Clamor contra a decisom da RAG de homenagear Filgueira Valverde

Nom só ocupou postos de poder nas estruturas de governaçom franquistas, mas também realizou tarefas de propaganda da ditadura



A Real Academia Galega (RAG) decidiu homenagear no Dia das Letras de 2015 o historiador e político José Fernando Filgueira Valverde (Ponte Vedra, 1906-1996). A decisom, porém, nom suscitou as reações benévolas de anos anteriores: muito polo contrário, as redes sociais e outras ferramentas de comunicaçom pública fôrom empregues para criticar com dureza a resoluçom da RAG.

A RAG debateu e decidiu a candidatura no sábado 5 de julho. Poucos dias antes, o diário digital Praza Pública divulgava em exclusivo os nomes que entrariam no debate, numha informaçom desvendada polo jornalista Alberto Ramos. Mais um ano, aparecia o nome de Ricardo Carvalho Calero; com ele, neste ordem, Ramos citava Filgueira Valverde, Xela Arias, Manuel Maria e Celestino Fernández de la Vega.

Depois de fazer pública a decisom de dedicar o Dia das Letras de 2015 a Filgueira Valverde, a RAG publicou no seu web um perfil do futuro homenageado em que o destaca como «umha das figuras centrais da cultura galega do século XX», membro fundador do Seminário de Estudos Galegos, diretor do Museu de Ponte Vedra, alcaide dessa mesma cidade e conselheiro da Cultura da Junta da Galiza. Quanto à sua obra literária, a RAG destaca nela o «grande rigor intelectual», com achegas à história, à etnografia e ao estudo da literatura galega medieval.

O perfil que a RAG divulga de Filgueira omite totalmente os aspetos mais polémicos, como a sua pertença ativa às estruturas da ditadura franquista. Por exemplo, a própria designaçom como alcaide de Ponte Vedra (1959-1968), numha época em que nom se faziam eleições e a nomeaçom para este posto era realizada diretamente polo Governador Civil provincial, máximo representante do Estado franquista.

Precisamente, poucas semanas depois do falecimento de Filgueira, o boletim reintegracionista Gralha publicava no número 13 um artigo em que repassava vários dos aspetos mais obscuros da biografia do pontevedrês, dos quais nada falou a RAG:

  1. Liderou o grupo de dissidentes que em 1935 se enfrentou a Castelão e Alexandre Bóveda, rompendo a unidade do Partido Galeguista.
  2. Citado pola defesa como testemunha no juízo sumaríssimo que os fascistas lhe fizérom a Bóveda em 1936 nom compareceu, contribuindo à sua condenaçom à morte.
  3. Na sublevaçom militar de 1936 arengava as massas a favor do “Glorioso Movimiento” desde Rádio Ponte Vedra (vid. Vida, paixón e morte de Alexandre Bóveda, de Gerardo Álvares).
  4. Foi Presidente franquista da Câmara Municipal de Ponte Vedra entre 1959-68, recordando-se o seu passo polo cargo polo cheiro que nos deixou: foi defensor e impulsionador da Celulose da ria de Ponte Vedra. O seu nome é lembrado com o “recendo” que inunda a cidade e arredores.
  5. Foi deputado das Cortes franquistas.
  6. Foi Conselheiro de Cultura da Junta da Galiza, e principal responsável pola imposiçom em 1982 da normativa linguística, que obriga a escrever o nosso idioma com a ortografia do espanhol, rompendo a tendência absolutamente maioritária naquel momento para umha normativa de concórdia, científica e galega.
  7. Escreveu mais da metade das suas obras em espanhol, ajudando à “normalizaçom” deste idioma na Galiza. Membro até à sua morte da Real Academia Espanhola (RAE) e da Associaçom de Amigos da RAE.

Para além de formar parte das estruturas de governaçom franquistas, Filgueira também realizou labores propagandísticos a prol do ditador, como recolhe o seguinte exemplo, tirado do Diario de Pontevedra, em que o já alcaide da cidade encoravaja a cidadania a receber Franco com frases como as que se seguem:

Diario de PontevedraPontevedreses: El Alcalde y la Corporación Municipal os comunican que S.E. el Jefe del Estado va a honrar a Pontevedra con su visita, hoy, miércoles a las doce de la mañana. los que les habéis obedecido en la guerra, los que le servís en la paz, los que con vuestro voto le expresásteis reiteradamente una fervorosa adhesión, esperáis con ansia esta alegre noticia. Por eso no necesitáis que vaya acompañada de llamamientos, de ruegos ni de instrucciones.

Sabéis que el Caudillo llega, y, ante su presencia, vamos a dejar que hable el corazón.

 

 

 

 

Boletim Gralha n.º 13 (outubro de 1996)
página Gralha nº 13 (outubro 1996)


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  • Ernesto V. Souza

    XD XD… os tempos do reitegracionismo são chegados…. XD XD

  • fiz pousa

    Galegos!…a RAG morreu.

  • Pepe Buiza

    Som os conluios, som os conluios do passado ! RAG nasceu podre à partida
    , admitindo a degenerescência da língua. Toca agora ultrapassar muita cousa e olhar para o galego nom deturpado.