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Através Editora disponibiliza de graça ‘O Modelo Lexical Galego’

modelo-lexicalApós umha primeira ediçom impressa em 2012, a editora da AGAL decidiu agora disponibilizar on-line a obra que tem por objetivo proporcionar os “fundamentos da codificaçom” do léxico galego.

Trata-se do último texto normativo de releváncia da Comissom Lingüística da AGAL, após a codificaçom da morfologia e da ortografia em diferentes trabalhos vindos a lume ao longo dos anos oitenta e atualizados posteriormente.

O Modelo foi realizado sob a coordenaçom científica de Carlos Garrido, autor da monografia Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom (Edições da Galiza, 2011) em que assenta a definiçom dos fatores de degradaçom lexical e medidas regeneradoras a aplicar frente àqueles.

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Sabias que o facto de a palavra maçarico, que comummente denomina só umha ave na Galiza, nom ter alargado o seu significado para passar também a designar o instrumento conhecido por soplete em castelhano é produto de um processo degradativo chamado “estagnaçom semántica”?

Sabias que o facto de na Galiza termos doze variantes da palavra anteonte (antonte, antesdonte, antontes, antronte, enantronte, entonte, entontes, nantonte, nontronte e ontonte) é produto de um processo de “desagregaçom isoetimológica” que é, também, um sintoma da degradaçom do léxico galego?

Sabias que, embora menos grave e incisiva do que a anterior, a “persistência plurietimológica” nom deixa de ser igualmente resultado de um processo degradativo resultante nom da atomizaçom de umha voz primitiva, mas da preservaçom de variantes já antigas, como sabugueiro e bieiteiro?

Sabias que o facto de o significante cotovelo (‘articulaçom braço-antebraço’ e ‘nó do dedo’) possuir dous significados incompatíveis entre si é mais um sintoma de degradaçom que deve contar com umha intervençom regeneradora de maneira a ordenar estes elementos que deveriam ser lexicais para ganharem eficácia comunicativa?

Som só alguns exemplos das centenas que recolhe o Modelo para definir os diferentes processos degradativos do nosso vocabulário. Contra o que costumam pensar muitas pessoas preocupadas pola genuinidade do léxico galego, os quatro processos exemplificados acima repercutem negativamente na eficácia comunicativa, favorecendo a interferência do léxico castelhano, geralmente através de um processo chamado “suplência”. Amiúde, basta o confronto com um corpus lexical eficazmente funcional, como o do castelhano ou o das outras variedades do galego-português, para observar como estes processos degradantes se manifestam e interagem, mas agora a lingüística galega dispom de um novo instrumento de solidez inédita para os analisar e corrigir: O Modelo Lexical Galego.

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Assim, o livro define até 6 processos degradativos decorrentes quer da interferência direta do castelhano quer da ausência ou deficiência de padronizaçom que leva à ineficácia comunicativa por dispersom designativa ou por provocar lacunas expressivas. Trata-se da variaçom sem padronizaçom (geográfica, de registo, de freqüência), da substituiçom castelhanizante, da erosom, da estagnaçom, da suplência castelhanizante e do diferencialismo espúrio.

Contra estes processos degradativos, a atitude dos utentes cultos tem sido quer “a inibiçom” quer a “intervençom despropositada através do diferencialismo”, mas o Modelo propom um novo esquema para reabilitar o nosso vocabulário. Entre as estratégias regeneradoras sobranceia a coordenaçom com as outras variedades da língua galego-luso-brasileira, considerando o facto de quase sempre haver formas alternativas coincidentes com essoutros dialetos, mas vam-se definindo as exceçons a esta regra, nomeadamente quando as variantes luso-brasileiras nom existem ou som marginais na Galiza ou quando as formas galegas som legítimas e funcionais. É o caso de batata, fame… Afinal, é da aplicaçom destas estratégias regeneradoras que vai surgindo “o padrom lexical” galego, na maioria dos casos com plena coincidência com o padrom lexical lusitano, mas também com casos de divergências de diferente natureza: acougo, crego, anaco, fento, maniotas.

Quatro vocabulários

Para além de “normas explícitas de caráter reintegracionista” para regular os usos lexicais galegos, o volume conta com quatro vocabulários para cuja elaboraçom fôrom aplicadas as tais normas contidas na primeira parte do livro. Dous compreendem elementos e configuraçons diferentes no padrom lexical da Galiza e no de Portugal, partindo quer da variedade galega quer da portuguesa. Os outros dous relacionam as vozes regionais galegas que nom som elevadas ao “padrom lexical galego” e os diferencialismos espúrios frequentemente usados por utentes cultos da nossa língua. Este capítulo, de 113 páginas, está pensado para a consulta, sendo mais prático que os anteriores, embora inicialmente poda custar compreender o complexo sistema de abreviaturas usado, em qualquer caso imprescindível para entender como cada escolha devém, afinal, da aplicaçom de medidas regeneradoras aplicadas para corrigir cada um dos factores degradativos.

Em definitivo, trata-se de um elaborado corpus teórico sobre os processos de degradaçom do léxico galego, um dos mais eficazes escrito até agora na Galiza, já que se segue de umha proposta regeneradora com aplicaçom prática sobre o nosso vocabulário comum. Porém, como foi anunciado polo principal autor intelectual da obra na altura em que o livro véu a lume, este sai “inexoravelmente necessitado de ulterior refinaçom” e ficamos portanto à espera de novos contributos.

 

o-modelo-lexical-galegoDescarrega de graça o modelo lexical na loja Através

 

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