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Alberto Pombo: “O problema do galego é umha questom de referentes. De ausência de referentes”

Em 2021 figerom-se 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisarmos este período, estivemos a realizar ao longo de todo 2021 umha série de entrevistas a diferentes agentes. Agora, entrado 2022 queremos continuar reflexionando sobre isto, mas focando num ámbito em particular, de importáncia estratégica: o ensino.
Hoje entrevistamos o professor de galego no Ensino Secundário Obrigatório, Alberto Pombo.

Ana Souto

Que avaliaçom fás dos resultados do ensino do galego após 40 anos como matéria troncal?

Permite-me antes de mais, Charo, agradecer que tenhades pensado em mim para esta entrevista e dar-che os parabéns polo trabalho que desenvolves na rede e nesta casa.

A entrada do galego no ensino de crianças e adolescentes tem, de um ponto de vista histórico, uma relevância indiscutível. Agora bem, os resultados deste processo estám muito longe de poderem ser avaliados em termos de eficácia e satisfaçom.

De pano de fundo aparece um problema sistémico que nasce da administraçom, continua nos modelos editoriais, passa polo professorado e culmina numha série de factores externos aos liceus –quanto à referencialidade da língua– que condicionam também o anterior.

E da presença do galego como língua veicular no ensino público?

A língua veicular termina por ser, frequentemente, umha questom de vontades individuais. Tampouco é um fenómeno circunstancial que todos conheçamos reclamaçons contra professorado que ministra as aulas em galego em matérias adscritas ao castelhano, mas queixa nengumha à inversa.

Achas que esta presença guarda relaçom com a sua presença como língua ambiental nos centros educativos?

Tem relaçom, mas nom a responsabilidade única. O facto de que o alunado vaia reduzindo progressivamente e sem perspectivas de regresso o uso da língua galega tem também a ver com factores que acontecem extramuros.

A transmissom inter-geracional da língua está hoje comprometida: a principal via de aprendizagem do galego nos menores de 15 anos é a escola e nom a família (como exibem os dados recolhidos no IGE 2019). Portanto, é fundamental reverter os modelos afectivos utilizados até o de agora que, ademais, tampouco dêrom os resultados desejados.

Tenho para mim que o problema do galego é umha questom de referentes. De ausência de referentes. Neste sentido, é fundamental o trabalho que se desenvolve em determinadas plataformas digitais, assi com a potenciaçom da língua entre desportistas, músicos, atores e atrizes etecetera que colocam o galego lá, naqueles espaços onde está o alunado.

Pensas que deveria mudar alguma cousa no ensino da matéria de Língua Galega e Literatura?

Penso que si. É precisa umha revisom dos três apartados que constroem a matéria: gramática, sociolinguística e literatura. Destaco, por cima de todos, a errónea focagem dum modelo de ensino linguístico alicerçado na gramática que supom, ao meu ver, umha reproduçom das necessidades do modelo colonial espanhol no ensino do seu idioma noutras etapas históricas.

O peso da análise estrutural da língua é absurdo e reiterativo desde os últimos anos da primária até o bacharelato.

O tratamento identitário deve também –como já apontei noutras ocasions– ser revisado.

Qual deve ser o papel do português no ensino? Ampliar a sua presença como segunda Língua Estrangeira? Ser lecionada dentro das aulas da matéria troncal de galego? Ambas?

As aulas de galego devem incluir –seguindo já os programas educativos atuais– um espaço para tratar a lusofonia.

No entanto, a introduçom do português no ensino é umha oportunidade: a de reforçar laços culturais e mesmo os da autoestima dos galego-falantes sumidos nos perigos do auto-ódio. Ademais, para o estudantado galego, o ensino do português é também umha porta de entrada e profissionalizaçom no mercado laboral.

A introduçom do português no ensino é umha oportunidade: a de reforçar laços culturais e mesmo os da autoestima dos galego-falantes sumidos nos perigos do auto-ódio. Ademais, para o estudantado galego, o ensino do português é também umha porta de entrada e profissionalizaçom no mercado laboral.

As horas de docência desta matéria som, no entanto, ainda limitadas e, em consequência, a capacidade de incidência real, também é. Umha bolha necessária que precisa de umha revisom estrutural do sistema educativo no que diz respeito da aprendizage de línguas. 

Ana Souto

Pensas que implementar linhas educativas diferenciadas (uma com imersom linguística em galego) poderia ser útil para o galego voltar aos pátios?

O que sabemos neste ponto é que o modelo tradicional nom está a funcionar. A imersom linguística é necessária em todo o território galego, mesmo naqueles lugares onde o galego conta com umha presença mais marcada.

Por fortuna, o número de falantes nom convertem o idioma numha língua minoritária mas, em contramao, a influência do espanhol e a sua presença reiterada no que chamamos espaços de prestígio aumentam progressivamente a minorizaçom do galego.

Que papel atribuis ao modelo educativo inaugurado polas escolas Semente?

Confesso que é um modelo que só conheço desde fóra, polo que acho injusta qualquer tipo de valoraçom que eu venha fazer.

Reconheço, no entanto, o esforço militante e a vontade de construçom de muitas das pessoas envolvidas nele com as que partilho, certamente, um mesmo projeto nacional para umha Galiza em que as crianças cresçam, com naturalidade e sem reservas, em galego.

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