Partilhar

Alberto Pombo: “#Aquítaménsefala é a campanha de maior dimensom de toda a história da defesa da língua”

Nascido em Loureda (Arteijo) em 1985, este doutor em Estudos Literários e professor de língua no IES Rafael Dieste da Corunha é um dos promotores de “Aqui tamén se fala galego”, umha ambiciosa campanha polo idioma que, do noroeste do país, se estende a todo o território com um sucesso imparável. Com ele falamos da iniciativa de base, e das possibilidades do galego recuperar o seu espaço a partir da mocidade.

Como se idealizou a vossa campanha?

Todo começa no curso passado, no IES Rafael Dieste. Nas aulas que leciono em 4º da ESO mergulhamos no papel da Corunha no desenvolvimento do galeguismo. E assim, estudando a Cova Céltiga, conhecendo a relaçom de Curros Henriques com a cidade, a fundaçom da RAG, as Irmandades…o alunado deu-se de conta do embate entre a realidade da nossa cidade e os estereótipos que funcionam sobre ela no resto do país. O choque foi grande, e dum certo complexo ante essa ideia negativa, surgiu a ideia de lançar umha campanha, protagonizada polo alunado, que iria distribuir o cartaz “Aquí tamén se fala galego” no comércio local. A campanha foi desde o início muito bem sucedida, e mais se levamos em conta que o 25% do centro está formado por alunado imigrante, chegado de outros países que desconhece a língua mas que a concebe como mais umha oportunidade para a integraçom.

Como se desenvolveu nos primeiros momentos?

Como estimaçom de partida, pensamos em chegar a 100 espaços, a 100 comércios. Logo o alunado decidiu-se a ir a polos 300…e nom só alcançamos esta cifra, senom que chegamos aos 500 em menos dum mês. Foi tal a dimensom que logo começou a provocar interesse na cidade inteira, e também noutros centros do país.

Qual é a atitude do alunado diante da iniciativa?

Para darmo-nos conta da sua posiçom, pensemos que a imensa maioria tem o espanhol como língua habitual; que parte dele vem da imigraçom, e que até mesmo está exento de galego por dous anos. Mas com isso e contodo, superárom-se os prejuízos e os estereótipos, e eles e elas envolvêrom-se a fundo. O estudantado que vem de fora e que é umha oportunidade para o futuro da língua viu isto como a possibilidade de abraçar umha nova identidade e integrar-se nela. Se queremos entregar a esta campanha um adjetivo, aproprio-me das palavras de Bernardo Penabade que a caracterizou como umha iniciativa feliz.

A intervençom começou no vosso bairro, Agra de Orçám, e espalhou-se por todo o comércio local. Como reage este sector à defesa do galego?

Há umha anedota que sintetiza isto: de 500 comércios que visitamos, nem um só se negou a colaborar e a colar o cartaz na prateleira. Acho que isso di todo. Nom houvo respostas negativas, nem no centro da cidade, onde também chegamos. Sem termos avisado à imprensa, num começo, recebemos umha chamada de Laura Mateo, do jornal 15000, porque via o centro cheio de cartazes e queria saber de que se tratava. E isto foi apenas a experiência piloto do que se fará em toda a Galiza, penso que nom está nada mal.

Como estimaçom de partida, pensamos em chegar a 100 espaços, a 100 comércios. Logo o alunado decidiu-se a ir a polos 300…e nom só alcançamos esta cifra, senom que chegamos aos 500.

Agora a campanha passa a ser nacional. Em que fase vos encontrades?

Estivemos três meses, de outubro a dezembro, em fase de preparativos. Até o de agora sumamos o compromisso de participaçom de 150 centros, porque há também escolas e centros de FP. Isto quer dizer que a campanha está presente em 1 de cada 4 concelhos, e no 50% dos centros de secundária da CAG. Podemos dizer que estamos ante a maior campanha de dinamizaçom do galego da história, que tem a singularidade de ter o protagonismo activo da mocidade. Falamos de dez mil estabelecimentos comerciais que serám visitados, porta a porta, um a um, algo que nem as instituiçons tenhem a capacidade de fazer. Pola primeira vez, a rapaziada exerce de técnica de normalizaçom e estimula o comércio de proximidade. A responsabilidade recai nela. O professorado temos que pôr zero cartazes, se bem é certo que é a generosidade de centos de docentes a que fai que isto seja possível também.

Qual foi a resposta mediática?

Excepcional, e muito ampla. Por oferecer alguns dados, fixérom-se eco meios convencionais como a CRTVG, La Voz, Cadena Ser, mas também o Portal Galego da Língua, Rádio Piratona, Projecto Neo, Rádio Burela, que deu voz ao nosso alunado, Galiza Livre…ao aparecerem alunos e alunas nos meios, houvo casos bem bonitos: por exemplo, familiares de estudantes noutros países do estrangeiro, que se ilusionarom ao ver rapazes ou rapazas nos meios galegos, e mandárom audios parabenizando…vimos que a campanha era aliás um carimbo de integraçom, e assi, as famílias comprovam que os seus rapazes se vam integrando em maior medida graças ao galego.

Falamos de dez mil estabelecimentos comerciais que serám visitados, porta a porta, um a um, algo que nem as instituiçons tenhem a capacidade de fazer. Pola primeira vez, a rapaziada exerce de técnica de normalizaçom

Em coordenadas mais gerais, ante campanhas como esta, semelha, porém, que nom se dá salvado a fenda entre a assunçom social do galego e a disposiçom activa a falá-lo…

Certamente que a situaçom do galego nom se resolve por umha campanha, precisamos de processos muito superiores. Mas isto é mais um passo importante. Vimos casos de alunos e alunas que se passárom ao galego, mesmo famílias…iniciativas como esta ou a de “21 dias co galego” tenhem este efeito. O alunado estimulou-se, e num centro mormente espanhol falante como o nosso, a língua está a ganhar prestígio.

Algumha questom mais que queiras apontar?

Agradecer-vos que nos deades este espaço, e agradecer também a generosidade da rapaziada e do professorado que fai todo isto possível. Há um orgulho na mocidade polo galego que se vai fazer ouvir. Aqui também se fala galego!

[Esta entrevista foi publicada originariamente no galizalivre.com]

Os artigos dos topónimos no novo Nomenclátor

Juan Luis Fernández apresenta o livro Futebol Gaélico em Celanova

Colóquio sobre Tourists, go home? na Semana do Livro de Compostela (SELIC)

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Pontedeume

Lançamento do livro Begonha Caamanho, na Corunha

Henrique Marques Samyn visita Compostela para falar sobre literatura negra brasileira

Os artigos dos topónimos no novo Nomenclátor

Juan Luis Fernández apresenta o livro Futebol Gaélico em Celanova

Colóquio sobre Tourists, go home? na Semana do Livro de Compostela (SELIC)

Lançamento do livro, Tourists, go home? em Pontedeume