Agustina Bessa-Luís, autora de uma imensa obra literária



agustina-bessa-luis-foto-17Dentro da nossa série de artigos de “As Aulas no Cinema” estamos a dedicar vários depoimentos àquelas mulheres que no mundo lusófono destacaram em alguns campos da cultura, da ciência e do ensino. Por isso, dentro da que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 145 da série geral que iniciei com Sócrates, a uma magnífica escritora de Portugal, conhecida como Agustina Bessa-Luís, nascida em Vila Meã-Amarante (Portugal) em 1922 e falecida em junho de 2019, quando tinha 96 anos. Com este depoimento, a ela dedicado, completo o número trinta e três da série lusófona. E antes de nada tenho que mencionar sobre esta escritora portuguesa que nos anos oitenta fora convidada pela ASPGP, para participar numa edição da Feira do Livro de Ourense e assinar livros da sua autoria, no pavilhão do livro português a cargo da Livraria Bertrand de Viana do Castelo, que pela primeira e única vez, a pedido da comissão organizadora da feira, fora instalado nos jardins da Alameda ourensana. Também, que em 1981 fora editada por Alfaguara a sua obra mais importante, A Sibila, e a tradução da mesma fora feita pelo nosso lexicógrafo Isaac Alonso Estraviz para o idioma castelhano.

MANOEL DE OLIVEIRA LEVOU AO CINEMA ALGUNS DOS ROMANCES DE AGUSTINA

Agustina Bessa-Luís com o cineasta Manoel de Oliveira

Agustina Bessa-Luís com o cineasta Manoel de Oliveira

Agustina Bessa-Luís, foi uma das mais consagradas escritoras da contemporaneidade portuguesa. Não é pois de estranhar que Manoel de Oliveira tenha recorrido ao seu talento para transpor livros seus para a sétima arte. Foi em 1981, que Oliveira adaptou o livro de Agustina Bessa-Luís Fanny Owen, para cinema. Francisca foi o nome dado ao filme feito a partir do livro desta escritora, que a partir de então colaborou muito com o realizador nos seus trabalhos.
Em 1993 adaptou um outro livro, Vale Abraão, cujo nome é o mesmo do filme, atingindo com esta obra um enorme êxito internacional. A crítica recebeu com agrado esta obra, tendo obtido com ela vários prémios internacionais. Prémios que vieram dos mais diversos locais do mundo, como o prémio do júri de CICAE (Confederação Internacional dos Cinemas de Arte e Ensaio, em Cannes,1993); prémio da crítica em São Paulo (1993) e o Jaguar de Ouro em Cancún-México (1993), entre outros.
De um outro seu livro, As Terras do Risco, Oliveira retirou a ideia para realizar O Convento (1995). No entanto, a cooperação com Agustina Bessa-Luís foi mais extensa. Já em 1982, esta autora escreveu os diálogos de Visita ou Memórias e Confissões, voltando a ser solicitada em Party (1996), para a mesma tarefa. Aliás, neste último filme os diálogos são o cerne da obra, são eles que dão vida à sucessão de “retratos” já habituais nas obras de Manoel de Oliveira.

PEQUENA BIOGRAFIA

agustina-bessa-luis-foto-3Agustina Bessa-Luís, de seu nome completo, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa-Luís, tinha nascido a 15 de Outubro de 1922 em Vila Meã, perto de Amarante. Era descendente de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho e de uma família castelhana de Zamora, por parte da mãe. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a sua obra. Em 1945 casou com um estudante de Direito chamado Alberto Luís, que conheceu através de um anúncio no jornal. Desse casamento teve duas filhas, Amélia e Mónica Bessa-Luís Baldaque. Entretanto, fixou-se na cidade do Porto, onde residiu e faleceu em 3 de junho do passado ano de 2019.
Foi desde muito nova que se interessou por livros, começando por ler alguns da biblioteca do avô materno, Lourenço Guedes Ferreira. Foi através destas primeiras leituras que tomou contacto com alguns dos melhores escritores franceses e ingleses, os quais lhe despertaram a arte narrativa. Aos 10 anos, apaixona-a a leitura da Bíblia, particularmente a do velho testamento. Em 1932 vai para o Porto estudar, onde passa parte da adolescência, vindo a fixar-se em 1945 em Coimbra, onde publicou o seu segundo romance, Os Super-Homens (1949). Anteriormente já tinha escrito uma outra obra, intitulada Mundo Fechado (1948), que na altura foi designada por novela, mas muitos críticos consideram ser um romance, dado o desenvolvimento dado às personagens e à própria linguagem, muito mais caraterística deste último estilo.

Com 26 anos estreou-se nas lides literárias, e em concreto com o romance Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando mais de meia centena de obras nos escaparates.

Com 26 anos estreou-se nas lides literárias, e em concreto com o romance Mundo Fechado antes mencionado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando mais de meia centena de obras nos escaparates. Já os seus primeiros livros foram elogiados por autores consagrados como Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio. Em 1954, com A Sibila, se impôs como uma das mais importantes representantes da ficção literária portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de caraterísticas aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Henri Bergson e Marcel Proust, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espaço-temporal da obra, em que a escritora é dona de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.
agustina-bessa-luis-foto-14A nossa autora tem representado as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizado conferências em universidades, um pouco por todo o mundo, e vários dos seus romances, como já comentámos, foram levados às telas de cinema, em adaptações realizadas por Manoel de Oliveira. Ademais escreveu peças de teatro e guiões para a televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, em 1995, no Teatro Nacional Dona Maria II. Foi membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres de Paris, da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa. O governo francês outorgara-lhe em 1989 o grau de “Officier de l´Ordre des Arts et des Lettres” e, em Portugal recebeu em 2004 o prémio literário Camões. Também foi membro do conselho diretivo da Communitá Europeia degli Scrittori em Roma, durante os anos 1961 e 1962. Nos anos 1986 e 1987 foi diretora do diário O Primeiro de Janeiro do Porto. Entre 1990 e 1993 assumiu a direção do Teatro Nacional Dª Maria II de Lisboa, e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Junto com Eugénio de Andrade, em 22 de março de 2005, foi doutorada “honoris causa” pela Universidade do Porto, por serem “personalidades de prestígio no campo literário, motivadores de vocações e inspiradores de importantes estudos académicos”. No final da cerimónia que teve lugar, Agustina agradeceu a distinção oferecida pela universidade portuense, apesar de considerar que, no seu caso, não havia razão suficiente para que o doutoramento lhe tenha sido atribuído. Reconheceu, porém, ser uma honra receber o anel do letrado e dar testemunho de uma obra que, sempre imperfeita, foi realizada em liberdade de espírito.

Foi membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres de Paris, da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa. O governo francês outorgara-lhe em 1989 o grau de “Officier de l´Ordre des Arts et des Lettres” e, em Portugal recebeu em 2004 o prémio literário Camões.

Em 1950 tinha voltado precisamente ao Porto, onde fixou a sua residência. E aqui foi onde escreveu a sua obra mais conhecida, A Síbila (1954), com a qual obteve vários prémios e lhe abriu as portas ao mundo da escrita. Contactou com vários escritores portugueses e estrangeiros, como Vergílio Ferreira, José Régio, Eugénio de Andrade, Óscar Lopes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Sophia de Mello Bryner Andresen e Lain Entralgo, Julián Marias, Pierre Emmanuel, John Wilcock e Marie Hermina Albe, entre outros. A tradução para o castelhano da sua obra A Sibila foi realizada por Isaac A. Estraviz, sendo publicada pela primeira vez pela editora Alfaguara no ano 1981, existindo uma segunda edição do ano 2005.

Uma mais ampla biografia da escritora pode ser consultada na sua página da wikipedia.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS E FILMES

A. Documentários
0. Agustina Bessa-Luís: Nasci Adulta e Morrerei Criança.
Duração: 57 minutos. Ano 2013.

1. Portugal…de Agustina Bessa-Luís.
Duração: 50 minutos. Ano 2019.

2. Agustina Bessa-Luís.
Duração: 56 minutos. Ano 2019.

3. Agustina Bessa-Luís: Autores portugueses.
Duração: 13 minutos. Ano 2018.

4. Homenagem a Agustina Bessa-Luís.
Duração: 54 minutos. Ano 2013.

5. Agustina Bessa-Luís e Manoel de Oliveira.
Duração: 11 minutos. Ano 2018.

6. Ler Mais Ler Melhor: Vida e Obra de Agustina Bessa-Luís.
Duração: 11 minutos. Ano 2011.

7. Vigília a Agustina Bessa-Luís.
Duração: 31 minutos. Ano 2019.

B. Filmes baseados em obras suas
0. Francisca (romance Fanny Owen).
Diretor: Manoel de Oliveira (Portugal, 1981, 166 min., cor).

1. Vale Abraão (romance do mesmo título).
Diretor: Manoel de Oliveira (Portugal-França-Suiça,1993, 203 min., cor).
Fragmento de 2 min:

2. O Convento (romance As Terras do Risco).
Diretor: Manoel de Oliveira (Portugal,1994, 90 min., cor).

3. Party (romance Party: Garden-Party dos Açores).
Diretor: Manoel de Oliveira (Portugal-França, 1996, 95 min., cor).
Pode-se ver um fragmento de 2 min aqui.

4. Inquietude (conto A Mãe de um Rio).
Diretor: Manoel de Oliveira (Port.-Fr.-Espª-Suiça, 1998, 110 min., cor).
Fragmento de 4 min:

5. O Princípio da Incerteza (romance do mesmo título).
Diretor: Manoel de Oliveira (Portugal-França, 2002, 133 min., cor).
Fragmento de 2 min:

 Reportagem sobre o filme de 5 min:

6. Espelho Mágico (romance A Alma dos Ricos).
Diretor: Manoel de Oliveira (Portugal, 2005, 137 min., cor).
Fragmento de 2 min:

7. A Corte do Norte (romance histórico do mesmo título).
Diretor: João Botelho (Portugal, 2008, 122 min., cor).
Fragmento de 2 min:

A SUA OBRA LITERÁRIA

a. Ficção (Romances)agustina-bessa-luis-capa-livro-o-susto
-Mundo fechado (1948).
-Os Super-Homens (1950).
-Contos Impopulares (1951-1953).
-A Sibila (1954).
-Os Incuráveis (1956).
-A Muralha (1957).
-O Susto (1958).
-Temos Guerreiros (1960).
-O Manto (1961).
-O Sermão do Fogo (1962).
-As Relações Humanas I: O Quatro Rios (1964).
-As Relações Humanas II: A Dança das Espadas (1965).
-As Relações Humanas III: Canção Diante de uma Porta Fechada (1966).
-A Bíblia dos Pobres I: Homens e Mulheres (1967).
-A Bíblia dos Pobres II: As Categorias (1970).
-A Brusca (contos) (1971).
-As Pessoas Felizes (1975).
-Crónica do Cruzado OSB (1976).
-As Fúrias (1977).
-Fanny Owen (romance histórico) (1979).
-O Mosteiro (1980).
-Os Meninos de Ouro (1983).
-Adivinhas de Pedro e Inês (romance histórico) (1983).
-Um Bicho da Terra (biografia de Uriel Costa) (1984).
-Um Presépio Aberto (1984).
-A Monja de Lisboa (biografia de Maria da Visitação) (1985).
-A Corte do Norte (romance histórico) (1987).
-Prazer e Glória (1988).
-A Torre (conto) (1988).
-Eugénia e Silvina (1989).
-Vale Abraão (1991).
-Ordens Menores (1992).
-As Terras do risco (1994).
-O Concerto dos Flamengos (1994).
-Aquário e Sagitário (1995).
-Memórias Laurentinas (1996).
-Um Cão que Sonha (1997).
-O Comum dos Mortais (1998).
-A Quinta Essência (1999).
-Dominga (conto) (1999).
-Contemplação carinhosa da Angústia (antologia) (2000).agustina-bessa-luis-capa-livro-a-muralha
-O Princípio da Incerteza I: Jóia de Família (2001).
-O Princípio da Incerteza II: A Alma dos Ricos (2002).
-O Princípio da Incerteza III: Os Espaços em Branco (2003).
-Antes do Degelo (2004).
-Doidos e Amantes (2005).
-A Ronda da Noite (2006).
-Deuses de Barro (romance escrito em 1942) (2018).

 
b. Teatro
-Inseparável ou o Amigo por Testamento (1958).
-A Bela Portuguesa (1986).
-Estados Eróticos Imediatos de Soren Kierkegaard (1992).
-Party: Garden-Party dos Açores. Diálogos (1996).
-Garret: O Eremita do Chiado (1998).

 
c. Contos Infantis
-A Memória de Giz (com ilustrações de Teresa Dias Coelho) (1983).
-Contos Amarantinos (ilustrado por Manuela Bacelar) (1987).
-Dentes de Rato (ilustrado por Martim Lapa) (1987).
-Vento, Areia e Amoras Bravas (ilustrado por Mónica Baldaque) (1990).
-O Dourado (ilustrado por Helena Simas) (2007).

 
d. Biografias
-Santo António (1979).agustina-bessa-luis-foto-11
-A Vida e a Obra de Florbela Espanca (Biobibliografia) (1979).
-Florbela Espanca (1979).
-Sebastião José (1981).
-Longos Dias têm cem anos. Presença de Vieira da Silva (1982).
-Martha Telles: o Castelo onde irás e não voltarás (ensaio e biografia) (1986).

 
e. Ensaio, crónicas e memórias
-Embaixada a Calígula (relato de viagem) (1961).
-Conversações com Dimitri e outras fantasias (crónicas) (1979).
-Arnaldo Gama. “Gente de Bem” (1980).
-A Mãe de um Rio (texto e foto) (1981).
-Dostoievski e a Peste emocional (1981).
-Camilo e as Circunstâncias (1981).
-António Cruz, o Pintor e a cidade (1982).
-D. Sebastião: o Pícaro e o heroico (1982).
-O Artista e o Pensador como Minoria Social (1982).
-”Menina e Moça” e a Teoria do Inacabado (1984).
-Apocalipse de Albrecht Dürer (1986).
-Introdução à Leitura de “A Sibila” (1987).
-Aforismos (1988).
-Breviário do Brasil (diário de viagem) (1991).
-Camilo: Génio e Figura (1994).
-Um outro Olhar sobre Portugal (relato de viagem, ilustrado por Maluda, e fotos de P. Rossollin) (1995).
-Alegria do Mundo I: escritos dos anos de 1995 a 1969 (1996).
-Douro (texto e fotos, em colaboração com Mónica Baldaque) (1997).
-Alegria do Mundo II: escritos dos anos de 1970 a 1974 (1998).
-Os Dezassete Brasões (texto e fotos) (1998).
-A Bela Adormecida (1999).
-O Presépio: Escultura de Graça Costa Cabral (texto e fotos, em colaboração com Pedro Vaz) (2000).
-As Meninas (texto e pintura) (2001).
-O Livro de Agustina (autobiografia) (2002).
-Azul (divulgação, em colaboração com Luísa Ferreira) (2002).
-As Estações da Vida (texto, e fotos de Jorge Correia santos) (2002).
-O Soldado Romano (ilustrado por Chico) (2004).
-Ensaios e artigos (2016).

 
f. Adaptações cinematográficas
-Francisca (romance Fanny Owen). Realizador: Manoel de Oliveira (1981).
-Vale Abraão (romance do mesmo título). Realizador: M. de Oliveira (1993).
-O Convento (romance As Terras do Risco). Realizador: M. de Oliveira (1995).
-Party (peça Party: Garden-Party dos Açores). Realizador: M. de Oliveira (1996).
-Inquietude (conto A Mãe de um Rio). Realizador: M. de Oliveira (1998).
-O Princípio da Incerteza (romance do mesmo título). Realizador: M. de Oliveira (2002).
-Espelho Mágico (romance A Alma dos Ricos). Realizador: M. de Oliveira (2005).
-A Corte do Norte. Realizador: João Botelho (2009).

 
g. Prémios às suas obrasagustina-bessa-luis-capa-livro-a-sibila
Agustina Bessa-Luís recebeu numerosos prémios ao largo da sua vida, muitos dedicados em concreto a várias das suas obras. Entre eles temos que destacar os seguintes: Delfim Guimarães (1953), Eça de Queirós (1954), Ricardo Malheiros (em1966 e 1977), Nacional de Novelística (1967), PEN Clube Português de Ficção (1980), D. Dinis (1980), Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (1983), RDP Antena 1 da Literatura (1988), Seiva de Literatura (1988), da Crítica, da Associação Internacional de Críticos Literários (1993), Medalha de Mérito Cultural (1993), Municipal Eça de Queirós, da Câmara Municipal de Lisboa (1994), Máxima de Literatura (1996), União Latina de Literaturas Românicas (1997), Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (2001), Globo de ouro (2002) e Prémio Camões (2004).

E ainda conseguiu várias condecorações oficiais, entre as que destacam a de Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem de Sant´Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico de Portugal (em 1981 e em 2006), Medalha de Honra da Cidade de Porto (1988) e Oficial da Ordem das Artes e das Letras da França (1989).

 
h. Prémios à autora e sua obra em geral
Como autora e pela sua obra em geral recebeu os seguintes prémios: “Adelaide Ristori”, do Centro Cultural de Roma (1975), Cidade do Porto (1982), Companhia de Teatro Seiva de Porto (1988), Medalha de Mérito Cultural (1993), Bordalo de Literatura, da Casa da Imprensa (1996), Camões (2004), Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora (2004) e de Literatura do Festival Grinzane Cinema de Turim (2005).

 

ANTOLOGIA DE AFORISMOS E FRASES

Apresento a continuação uma pequena antologia das suas frases e aforismos.    agustina-bessa-luis-foto-9
1.Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição?
2.Casamento, é muito difícil conhecer uma pessoa com quem se vive muito próximo, porque há um fenómeno de desfocagem, porque se está tão próximo não há uma perspectiva para conhecer, só para amar.
3. Portugal: O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo.
4.Os maiores revolucionários foram conservadores em coisas de arte, e os maiores artistas foram quietistas em assuntos políticos. Entende-se por isto que no revolucionário há uma nostalgia do consumado, e no artista há um cepticismo da realização.
5.A razão é como a mulher honestíssima e sem parentes, que em tudo está falta de auxílio e de liberdade.
6.As coisas simples são indissolúveis. Não havendo nelas contradição, a tendência é para serem duráveis.
7.O aforismo deve ser a última colheita do uso da vida, e não uma impertinência ou uma afronta.
8.Goza de alegria o que não encontra no mundo atractivo maior do que a virtude desconhecida.
9.É extraordinário como nos tornamos violentos quando queremos agradar ao mundo. Agradar ao mundo resume o comportamento da sociedade nos seus aspectos mais retóricos.
10.O viver multipolar entre o que se ama e o que nos comove, alimenta a vontade de sermos nós próprios sem afectar o amor do próximo.
11.A melhor prova duma real amizade está em evitar os compromissos entre aqueles que se estimam.
12.A cultura é o que identifica um povo com a sua finalidade.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários e filmes citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Agustina Bessa-Luís, uma excelente escritora de Portugal. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.
Seria interessante realizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, com a participação de escolares e docentes. Podemos escolher entre os muitos livros que chegou a publicar qualquer dos quatro seguintes: A Sibila (1954), Vale Abraão (1991), Adivinhas de Pedro e Inês (1983), que pode servir para lembrar os amores do rei Pedro e da galega Inês de Castro, “que reinou depois de morrer”, ou Aforismos (1988). Para crianças dos primeiros cursos da primária podia ser interessante a leitura do seu livro Contos Amarantinos, publicado pela primeira vez em 1987.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.


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