Partilhar

José Paz Rodrigues (*) – Com este primeiro artigo inicio no PGL uma série de artigos dedicada ao cinema educativo-didático. Sucessivamente irei analisando filmes que nos apresentam modelos de escolas, modelos de professores e professoras com as suas peculiares estratégias didáticas, a vida nas escolas, colégios e aulas.

Igualmente, a espontaneidade das crianças, as suas brincadeiras, a conduta dos adolescentes, a problemática dos rapazes com necessidades educativas especiais, a escola familiar e a importância do ofício de pais, os centros de acolhida para crianças órfãs, inadaptadas, abandonadas ou com problemas sociais. Também filmes em que os nenos e nenas, os adolescentes e jovens são destacados protagonistas.

O visionamento e o olhar de todos estes filmes pode servir de guia, estímulo e orientação para todos os que se dedicam ao formoso ofício de educar e ensinar. Para experimentar nas próprias aulas as estratégias, as técnicas e os modelos educativos que professores e professoras desenvolvem nas fictícias aulas dos filmes pedagógicos. Ou para não cometer os erros que se possam observar na atuação dos docentes protagonistas dos diferentes filmes. Também para debater entre os companheiros ensinantes, ou em reuniões com mães e pais e para refletir sobre a complexidade do labor docente e do processo de ensino-aprendizagem nas aulas de infantil, primária e secundária.

O cinema, a sétima das belas artes que temos, com já mais de um século de vida, foi oferecendo ao longo do tempo por variados diretores e em diferentes países de todos os continentes, um bom número de filmes com argumento e muitos documentários, em que aparecem docentes nas suas aulas ensinando aos seus estudantes de diferentes idades. Existem ademais filmes históricos dedicados a grandes educadores, grandes mestres e grandes pedagogos. Como Freinet, Tagore, Gandhi, Don Bosco, Lorenzo Milani, Ferrer i Guardia, Pestalozzi, Janusz Korczak, Montessori, Jesús, Tolstoi, o Padre Flanagan e Juan Bautista de La Salle.

Ao longo da história do cinema até a atualidade sempre destacou polo seu interesse pedagógico o cinema galo, e entre os seus diretores François Truffaut, com muitos filmes educativos, pola sua contínua preocupação pedagógica, e Louis Malle. No jovem cinema alemão temos que destacar especialmente a filmografia de Werner Herzog. Nas últimas décadas foram aparecendo filmes de outros países, interessantes pola sua temática educativa, como é o caso da China e o Irão ou o cinema do mais importante diretor africano, o senegalês Ousmane Sembène.

Antologia de filmes educativos

Por serem um importante referente para o objeto desta nova série de artigos que hoje inicio, quero destacar os seguintes filmes (entre parêntese resenho o diretor e o ano de realização) :

 

a) Modelos de professores e professoras (criativos, intuitivos, comprometidos, noveis, de escola rural, de escola infantil, de primária, de secundária, etc.): Ser e Ter (N. Philibert, 2002), Quando tudo começa (B. Tavernier, 1999), O ódio que gerou o amor (pt) / Ao mestre com amor (br) [Rebelião nas aulas] (J. Clavell, 1967), O ódio que gerou o amor 2 (P. Bogdonovich, 1996), O clube dos poetas mortos (P. Weir, 1989), O Catedrático [O Profe] (M. Delgado, 1971), Nenhum a menos (Z. Yimou, 1999), O rei das crianças (Ch. Kaige, 1987), Vinte e quatro olhos (K. Kinoshita, 1954), A língua das borboletas (J.L. Cuerda, 1999), Música do coração (Wes Craven, 1999), O amigo das crianças [Um professor singular] (M. Ferreri, 1979), Um polícia no jardim-escola (I. Reitman, 1990), Adeus rapazes (Louis Malle, 1987), Esta terra é minha (Jean Renoir, 1943), Machuca (A. Wood, 2004), O senhor de La Salle (L.C. Amadori, 1964), Diário dum mestre (V. de Seta, 1972), O mestre (A. Fabrizi, 1957), Professor Holland (S. Herek, 1995), A escola Buissonnière (J.P. Le Chanois, 1932), Dom Bosco (L. Gasparini, 2004) e A Turma (L. Cantet, 2008).

b) Modelos de centros educativos de acolhida, educação especial e social, escolares imigrantes, problemas de conduta e crianças com necessidades educativas especiais : Os coristas (Ch. Barratier, 2004), O menino selvagem (F. Truffaut, 1969), Os quatrocentos golpes (F. Truffaut, 1959), Na idade da inocência [A pele dura] (F. Truffaut, 1976), O enigma de Kaspar Hauser (W. Herzog, 1974), Homens de amanhã (N. Taurog, 1938), Alarme na cidade dos rapazes (N. Taurog, 1941), Kess (Ken Loach, 1969), Arriba Hazanha (J.M. Gutiérrez, 1978), O rapaz do Chaâba (Ch. Ruggia, 1996), O milagre de Ana Sullivan (A. Penn, 1962), Nell (M. Apted, 1994), Padre Padrone (P. e V. Taviani, 1977), Aniki Bóbó (M. de Oliveira, 1942), Os esquecidos (L. Buñuel, 1950), Uma criança à espera [Anjos sem paraíso] (J. Cassavetes, 1963), O jovem Törless (V. Schlöndorff, 1966), O quadro negro (S. Makhmalbaf, 2000), Filhos de um deus menor (R. Haines, 1986), A infância de Ivan (A. Tarkovski, 1962), Tortura (Alf Sjöberg, 1944), Zero em comportamento (Jean Vigo, 1933), A câmara de madeira (N. Wa Luruli, 2003), A árvore dos tamancos (E. Olmi, 1977), O ladrão de bicicletas (V. de Sica, 1948), Má educação (P. Almodóvar, 2004), O inferno de são Judas (A. Walsh, 2003), A onda (D. Gansel, 2008), Na sombra e no silêncio [Matar um rouxinol] ( R. Mulligan, 1962) e An education (Lone Scherfig, 2009).

Não incluo os numerosos documentários que existem, como os dedicados à Escola Moderna de Ferrer ou à Barbiana de Milani, e o realizado em 1961 polo bengali Ray sobre Robindronath Tagore. Nem tampouco os muitíssimos filmes em que as crianças são protagonistas fundamentais. Alguns verdadeiramente sublimes como O espírito da colmeia de Victor Erice ou Do rosa ao amarelo de Summers.

 

(*) Didata e pedagogo tagoreano. Autor, igualmente, da coluna de opinião Dizer e Fazer.

Notas sobre a épica: a propósito d’Os Lusíadas e o feudalismo ibérico

Conversa com Susana Arins na biblioteca Municipal José Saramago, de Compostela, arredor da sua obra “Seique”

O Colexio de Xornalistas anuncia nova edição do Prémio ‘Somos Esenciais’

Inauguração da exposição “Sonhar a Palavra Liberdade” no Camões – Centro Cultural Português em Vigo

Crianças homenageiam Rosalia de Castro este sábado em Outeiro de Rei

Conversa arredor da obra “Porque caiu a Galiza” de José Manuel Barbosa em Carvalho

Notas sobre a épica: a propósito d’Os Lusíadas e o feudalismo ibérico

Conversa com Susana Arins na biblioteca Municipal José Saramago, de Compostela, arredor da sua obra “Seique”

O Colexio de Xornalistas anuncia nova edição do Prémio ‘Somos Esenciais’

Inauguração da exposição “Sonhar a Palavra Liberdade” no Camões – Centro Cultural Português em Vigo