Eça de Queirós, grande escritor português da nossa língua



eca-de-queiros-foto-por-ekonomistaCom o presente depoimento reinicio a série dedicada a grandes vultos da lusofonia, deixando de publicar artigos sobre pessoas coletivas do mundo lusófono. É dedicado ao grande escritor português, natural de Póvoa do Varzim, Eça de Queirós (1845-1900), cujo apelido também pode encontrar-se escrito como “Queiroz”, ao qual um grande galego como Ernesto Guerra da Cal lhe dedicou importantes estudos de pesquisa da sua vida e obra.
Eça de Queirós foi um escritor da lusofonia, autor entre outras da obra O Crime do Padre Amaro, considerada como o seu primeiro grande trabalho, um marco inicial do realismo em Portugal. Foi considerado o melhor romance realista português do século XIX. Eça foi o único romancista português que conquistou fama internacional nessa época. Foi também duramente contestado pelas suas críticas ao clero e à própria pátria. A crítica social unida à análise psicológica aparece nos seus livros O Primo Basílio, O Mandarim, A Relíquia e Os Maias.
O presente depoimento faz o número 61 da série que estou dedicando aos grandes vultos da Lusofonia, e o 173 da série de grandes vultos da humanidade iniciada no seu dia com Sócrates, o grande educador grego da antiguidade.

UMA PEQUENA BIOGRAFIA
A brasileira Dilva Frazão, especialista na redação de importantes biografias, publicou no seu dia uma dedicada a Eça de Queirós muito acertada, que tenho a bem apresentar neste meu depoimento.
José Maria Eça de Queirós nasceu a dia 25 de novembro de 1845, na cidade de Póvoa de Varzim, Portugal. Os seus pais, o brasileiro José Maria Teixeira de Queirós e a portuguesa Carolina Augusta Pereira de Eça, casaram-se quatro anos após o seu nascimento. Esse facto fez com que ocultassem o filho por muito tempo. Eça passou sua infância e adolescência longe da família, sendo criado pelos avós paternos. Foi interno no Colégio da cidade do Porto. Em 1861 ingressou no curso de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou em 1866. Nessa época, manteve contacto com os movimentos estudantis liderados por Antero de Quental e Teófilo Braga. Depois de formado, foi para Lisboa residir com os pais. Exerceu por algum tempo a advocacia.eca-de-queiros-foto-por-portal-da-literatura
Eça de Queirós iniciou a sua carreira literária em 1867, com “Notas Marginais” – folhetins publicados na Gazeta de Portugal (postumamente reunidos em Prosas Bárbaras). Nesse mesmo ano dirigiu na cidade de Évora o jornal de oposição Distrito de Évora. Em 1869, como jornalista, assistiu à inauguração do Canal de Suez, no Egito, que resultou na obra O Egito, publicada postumamente. Depois, instalou-se em Leiria, como administrador do Conselho. Em 1871, Eça de Queirós participou do grupo “Cenáculos”, formado por antigos estudantes que decidiram realizar uma série de conferências públicas, para divulgar as novas ideias sobre arte, religião, filosofia e política. Nas “Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense”, Eça de Queirós profere a palestra “O Realismo Como Nova Expressão de Arte”. Junto com o escritor Ramalho Ortigão, publicou em folhetins a novela policial O Mistério da Estrada de Sintra. Ainda em 1871, Eça e Ortigão criam os fascículos mensais “As Farpas”, onde publicavam críticas ferinas, mas sempre bem humoradas, sobre a realidade portuguesa do seu tempo, como os seus costumes, instituições, partidos políticos e problemas.
Em 1872, Eça de Queirós ingressa na carreira diplomática, ao ser nomeado cônsul na Havana. Em 1874 é transferido para o consulado de Newcastle-on-Tyne, no Reino Unido. Em 1875 publica O Crime do Padre Amaro, inspirado na época em que esteve em Leiria. O romance representou o marco inicial do realismo em Portugal. Nesta obra Eça faz uma crítica violenta da vida social portuguesa, denuncia a corrupção do clero e a hipocrisia dos valores burgueses.
Em 1878, Eça de Queirós é transferido para o consulado de Bristol, também na Inglaterra. Nesse mesmo ano, publica O Primo Basílio, em que coloca como tema o adultério, focalizando a decadência da família burguesa do seu tempo. A crítica social unida à análise psicológica aparece também no romance O Mandarim.
Em 1885 visita, em Paris, o escritor francês Émile Zola.
Casa-se, em 1886, com 40 anos, com Emília de Castro Pamplona Resende, jovem de família aristocrática. O casal teve dois filhos.
Em 1888 foi nomeado cônsul em Paris, ano que publica Os Maias, iniciando uma nova fase na sua carreira literária, quando o autor abstrai-se da sátira contundente e da ironia caricatural da família ou da sociedade burguesa, para conduzir-se a uma trilha construtiva. Abandona os elementos realistas, lança-se ao cultivo de princípios moralizantes, deixando transparecer que o valor da existência reside na simplicidade. É desse momento: A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras, o conto Suave Milagre e as biografias religiosas.
Eça de Queirós faleceu em Neuilly-sur-Siene, França, o dia 16 de agosto de 1900.
Nota: Sobre Eça foram publicadas no seu momento outras interessantes biografias, que vale a pena consultar: todamateria.br, wikipedia, brasilescola, infoescola, literaturaparavestibular.webnode.br, todoestudo.com e educacao.globo.com.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

0.-Eça de Queirós.
Duração: 7 minutos. Ano 2008.

1.-Eça de Queirós: Literatura.
Duração: 6 minutos. Ano 2014.

2.-Eça de Queirós, vida e obra por Armando Leite.
Duração: 5 minutos. Ano 2014.

3.-Tempo e alma de Eça de Queirós (2000): Horizontes da memória.
Duração: 26 minutos. Ano 2014.

4.-Eça de Queirós: A cidade e as serras (literatura).
Duração: 30 minutos. Ano 2014. Fala: Francisco Maciel Silveira.

5.-Eça de Queirós, por RTP (2000).
Duração: 63 minutos. Ano 2016.

6.-Eça de Queirós, por Bruna Martiolli.
Duração: 19 minutos. Ano 2019.

7.-A Relíquia, de Eça de Queirós.
Duração: 46 minutos. Ano 2019.

8.-Fundação Eça de Queiroz: Ler Mais, ler Melhor.
Duração: 7 minutos. Ano 2012.

9.-Eça de Queirós.
Duração: 7 minutos. Ano 2018.

10.-Eça de Queirós: Aula 14 de Literatura.
Duração: 14 minutos. Ano 2012.

11.-Eça de Queiroz: Vida e obra (resumo animado).
Duração: 4 minutos. Ano 2020.

12.-O primo Basílio, de Eça de Queirós.
Duração: 11 minutos. Ano 2018.

13.-Eça de Queirós: 5 Frases.
Duração: 2 minutos. Ano 2012.

14.-Os Maias, de Eça de Queirós.
Duração: 10 minutos. Ano 2017.

A OBRA LITERÁRIA DE EÇA DE QUEIRÓS
Eça de Queirós tem uma interessante obra literária em língua portuguesa. Com muitas traduções dos seus livros realizadas a outros idiomas do mundo.
-O Mistério da Estrada de Sintra (1870).
-O Crime do Padre Amaro (1875).
-A Tragédia da Rua das Flores (1877-78).
-O Primo Basílio (1878).
-O Mandarim (1880).
-A Relíquia (1887).
-Os Maias (1888).
-Uma Campanha Alegre (1890-91).eca-de-queiros-capa-livro-o-mandarim-0
-O Tesouro (1893).
-A Aia (1894).
-Adão e Eva no paraíso (1897).
-Correspondência de Fradique Mendes (1900).
-A Ilustre Casa de Ramires (1900).
-Dicionário de Milagres (1900).
-A Cidade e as Serras (1901, póstumo).
-Contos (1902).
-Prosas Bárbaras (1903).
-Cartas de Inglaterra (1905).
-Ecos de París (1905).
-Cartas Familiares e Bilhetes de París (1893-96) (1907).
-Notas Contemporâneas (1909).
-A Capital (1925).
-O Conde de Abranhos e A Catástrofe (1925).
-Correspondência (1925).
-Alves & Cia (1926).
-O Egito (1926).
-Cartas Inéditas de Fradique Mendes e Mais Páginas Esquecidas (1929).
-Novas Cartas Inéditas de Eça de Queirós (1940).
-Crônicas de Londres (1944).
-Cartas de Lisboa, Correspondência do Reino (1944).
-Cartas de Eça de Queirós (1945).
-A Tragédia da Rua das Flores (1980).
Nota: Sob o título de Língua e Estilo de Eça de Queiroz, o galego Ernesto Guerra da Cal publicou em 1969 uma monografia editada pela Universidade de São Paulo, com uma nova edição em 1981 pela editora portuguesa Almedina. Esta importante obra resultado da sua pesquisa, teve outras mais edições, e uma em vários volumes pela Universidade de Coimbra.

ESCOLMA DE FRASES DE EÇA DE QUEIRÓS
eca-de-queiros-capa-livro-a-ilustre-casa-de-ramires-1  -“Quando não se tem aquilo que se gosta é necessário gostar-se daquilo que se tem.”
-“Houve um filósofo que deixou aos infelizes esta máxima: Se a tua dor te aflige, faz dela um poema.”
-“Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo.”
-“O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam.”
-“Quem não conhece o poder da oração, é porque não viveu as amarguras da vida!”
-“Curiosidade: instinto que leva alguns a olhar pelo buraco da fechadura, e outros a descobrir a América.”

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR
Visionamos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinemafórum, para analisar o fundo (mensagem) deles, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Eça de Querós, grande escritor na nossa língua. Nela, além de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.
Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um Livroforum, em que intervenham alunado e docentes. Da lista de obras de Eça de Queirós podemos escolher para ler uma entre as seguintes: O Primo Basílio (1878), Os Maias (1888) ou A Ilustre Casa de Ramires (1900).

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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