.

            Agora, é int eressante, neste presente, comovedor e também muito revelador:

            1º que a RAG e o galeguismo cultural institucional ache normal, neste presente e circunstância, e com apoio desta Xunta, dentro da lógica cultural espanhola, celebrar Filgueira e com ele a normalidade do processo da transição e de construção do aparato cultural e da língua desde o franquismo a hoje…

            2º que o ativismo isolacionista diga não mas unicamente questione o valor simbólico e político da figura sem atender
            ao papel simbólico e peso na escolha linguística, no cânone cultu ral, que defendem, empregam e na lógica institucional na que se levam movimentando décadas…

          • agal_gz

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            Isabel Rei Samartim (23 de julho)

            Pois é um bom exemplo de que nada muda, e que cada quem conta-che a feira segundo lhe vai e com vários casacos no armário. Do outro, aproveitar a contra é um jeito de fazer, bem o sabemos. E questionar o modelo de língua é algo que a algumas pessoas lhes custa mais do que engolir nomeamentos.

  • agal_gz

    (Comentário recuperado manualmente)
    António Gil Hdez (23 de julho)
    Sinceramente, não entendo essa teima (tão “galega”?) de achar “galeguistas” onde quer. Desculpai, mas penso que Juan Valera é mais galeguista do que o próprio Filgueira.
    O Museu da Ponte Vedra? Responde a algo mais do que a encerrar a cultura galega num museu, num lugar fechado e dedicado aos mortos? Não tembém como um contrapeso aos seus excessos em prol do franquismo e contra o Galeguismo real, que representava Bóveda? (Há explicações de familiares que não explicam mais do que o ulterior posicionamento ideológico e político a respeito dos seua antepassados…)
    O efetivo do Filgueira, acho, não são os seus escritos, por muito que se preocupasse com o Camões, escritor morto muitos anos atrás e nada vivo… impiedosamente ocultado aos galegos pelo par tido em que o Filgueira militou desde antes de esse partido existir…
    O efetivo do Filgueira é o seu labor político-governativo: as celulosas colocadas onde se ahcam e, em virtude da lei de costas do seu partido, permanentemente colocadas onde o Filgueira as colocou.
    O efetivo do Filgueira é esse simulacro de “decreto de normativización da lingua galega” que desenvolve de facto a “ley de normalización” promulgada QUASE OITO (8) MESES DEPOIS de aprovado o decreto: um decreto que desenvolve uma lei inexistente?
    O efetivo do Filgueira é a pretensão dele e dos sucessivos aproveitados desse “decreto de normativización” para impedir que o Galego seja deveras GALEGO, quer dizer, português da Galiza. E neste conglomerado acham-se aproveitados de todas as ideologias, aparentemente opostas e mesmo inimigas, mas na realidade consolidadoras da IDEOLOGIA NACIONALISTAS ESPAÑOLA, a promover a uniformidade idiomática no reino bubónico.
    INSISTO: Cuidado com as mirage ns ou com olhar para a árvore (das aparências) e perder de vista o bosque (ndecente) ou com ficar no DEDO e preterir a LUA…

    • agal_gz

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      Ernesto V. Souza (24 de julho)
      António, não há melhor espanhol que um galego mau… XD

  • agal_gz

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    António Gil Hdez (24 de julho)

    No facebook coloquei este comentário sobre as minhas relações com o Filgueira:

    Tive
    muito pouco trato com o Filgueira. Que eu lembre, em três ocasiões:
    Uma, na sua casa (sic) na Ponte Vedra, arroupado pelos professores
    brasileiros Azevedo Filho e Ferreira Cunha, e com eles a professora
    italiana Stegagno Picchio (os três…, os quatro, já em melhor vida;
    Deus é piedoso com todos!): outra no palácio de Rajoi, onde a “Xunta”
    tinha então a sua sede, num descanso do “consello”; a
    terceira num andar da “Xunta” na rua Repà ºblica de El Salvador, também
    em Compostela (se não erra a minha memória locativa).
    As duas
    últimas tinham como “subject matter” “la questione della lingua”. O senhor
    toureou-nos muito bem as direções da AGAL e da AS-PG.
    Na primeira
    pude comprovar o “galeguismo” do senhor; o seu simplesmente era o conto
    da erudição, sem interesse real nem na gente nem no idioma e menos ainda
    na Galiza.
    PORTANTO, é o melhor “vulto” que pôde achar a RAG que
    preside o nacionalista espaÑol Alonso Montero, os quais, Filgueira e
    Montero, me confirmam a TESE de que o projeto nacional espaÑol, a
    IDEOLOGIA NACIONAL ESPAÑOLA, não difere por razão da IDEOLOGIA SOCIAL; é
    a mesma sejam os que forem os seus sustentadores, das “izquierdas”, das
    “derechas” ou dos “centros”.
    Como, aliás, deveria ser entre os
    presumíveis “NACIONADORES” da Galiza e na Galiza…

    • agal_gz

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      Ernesto V. Souza (25 de julho)

      Claro que sim António… ele já era um “listo” antes da Guerra… são impressionantes estes personagens que fazem da erudição mercado especialmente este porquanto o mercado erudito, académico, institucional, linguístico… em parte saiu do seu caletre…

      A mim, sinceramente o que me pasma desta hipocrisia geral de uns e outros é que possam assumir ou rejeitar Filgueira, sem perceberem que longe de ser anormal, a sua figura é central no construto da realidade política, cultural, institucional, no cânone literário, etnográfico e histórico, por igual que n o modelo linguístico… é dizer… exibi-lo ou rejeitá-lo tanto tem… porque a ninguém interessa enxergar nada… nem menos ainda entender que este presente é um continuum do Franquismo, sem roturas e sem condenas, sem revisões e sem questionamentos…

      Cada dia me interessa menos esta história, esta gente, este galeguismo, esta pretensa cultura normal… esta hipocrisia de nomeamentos, de méritos, este espaço institucional atafegante e destrutivo, esta pacatez mental dos construtores de história, cultura e pátrias para uso dos que mandam e esse colaborar neste confinamento, neste submetimento e nesta aniquilação…

      Abraços fortes para ti e para o pessoal da Crunha se os vês: o Mário, o Celso, o Corredoira…

      Ernesto