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Estado Demente Comrazão de Paulo Fernandes Mirás

A Através Editora lança o primeiro poemário do professor e responsável das antologias poéticas de Ricardo Carvalho Calero (2019) e Ernesto Guerra da Cal (2021) publicadas na Através Editora e a biografia de Ricardo Carvalho Calero (2020) publicada na editora Ir Indo.

Paulo propõe-nos no seu primeiro poemário uma viagem interior que nos transporta longe sem perder nunca o aqui, o corpo. Mesmo com a possibilidade de se observar de fora, e tentar ordenar a vida toda por instantes em botes de vidro que boiam num mar que nos vai acompanhar nesta viagem e que mesmo nos chegará a dar a calma.

O Paulo define um corpo que passa por estados de loucura ou demência transitórias, mas que vão ser necessárias para o autoconhecimento, para conseguir aceitar-se. Um estado demente não normativo que nasce numa crise dos afetos. Um estado cheio de motivos, um estado comrazão. E assim se reflete no seu título polissémico. 

O autor consegue ou tenta ver-se de acima, como querendo fugir de si próprio, “tentando não ser Eu”, quiçá por se querer objetivar e converte-se num Nós, ou num Eu de múltiplas cabeças. Como ver-se num espelho tão quebrado que nos responde com uma imagem infinita do Eu que ao repetir-se, parece perder a identidade.

O Paulo define um corpo que passa por estados de loucura ou demência transitórias, mas que vão ser necessárias para o autoconhecimento, para conseguir aceitar-se.

Mas estar só é uma pequena mostra dessa viagem interior de que falamos. Uma viagem que nos vai afastar o necessário para servir-nos de poção e assim conseguir sabermo-nos, aceitar-nos, ficar.

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