Valentim R. Fagim – Primeiro, foi um email dizendo-nos que estava interessado em publicar um livro connosco. Depois foi a surpresa da natureza do livro. Esta surpresa, por sinal, deu para fazer um jogo no lançamento na Corunha. Eu mostrava nomes de pessoas conhecidas e um voluntário colocava-se de costas a mim. Tinha que acertar de quem se tratava e para isso a malta do público só podia usar uma ou duas palavras.
A
ssim sendo, para chegar a Carvalho Calero alguém dixo pai/reintegracionismo e com o Zeca Afonso chegou com Grândola. Para Carlos Taibo podia dar galego/geo-política mas até hoje ninguém diria galego/Pessoa. Essa é a grande surpresa de Parecia não pisar o chão.
Na área editorial houvo consenso sobre a publicaçom deste livro e coubo-me ser o seu coordenador editorial, tratamento com os revisores, com o autor da capa, com o diagramador… e com os lançamentos. Foram quatro, combinando locais sociais -Gentalha em Santiago e Gomes Gaioso na Crunha- e Escolas de Idiomas -Vigo e Lugo. Seja dito de passagem que quando se tenhem tam boas parcerias tudo corre às mil maravilhas. O nosso agradecimento ao pessoal da Gentalha, a Afonso do Gaioso, a Salvador Mourelo e Joseph Ghanime.
O contato com Carlos Taibo tivo duas áreas. Para já, os próprios lançamentos onde destacou aqueles aspetos que melhor podiam fotografar a sua obra. É de notar que se tratava de pegar no fio da curiosidade por uma figura de quem sabiam da sua existência para tentar construir uma peça de roupa. Acho que o público ficou satisfeito e ele também. Depois, os jantares onde sempre com grupos diferentes criaram-se mui bons ambientes e quem sabe se novos projetos. É nos bares (chame-se mesom, restaurante, local social) onde nascem muitas grandes ideias.
Finalizo esta crónica com umas breves perguntas ao autor de Parecia Não Pisar o Chão. Treze Ensaios Sobre as Vidas de Fernando Pessoa. Os próximos lançamentos serám do outro lado do Minho.
P: Depois dos 4 lançamentos, qual seria o teu valorizaçom dos mesmos?
R: Muito positiva. Já sabia que o livro é para minorias, mas mesmo assim acho que há suficiente base crítica no mundo da educaçom e no dos movimentos sociais para provocar interesse por uns ensaios biográficos sobre Fernando Pessoa. Além do mais, parece-me saudável que toda a gente que assistiu percebesse como natural o facto de um livro feito na Galiza aparecer em português padrom.
P: As perguntas que te lançou o público venhem a coincidir com as que te costumam fazer os jornalistas?
R: Em muitos casos sim. É verdade que, por razões óbvias, entre o público havia gente como conhecimentos superiores sobre Pessoa do que os que mostram os jornalistas. E também é verdade que em vivo é mais fácil fazer perguntas menos transcendentes.
P: Que esperas da ediçom de Parecia Não Pisar o Chão?
R: Espero que a obra se reedite e que alcance, claro, distribuiçom no mundo lusófono.
P: Estás com vontade de fazer lançamentos em Portugal?
R: Naturalmente. A condiçom do livro parece conduzir inevitavelmente a isso.
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Imagens de alguns dos lançamentos
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