Ficções: nova edição da revista caleidoscópica

O caderno online de fotografia vem de editar o seu sexto trabalho, onde compila 16 projetos fotográficos com "as ficções" como eixo vertebrador



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Ana Parada

Toda fotografia é uma ficção, sentença o editorial. O último número da revista traz um posicionamento radical frente a confusão de veracidade e verosimilitude, e desbota a ideia decimonónica de fotografia como sinónimo de realidade. Porém, pretende ultrapassar a dicotomia verdade/mentira, entendendo as ficções como parte intrínseca da representação visual, mas tomando partido: “Procuramos, quando menos, um relato honesto, uma senda que não se pretenda neutral. Uma ficção, sim, mas comprometida para a construção de um outro imaginário possível, mais largo, mais colorido, mais horizontal.”

Sob o amplo conceito de ficções, integram uma amalgama de projetos fotográficos com colaboradoras como Ariadna Silva Fernández, Paula Pez, Alexandre Folgoso, Ángel Santamaría, María Teresa Fernández, Elena Agrelo, Clara de Vargas e Marta Pereira. Miguel Auria entrevista e retrata a realizadora de cena Marta Pazos, e ainda contam com projetos de intervenção como uma fakenews difundida pola Illa Bufarda ou a proposta experimental de Xiana Quintas.

A publicação pretende ultrapassar a dicotomia verdade/mentira, entendendo as ficções como parte intrínseca da representação visual, mas tomando partido: “Procuramos, quando menos, um relato honesto, uma senda que não se pretenda neutral.”

Fecham a publicação uma série de propostas textuais de reflexão assinadas por Paula Tomé, Mariola Mourelo, Sabela Fraga e Lucía Cernadas.

Alexandre Folgoso

Alexandre Folgoso

A revista de fotografia galega caleidoscopica.gal saiu à luz em 2015 com um número centrado em “identidade e terra”, em cujo editorial defendiam a olhada subjetiva e “made in Galiza”. Ao longo do último lustro trataram anualmente um eixo temático diferente: “identidade e terra” foi a carta de apresentação. Depois disso, “corpo e território”, afundava na representação complexa do corporal. “Originalidade e reciclagem” foi o terceiro número da revista, um ponto de inflexão em que se reflexionou sobre o próprio meio fotográfico, questionando a ideia de originalidade. A quarta edição foi arredor dos “trânsitos”, capturando a ideia de processo, movimento e fronteira, assim como do passo do tempo. A quinta, “conflitos”, viu-se paradoxalmente atravessada pela pandemia, que impossibilitou os eventos presenciais,  mas deu todo o sentido às perspetivas complexas e diversas expressões visuais da proposta.

Por trás deste projeto, sem ânimo de lucro e editado com licenças de uso livre, está uma equipa fundamentalmente de fotógrafas, com formação também em outros campos, como o jornalismo, a história da arte, a música ou ciência e economia. A encarregada da correção linguística é Noemi Vázquez e o desenho gráfico da publicação é Ana Parada.


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