Carlos Diegues, outro importante cineasta brasileiro



carlos-diegues-foto-02Dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 155 da série geral que iniciei com Sócrates, a outro muito importante cineasta do Cinema Novo Brasileiro e também membro da Academia de Letras do Brasil. Estou a falar de Carlos Diegues nascido em Maceió-Alagoas a 19 de maio de 1940. Deste grande cineasta foram projetados na cidade de Ourense pelo Cine Clube “Padre Feijóo” nas décadas de 80 e 90 vários de seus filmes, e em concreto: Ganga Zumba (1964), A Grande Cidade (1966), Xica da Silva (1976) e Chuvas de Verão (1978). Pela sua parte, o Cine Clube “Minho” da ASPGP, dentro dum ciclo sobre cinema e literatura, projetou em finais dos noventa o filme Tieta do Agreste (1996), baseado na obra do mesmo título de Jorge Amado. Com este depoimento, a ele dedicado, completo o número quarenta e três da série lusófona.

PEQUENA BIOGRAFIA

De nome completo Carlos José Fontes Diegues, este grande cineasta nasceu em Maceió-Alagoas, a 19 de maio de 1940. Seu pai era o antropólogo Manuel Diegues Júnior (1912-1991) e sua mãe uma importante fazendeira. Quando ele tem 6 anos, a sua família muda-se para o Rio de Janeiro e instala-se em Botafogo, bairro onde passa toda a sua infância e adolescência. Estuda no Colégio Santo Inácio, dirigido por jesuítas, até prestar vestibular para a PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, onde faz o curso de Direito, numa época em que não havia, no Brasil, escolas de cinema. Na PUC, como presidente do Diretório Estudantil, funda um cineclube e começa as suas atividades de cineasta amador, na companhia de David Neves, Arnaldo Jabor, Paulo Perdigão e outros.
Ainda estudante, dirige o jornal O Metropolitano, órgão oficial da UME (União Metropolitana de Estudantes) e junta-se ao CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional dos Estudantes). Tanto o grupo da PUC quanto o de O Metropolitano tornam-se, a partir do final da década de 50, um dos núcleos de fundação do Cinema Novo, do qual Diegues é um dos líderes, junto com Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman, Paulo Cesar Saraceni, Joaquim Pedro de Andrade e outros.carlos-diegues-foto-de-jovem
Antes desse período, em colaboração com David Neves e Affonso Beato, realiza três curtas-metragens, entre os quais o intitulado Domingo é um dos filmes pioneiros do movimento.
No CPC, Diegues dirige o seu primeiro filme profissional, em 35mm, Escola de Samba Alegria de Viver, episódio do longa-metragem Cinco Vezes Favela (os outros episódios são dirigidos por Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges).
As suas três primeiras longas-metragens, Ganga Zumba (1964), A Grande Cidade (1966) e Os Herdeiros (1969), são filmes típicos daquele período voluntarista e cheio de sonhos, inspirados em utopias para o cinema, para o Brasil e para a própria humanidade. Polemista inquieto, ele continua a trabalhar como jornalista e a escrever críticas, ensaios e manifestos cinematográficos, em diferentes publicações, no Brasil e no exterior.
Com participação na resistência intelectual e política à ditadura militar, Diegues deixa o Brasil em 1969, vivendo primeiro na Itália e depois na França, na companhia da artista e cantora Nara Leão (1942-1989), então sua esposa. De volta ao Brasil, Diegues realiza mais dous filmes na fase negra da ditadura, Quando o Carnaval Chegar (1972) e Joanna Francesa (1973). Em 1976, dirige Xica da Silva, seu maior sucesso popular no país, um filme que se aproveita da abertura política para anunciar, em sua exuberância e otimismo, os últimos dias do autoritarismo e a volta da alegria democrática.

Com participação na resistência intelectual e política à ditadura militar, Diegues deixa o Brasil em 1969, vivendo primeiro na Itália e depois na França, na companhia da artista e cantora Nara Leão (1942-1989), então sua esposa. De volta ao Brasil, Diegues realiza mais dous filmes na fase negra da ditadura, Quando o Carnaval Chegar (1972) e Joanna Francesa (1973). Em 1976, dirige Xica da Silva, seu maior sucesso popular no país, um filme que se aproveita da abertura política para anunciar, em sua exuberância e otimismo, os últimos dias do autoritarismo e a volta da alegria democrática.

Com o fim da ditadura e o surgimento de novos cineastas no Brasil, o Cinema Novo perde o sentido de ser, e a polêmica cultural ganha novos contornos, ideias novas. Diegues inventa, então, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a expressão “patrulhas ideológicas”, para denunciar aqueles que perseguiam as novas ideias em nome de velhas teorias. O termo torna-se clássico e até hoje é usado nas discussões políticas e culturais. Fiel amigo de Glauber Rocha até a morte deste, em 1981, Diegues forma com ele uma frente polêmica. É nesse período de redemocratização do país e renovação do cinema brasileiro que ele realiza Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye Brasil (1980), dous de seus maiores sucessos.
Já conhecido no mundo inteiro, com filmes premiados em festivais e exibidos comercialmente em todos os continentes, Diegues é convidado para ser membro do júri no Festival de Cannes, em 1981, honra que, antes dele, só outro brasileiro tinha experimentado, o poeta Vinicius de Moraes (depois dessa data, também Jorge Amado, Sonia Braga e Hector Babenco serviram como jurados naquele festival).
Em 1984, realiza o épico Quilombo, uma produção internacional comandada pela Gaumont francesa, um velho sonho de seu realizador. Nessa época, Diegues começa a discutir a viabilidade da Embrafilme, reconhecendo seu papel histórico positivo, mas pregando uma mudança de modelo imediata, que fosse capaz de acompanhar a abertura da economia brasileira e o fim do modelo estatista. Mais uma vez, ele se encontra no centro de uma polêmica que vai desaguar na verdadeira catástrofe que foi o governo de Fernando Collor de Mello para a cultura e, especialmente, para o cinema brasileiro.

Cacá Diegues, outubro de 2013

Cacá Diegues, outubro de 2013

Antes da ascensão de Collor, mas já na fase crítica da economia cinematográfica do país, ele realiza dous filmes baratos, de transição e crise, Um Trem para as Estrelas (1987) e Dias Melhores Virão (1989). Com o advento do novo governo, a produção anual de cinema no Brasil cai de cerca de 100 filmes (no final dos anos 1970) para três ou quatro (no começo dos 90). Tentando sobreviver ao desastre ou, como ele mesmo diz, “para não ficar louco”, Diegues realiza, em parceria com a TV Cultura, Veja esta Canção (1994), marco fundador nas relações entre cinema e televisão no Brasil. Quando a nova Lei do Audiovisual é promulgada, ele é um dos poucos cineastas veteranos em atividade, trabalhando com comerciais, documentários, videoclipes.
Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e Deus é Brasileiro (2002), adaptados de grandes obras da literatura e do teatro nacionais, figuram entre os filmes brasileiros de maior público nesta fase de “retomada” da produção, propiciada pela Lei do Audiovisual. Em 2006, realizou O Maior Amor do Mundo, com roteiro original escrito apenas por Diegues, fato incomum em sua carreira. O filme marca o reencontro com alguns dos colaboradores mais próximos do cineasta. Nesse mesmo ano lançou o show e o documentário: Nenhum motivo explica a guerra em DVD, que conta a história do grupo cultural AfroReggae. Este documentário está dirigido em parceria com Rafael Dragaud.
A maioria dos 18 filmes de Diegues foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova Iorque e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, Estados Unidos e América Latina, o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos em todo o mundo. Objetos de estudos e teses publicados no Brasil e em outros países, seus filmes e sua carreira são citados em todas as principais enciclopédias de cinema. A França concedeu-lhe o título da Ordem das Artes e das Letras (l’Ordre des Arts et des Lettres), da qual já é hoje Oficial (Officier). Também é membro da Cinemateca Francesa. Em julho de 2003, Carlos Diegues foi nomeado membro do Conselho Superior de Integração Social da Universidade Estácio de Sá. O governo brasileiro também lhe concedeu o título de Comendador da Ordem de Mérito Cultural e a Medalha da Ordem de Rio Branco, a mais alta do país. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro outorgou-lhe também a Medalha Pedro Ernesto.

A maioria dos 18 filmes de Diegues foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova Iorque e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, Estados Unidos e América Latina, o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos em todo o mundo.

É pai de quatro filhos, os dous primeiros de seu casamento com a artista e cantora Nara Leão. Diegues é casado, desde 1981, com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães. Tem três netos: Jose Pedro Diegues Bial (2002), de sua filha Isabel, Monah Andre Diegues (2004) e Mateo Andre Diegues (2005), filhos de seu filho Francisco.
Atualmente é o décimo ocupante da Cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras do Rio de Janeiro, ao ser eleito como membro em 30 de agosto de 2018, na sucessão do académico falecido, também cineasta, Nelson Pereira dos Santos, sendo recebido como membro da instituição em 12 de abril de 2019 pelo académico Geraldo Carneiro. Por enquanto Pereira e Diegues foram os únicos cineastas brasileiros que chegaram a ocupar cadeira nesta academia literária da cidade do Rio.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS E FILMES

A. Documentários

1. Cacá Diegues: Roda Viva (1987).
Duração: 97 minutos. Ano 2018.

2. Cacá Diegues: Musicais no cinema.
Duração: 10 minutos. Ano 2020.

3. Carlos Diegues: Entrevista.
Duração: 8 minutos. Ano 2017.

4. Cinema Brasileiro por Cacá Diegues: Ficção e Documentário.
Duração: 6 minutos. Ano 2019.

5. Carlos Diegues: Entrevista no Festival de Paris.
Duração: 13 minutos. Ano 2013.

6. O grande Circo Místico (fragmento).
Duração: 3 minutos. Ano 2018.

7. Entrevista a Cacá Diegues.
Duração: 16 minutos. Ano 2019. Produtora: Correio Braziliense.

B. Filmes

0. Bye Bye Brasil (1979).
Duração: 112 min. Ano 2020.

1. Ganga Zumba (1963).
Duração: 103 minutos. Ano 1963.

2. A grande cidade (1966).
Duração: 83 minutos. Ano 2018.

3. Joanna Francesa (1973).
Duração: 109 minutos. Ano 2017.

4. Xica da Silva (1976).
Duração: 116 minutos. Ano 2019.

5. Quilombo (1984).
Duração: 120 minutos. Ano 2014.

6. Um trem para as estrelas (1987).
Duração: 102 minutos. Ano 2013.

7. Os herdeiros (1970).
Duração: 96 minutos. Ano 2018.

8. Chuvas de Verão (1978).
Duração: 89 minutos. Ano 2018.

A SUA FILMOGRAFIA BÁSICA

a. Longa-metragens
-Cinco Vezes Favela (1961).
-Ganga Zumba (1964).
-A Grande Cidade (1966).
-Os Herdeiros (1969).
-Quando o Carnaval Chegar (1972).
-Joanna Francesa (1974).
-Xica da Silva (1976).
-Chuvas de Verão (1978).
-Bye Bye Brasil (1980).
-Quilombo (1984).
-Um Trem para as Estrelas (1987).
-Dias Melhores Virão (1989).
-Veja Esta Canção (1993).
-Tieta do Agreste (1996).
-Orfeu (1999).
-Deus é Brasileiro (2003).
-O Maior Amor do Mundo (2006).
-Nenhum Motivo Explica a Guerra (2006).
-Vinte RioFilme: 20 anos de cinema brasileiro (2013).
-Rio de fé, um encontro com o Papa Francisco (2013).
-Giovanni Improtta (2013).
-O Grande Circo Místico (2018).

 b. Para TV
-“Séjour”, para Antenne Deus da França (1970).
-“Les enfants de la peur”, para Antenne Deux da França (1974).
-Nossa Amazônia, para Rede Bandeirantes (1985).
-Mais vezes Favela, para Multishow (2011).
-Bahia de todos os santos (1985).
-Material Bruto, para Canal Brasil (2012).

c. Curta-metragens
-Fuga (1959).
-Brasília (1960).
-Domingo (1961).
-A Oitava Bienal (1965).
-Oito Universitários (1967).
-Receita de Futebol (1971).
-Cinema Íris (1974).
-Aníbal Machado (1975).
-Batalha da Alimentação (1985).
-Batalha do Transporte (1986).
-Exército de um homem só (banda Engenheiros do Hawaii) (1990).
-Reveillon 2000 (1999).
-Carnaval dos 500 anos (2000).
-Valores do Brasil (2004).

Nota: É muito interessante consultar a página que lhe dedica a Academia Brasileira de Letras, em que se recolhe a sua ampla filmografia, a participação em festivais cinematográficos do mundo e mesmo os prémios que conseguiu ao longo da sua vida. Pode ser consultado tudo isto aqui.

ARGUMENTOS DOS SEUS MAIS IMPORTANTES FILMES

carlos-diegues-cartaz-ganga-zumba1. Ganga Zumba: Este filme começa num engenho de cana-de-açúcar, no nordeste brasileiro, entre os séculos XVI e XVII. Inspirados pelo Quilombo dos Palmares, uma comunidade de negros fugidos da escravidão, situada na Serra da Barriga, alguns escravos tramam a fuga para lá. Entre eles, se encontra o jovem Ganga Zumba, futuro líder daquela república revolucionária, a primeira de toda a América.
2. A grande cidade: Vinda do Nordeste, Luzia chega ao Rio de Janeiro à procura de seu noivo, Jasão. Nessa busca, ela conhece Calunga, um malandro carioca que lhe mostra a cidade e a apresenta para Inácio, um outro nordestino que deseja loucamente voltar para sua terra. Finalmente, Luzia descobre que o noivo Jasão mora em uma favela e que se transformou num temido assaltante. Mas, antes que ela consiga salvá-lo do crime, ambos acabam sendo vítimas dos conflitos e da violência gerados pela grande cidade.
3. Os herdeiros: Jorge Ramos (Sérgio Cardoso) é um jornalista ambicioso, que se casa por interesse com Eugênia (Odete Lara), a filha de um arruinado fazendeiro de café. Com a volta da democracia, em 1946, ele retorna à cidade grande e se transforma, aos poucos e às custas de constantes traições, em um político poderoso. Até que seu próprio filho vinga suas vítimas, aliando-se aos militares e traindo o pai.
4. Quando o Carnaval chegar: O empresário de um grupo de cantores sem sucesso, lhes consegue um contrato para que se apresentem em homenagem a um rei que chegará à cidade para o Carnaval. Discussões internas, romances inesperados e defecções impedem que o espetáculo se realize. Mas os artistas voltam a se juntar, apresentando-se em shows mambembes.
5. Joanna Francesa: Em 1930, Jeanne é a dona de um prostíbulo em São Paulo. Um cliente alagoano, apaixonado por ela, a leva para sua fazenda de cana-de-açúcar onde Jeanne entra em contato com costumes que acabam por arrebatá-la a um mundo ético e cultural que nunca havia conhecido antes. Ela acaba assumindo a liderança da família, em plena decadência. carlos-diegues-cartaz-a-grande-cidade
6. Xica da Silva: Segunda metade do século XVIII. Xica da Silva (Zezé Motta) era uma escrava que, após seduzir o milionário João Fernandes (Walmor Chagas), se tornou uma dama na sociedade de Diamantina. Ela passou a promover luxuosas festas e banquetes, algumas contando com a exibição de grupos de teatro europeus. Sua ostentação fez com que sua fama chegasse até a corte portuguesa.
7. Chuvas de Verão: Afonso (Jofre Soares), ao se aposentar, decide viver com tranquilidade no subúrbio onde mora. Em sua primeira semana de ócio, em um tórrido verão, ele se envolve com os problemas de sua filha, de seus amigos e de sua vizinhança, aprendendo com eles a viver novamente, quando até Isaura (Mirian Pires), sua vizinha de tantos anos, se modifica, começando uma relação de amizade, amor e respeito.
8. Bye Bye Brasil: Salomé (Betty Faria), Lorde Cigano (José Wilker) e Andorinha são três artistas ambulantes que cruzam o país juntamente com a Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para o setor mais humilde da população brasileira e que ainda não tem acesso à televisão. A eles se juntam o sanfoneiro Ciço (Fábio Jr.) e sua esposa, Dasdô (Zaira Zambelli), e a Caravana cruza a Amazônia até chegar a Brasília.
9. Quilombo: Em torno de 1650, um grupo de escravos se rebela num engenho de Pernambuco e ruma ao Quilombo dos Palmares, onde uma nação de ex-escravos fugidos resiste ao cerco colonial. Entre eles, está Ganga Zumba, príncipe africano e futuro líder de Palmares, durante muitos anos. Mais tarde, seu herdeiro e afilhado, Zumbi, contestará as ideias conciliatórias de Ganga Zumba, enfrentando o maior exército jamais visto na história colonial brasileira.
10. Um trem para as estrelas: Eunice (Ana Beatriz Wiltgen), namorada de Vinicius (Guilherme Fontes), jovem e promissor músico morador do subúrbio do Rio de Janeiro, desaparece depois de uma noite de amor. Em sua busca pela namorada desaparecida, ele vive uma verdadeira odisseia urbana atravessando a cidade, sua violência, miséria e injustiças, sempre envolvido pela música.
11. Dias melhores virão: Maryalva (Marília Pera) é uma dubladora que sonha em se tornar uma estrela de Hollywood. Em seus devaneios realidade e fantasia se misturam e ela conversa com, entre outros, o fantasma de um namorado morto, ainda jovem, num acidente de moto e a estrela da comédia americana a qual ela dubla.
12. Veja esta canção: Segmento “Pisada de Elefante”: Um policial rodoviário se apaixona perdidamente por uma mulata, em uma boate no Rio de Janeiro. Segmento “Drão”: um publicitário e sua esposa enfrentam uma grave crise no casamento. Segmento “Você é Linda”: dois adolescentes sem teto precisam lidar com a miséria em que vivem. Segmento “Samba do Grande Amor”: um livreiro fica encantado com uma voz feminina vinda de um prédio do outro lado da esquina.
13. Tieta do Agreste: Aos 17 anos de idade, Tieta (Patrícia França) viveu aventuras amorosas que escandalizaram a população e fizeram com que seu pai, Zé Esteves (Chico Anysio), a expulsasse da cidade. Afastada de sua família e amigos, Tieta manteve contato através de cartas, enviando ainda ajuda financeira a seu pai e suas duas irmãs, Tonha (Noélia Montanhas) e Perpétua (Marília Pera). Até que, 26 anos após ser expulsa, Tieta (Sônia Braga) retorna à cidade de Santana do Agreste, acompanhada por Leonora (Cláudia Abreu), que anuncia como sendo sua enteada. A presença de Tieta na cidade transforma por completo a pacata vida do local, ainda mais quando ela se envolve com seu sobrinho Cardo (Heitor Martinez), filho de Perpétua. Roteiro baseado no livro de Jorge Amado.carlos-diegues-cartaz-quilombo
14. Orfeu: Orfeu (Toni Garrido) é um popular compositor de uma escola de samba carioca. Residente de uma favela, ele se apaixona perdidamente quando conhece a bela Eurídice (Patrícia França), uma mulher que acaba de se mudar para o local. Mas entre eles existe ainda Lucinho (Murilo Benício), chefe do tráfico local, que irá modificar drasticamente a vida de ambos.
15. Deus é Brasileiro: Cansado de tantos erros cometidos pela humanidade, Deus (Antônio Fagundes) resolve tirar umas férias dela, decidindo ir descansar em alguma estrela distante. Para tanto precisa encontrar um substituto para ficar em seu lugar enquanto estiver fora. Deus resolve então procurá-lo no Brasil, país tão religioso que ainda não tem um santo seu reconhecido oficialmente. Seu guia em sua busca é Taoca (Wagner Moura), um esperto pescador que vê em seu encontro com Deus sua grande chance de se livrar dos problemas pessoais. Juntos eles rodarão o Brasil em busca do substituto ideal.
16. O maior amor do Mundo: Antônio (José Wilker) é um famoso astrofísico brasileiro, que trabalha também como professor em uma universidade americana. Pouco antes de retornar ao Brasil, onde receberá uma homenagem do governo, Antônio recebe a notícia de possuir um tumor fatal no cérebro. Já no Rio de Janeiro, ele descobre a verdadeira identidade de seus pais biológicos e a surpreendente história de amor entre eles, o que faz com que entre em uma jornada pessoal pela cidade.
17. Nenhum motivo explica a Guerra: A história do grupo AfroReggae e todo o contexto em que foi criado, contado da melhor forma possível: com declarações de seus integrantes e das pessoas ligadas ao projeto desenvolvido em plena favela carioca de Vigário Geral. A direção de Cacá Diegues e Rafael Dragaud mescla o panorama desolador em que aqueles jovens viviam com uma nova esperança surgida em iniciativas culturais. O filme conta com episódios agressivos, que povoaram a infância dos entrevistados, como brigas entre favelas, arrastões e o tráfico de drogas. O Grupo Cultural AfroReggae nasceu a partir de oficinas musicais dadas no início dos anos 90, quando Vigário Geral estava entre os locais mais violentos do Brasil, e logo se tornou referência em projeto cultural voltado aos jovens carentes do país. “Nenhum Motivo Explica a Guerra” (que leva o nome do segundo disco lançado pelo grupo) foi exibido em alguns cinemas durante o Festival do Rio e já pode ser encontrado em lojas especializadas. Além do filme, o DVD conta com uma apresentação ao vivo do grupo, com a participação de ilustres convidados como Caetano Veloso, Jorge Mautner, O Rappa e Cidade Negra, entre outros.carlos-diegues-cartaz-orfeu
18. Vinte, RioFilme: 20 anos de cinema brasileiro: Documentário que conta a trajetória da distribuidora RioFilme durante seus 20 anos de existência. Como ela contribuiu e atravessou o cinema brasileiro em muitos momentos desde sua inauguração, até sua configuração e economia atuais que contém um acervo diverso de filmes produzidos e distribuídos. O filme conta com depoimentos de grandes figuras do cinema nacional.
19. Rio de fé, um encontro com o Papa Francisco: O documentário fala sobre a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro no ano de 2013. O evento foi a primeira viagem do Papa Francisco ao exterior e reuniu mais de 3 milhões de jovens de todo o mundo. O filme amostra a confluência entre a Cidade maravilhosa e a mensagem transmitida através da fé cristã, enumerando semelhanças e especificidades pelo ponto de vista de cinco vertentes: a Igreja, o peregrino, a cidade, a favela e outras religiões.
20. O Grande Circo Místico: Em meio ao universo de uma tradicional família austríaca, que é dona do Grande Circo Knieps, nasceu um improvável romance entre um aristocrata e uma acrobata. Este é o retrato dos 100 anos de existência do Grande Circo e das cinco gerações do clã à frente do espetáculo e suas histórias fantásticas.

PUBLICAÇÕES EM FORMA DE LIVROS

Carlos Diegues chegou a escrever e publicar vários livros interessantes, alguns deles contando com colaboradores. Apresentamos a listagem dos mesmos:
Chuvas de Verão (Editora Civilização Brasileira, 1983).carlos-diegues-capa-de-revista
Os filmes que não filmei (entrevistas feitas por Silvia Oroz) (Editora Rocco, 1983).
Quilombo (em parceria com Nelson Nadotti) (Edições Achiamé, 1984).
Idéias e Imagens do Cinema Brasileiro (editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1986).
Palmarés (em parceria com Everardo Rocha) (Rio Fundo Editora, 1989).
Dias Melhores Virão (Editora Record, 1990).
O Diário de Deus é Brasileiro (Editora Objetiva, 2003).
O que é ser diretor de cinema: Memórias profissionais de Cacá Diegues (em parceria com Maria Silvia Camargo) (Editora Record, 2004).
Álbum de retratos: Cacá Diegues, por Nelson Sargento. Folha Seca Livraria e Edições, 2007.
Cinco Mais Cinco: Ensaio sobre os melhores filmes brasileiros em bilheteria e crítica dos últimos quinze anos. Legere Editora, 2007.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários e filmes citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Carlos Diegues, outro dos mais importantes cineastas do Brasil, e também membro da Academia Brasileira de Letras do Rio de Janeiro, na qual entrou ocupando a cadeira de Pereira dos Santos quando este faleceu. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, monografias e DVDs.
Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um Ciclo de Cinema composto de 7 filmes realizados por Carlos Diegues. Os mais interessantes para escolher e projetar são A grande cidade (1966), Xica da Silva (1976), Chuvas de Verão (1978), Bye Bye Brasil (1980), Tieta do Agreste (1996), Deus é brasileiro (2003) e O maior amor do mundo (2006). Em cada sessão fazemos uma apresentação detalhada do filme e mantemos um colóquio no final, em que participem tanto estudantes como docentes do nosso centro educativo.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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