Uma entrevista de 1929 na Bretanha redescobre lusismo do rianjeiro
A recente republicação na revista Tempos Novos (nº345) de uma entrevista desconhecida a Castelao realizada na Bretanha vem confirmar, sem descobri-las, as profundas convicções lusistas de Castelao, fazendo recuar a 1929, em plena ditadura de Primo de Rivera, as primeiras declarações públicas do rianjeiro defendendo explicitamente a unidade da língua galego-portuguesa.
A entrevista, concedida ao jornal Le Nouvelliste, passou despercebida aos seus biógrafos, talvez por ter sido publicada nas suas páginas locais (Courrier de la Basse-Bretagne). Graças a ela sabemos que a concórdia linguística luso-galaica é mais precoz do que se pensava no conjunto do seu pensamento, adiantando até a ditadura de Primo de Rivera os seus depoimentos sobre a questão.

Castelao mostra-se muito firme na conversa: “notre langue est du pur Portugais” (‘a nossa língua é puro português’). A entrevista completa, realizada durante a famosa viagem que realizou àquela região para estudar as cruzes de pedra foi republicada agora em galego-português na revista Tempos Novos (nº345) acompanhada de um estudo assinado por Eduardo Maragoto. Nela, o político artista debruça-se amplamente sobre a situação linguística e política espanhola no final da ditadura, realizando comparações de grande interesse histórico entre a Galiza, a Catalunha e a Bretanha.
Castelao na Bretanha
Entre os meses de maio e agosto de 1929, Alfonso Daniel Rodríguez Castelao viajou com a sua mulher Virginia Pereira à Bretanha para desanuviar do recente falecimento do filho de ambos e para estudar as cruzes de pedra desta região. Ali foi entrevistado polo bardo François Jaffrennou, com pseudónimo Taldir, um dos seus anfitriões na região que mantinha correspondência com Vicente Risco.
