Bernardo Rodrigues: «O sistema espanholizador tem tudo ao seu favor, mas ainda assim o reintegracionismo vai resistindo e tomando espaços!»

«O curso Escrever.com.nh é um bom modo de perder o medo a escrever na nossa norma internacional, na própria casa e sem horários»



Bernardo RodriguesBernardo Rodrigues nasceu no País Basco mas é da Marinha, comarca em que também se desenvolve a sua vida. Foi aluno do curso Escrever.com.nh e forma parte da associaçom cultural Xebra, de Burela, que fizo um ano de vida em maio, e da qual esperamos poder comemorar muitos mais.

Formas parte da associaçom e centro social Xebra de Burela que cumpriu o seu primeiro ano de vida em maio deste ano,  como está a funcionar?

No cartaz da festa de aniversário que se celebrou a 30 e 31 de maio punha «365 dias de resistência», que pode soar um pouco pomposo, mas é como o vivemos.

Que conclusons tirarias do trabalho feito até o de agora?

Levamos feitas umha cheia de atividades, sobretudo concertos, mas também houvo palestras, atos políticos, a concentraçom mensal de apoio aos presos independentistas,  aulas, etc… O balanço é muito positivo, mas às vezes resulta difícil chegar a toda a gente que quigéramos e também teríamos gostado de ver mais pessoas implicadas. Porém, no próprio trabalho diário há muita satisfaçom e cria-se um vínculo de comunidade que nom tem preço.

Existe algum tipo de trabalho em rede com outros centros sociais da Galiza?

Acho que nom, e poderia ser algo necessário e útil.

Como foi o teu contato com o galego(português)?

O meu primeiro contato foi através do movimento da insubmissom nos noventa e também através de Bernardo Penabade e o seu trabalho incansável a prol da língua.

Há um ano figeste o curso on-line Escrever.com.nh. Animarias as pessoas a fazê-lo?

Claro que sim. Acho que é um bom modo de perder o medo a escrever na nossa norma internacional, na própria casa e sem horários.

Em Burela há umha importante comunidade de pessoas naturais do Cabo Verde. Tens contato com elas? Como é a sua integraçom?

Tenho, e como bem sabemos os galegos e galegas, ser imigrante nunca é fácil. Ainda que nos vendam a sua integraçom como algo modélico, há muitos problemas como o racismo e, sobretudo, o abandono por parte da administraçom.

Há tempo tivemos no centro social a companheira Luzia Oca, que recentemente finalizou a sua tese sobre a mulher caboverdiana em Burela. Muito interessante!

Por onde achas que deve caminhar o reintegracionismo e o movimento normalizador?

Nom tenho receita, mas acho que mais que umha estratégia ou um rumo, o verdadeiro problema é o sistema espanholizador com que nos enfrentamos, que tem tudo ao seu favor, mas ainda assim o reintegracionismo vai resistindo e tomando espaços!

Que visom tinhas da AGAL, que te motivou a te associar e que esperas da associaçom?

A visom da gente que com mui pouco fazia muito… E mais que esperar algo, a motivaçom para mim foi: «que podo fazer eu pola AGAL?». E pensei que, para começar, podia pagar a quota.

Como gostarias que fosse a fotografia lingüística da Galiza em 2020?

Gostaria que fosse semelhante ou melhor que a de Burela na atualidade, onde há umha maioria de galegofalantes e as pessoas imigrantes adotam como própria a nossa língua. E como sonhar é de graça, também gostaria de poder ver os canais de televisom portugueses na Galiza, que acho que seria umha forma de tirar do gueto o reintegracionismo.

 

Conhecendo Bernardo

  • Um sítio web: O Dicionário Estraviz
  • Um invento: O MP3
  • Umha música: Fugazi
  • Um livro: A conjura dos néscios, de John Keneedy Toole
  • Um facto histórico: A revoluçom cubana
  • Um prato na mesa: Tofu à grelha
  • Um desporto: Correr
  • Um filme: Estrada perdida, de David Lynch
  • Umha maravilha: A solidariedade
  • Além de galego: Nascim no País Basco

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  • Ernesto V. Souza

    Interessante a entrevista, bem vindo!!!

    Muitas cousas acontecem nessa pequena Burela… pergunto-me por que será? 😉

  • ranhadoiro

    O Bernardo Penabade, esse bom agálico, acho que também foi presidente da AGAL, que grande trabalho faz por aquelas terras e como se nota, além disso sem a Cozinha que o acompanha a cousa não seria tão boa.
    Que de lá parta para o mundo gente como a entrevistada, um seu discipulo acho, é cousa muito grande