José Carlos Silva – No início de dezembro foi lançado o livro Sangue do Crocodilo – A Saga de Timor-Leste, de Amândio Martins, que leva o leitor a compreender a realidade deste povo que, segundo as lendas locais, nasceu nas costas de um crocodilo.
De acordo com essa lenda, o crocodilo estava velho e cansado e decidiu parar em um local bonito e aguardar a morte, quando é ajudado por um rapaz. Em agradecimento à ajuda, o grande réptil, ao morrer, transforma-se na ilha de Timor. Já o «sangue», é a representação da difícil trajetória dos timorenses, que passaram por acontecimentos trágicos, com constantes invasões e ataques.
O livro é dividido em três partes, sendo a primeira no período entre os anos 1515 a 1975; a segunda com a ocupação militar da Indonésia, entre 1976-1999 e a última etapa, a chegada das Nações Unidas e a posse do primeiro Presidente da República, Xanana Gusmão.
As personagens Leonor, que chega grávida ao território, e Teodoro conduzem o romance e, de certa forma, a essa história torna-se autobiográfica, pois entre 1964 e 2002 esteve atuando como adjunto de Administrador de Concelho e depois, participando de um grupo de apoio à recuperação do Timor-Leste.
Durante a leitura, que começa com as palavras do Nobel da Paz D. Ximenes Belo e do último governador português em Timor, o General Lemos Pires; o autor conduz o leitor às tradições guerreiras, danças e músicas, artesanato, crenças e manifestações culturais; e o coloca diante das tragédias dos refugiados nas montanhas e os massacres ocorridos em um passado recente.

