Descobrindo Javier Ortiz

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Foi no Liceo, onde vão todos os que querem um ambiente especial para un evento singular. Assim aconteceu no dia 19 deste mês de setembro no salão nobre desta sociedade cultural que cada dia nos contagia mais generosidade a todos. Mais um livro foi apresentado em Ourense, mas nele um jornalista rara avis aparecia de súbito nas vidas de muitos dos presentes ao ato. Dirigido por Xepe, poço de sabedoria e elegância, o editor Mikel Iturria falava dum amigo que nos deixou antes do previsto. Javier Ortiz era muito novo para que a terra o acolhesse em 2009, com só 61 anos.

O caminho de Javier não foi fácil. Assim acontece com os defensores da liberdade de expressão. A mesma liberdade que hoje corre um perigo que poucos denunciam e que outros muitos sofrem. Mas este jornalista, pouco conhecido, foi capaz de quebrar a sua relação com o jornal El Mundo, quando já não podia escrever como no princípio. Ou de fazer ruído com um sapato, num estúdio de televisão, quando não o deixavam falar. Defensor de aqueles a quem eram fechados os jornais, mesmo sem partilhar as ideologias que neles se difundiam. Um jornalista singular e que com o livro intitulado “Talento y oficio de periodista” podemos descubrir.

Do evento não devo falar por ser participante ativo do mesmo oferecendo as minhas composições, neste caso “Enleio”. Xepe convidou os que podíamos fornecer algo. Não sei se conseguimos, mas decerto tentamo-lo de coração. Lembramos um melómano excecional, que segundo contam, tinha uma discoteca completísima. Pessoalmente fico com o artigo que dedica a Chicho Sánchez Ferlosio, o músico e compositor irmão do escritor da novela “El Jarama”. Chico era um desses fenómenos que pasavam tempo a corrigir gralhas, frases mal construídas e erros gramaticais dalguns jornalistas que não investem tempo na língua. Chegou a corrigir um jornal de El Mundo de 84 páginas em que não deixava títere com cabeça de todos riscos, erros e disparates existentes. No livro podemos ler todo o tipo de artigos de temas e personagens pitorescas ou interessantes. Hoje, com a crise jornalística existente, quis lembrar Javier Ortiz, depois de conhecer algo do seu trabalho e da sua trajetória como jornalista. Animo os que não saibam dele a que visitem a sua página web, que também atende e dirige Mikel Iturria, da editora FOCA.

Máis de José Luís Fernández Carnicero