Por José Manuel Barbosa
Conto número 1:
Um Doutor muito importante chamado Doutor Watzlawick conta-nos que num laboratório onde se fazem experimentos com animais, um investigador está tentando fazer um reflexo condicionado com dous ratinhos de laboratório. Nesse momento entra um homem com umha bata branca e é que umha das ratinhas diz à outra com expressom inteligente: “Olha, vês esse homem com a bata branca? Tenho-o totalmente amestrado, cada vez que baixo esta alavanquinha dá-me de comer”.
Conto número 2
Um senhor muito crente sentia que estava próximo de receber umha luz que lhe ensinasse o caminho a seguir. Todas as noites ao se deitar pedia-lhe a Deus que lhe enviasse um sinal para que lhe dissesse como é que tinha de viver o resto dos seus dias. Estivo assim durante muitos anos, nesse estado quase-místico aguardando um sinal divino.
Mas um dia, dando um passeio por um bosque viu um pequeno cervato deitado no chão, ferido e com umha pata quebrada. Ele ficou a olhá-lo quando repentinamente apareceu um leom. Aquilo deixou o homem com o corpo paralisado e o sangue frio nas suas veias; o leom estava pronto para engolir o pobre cervato. O homem ficou em silêncio com o temor de ver o leom também acima dele. De forma muito surpresiva o leom foi-se achegando ao cervato e em vez de comê-lo começou a lamber-lhe as feridas. Depois deu a volta e apanhou umhas folhas húmidas, acercou-lhas ao cervato com a pata para que pudesse beber água e ainda trouxo um bocado de erva para dar-lhe de comer. Inacreditável.
Ao dia seguinte, quando o homem regressou ao lugar, viu que o pequeno cervato ainda estava lá e que o leom atendia a fome e a sede do animalinho para além de lhe lamber as feridas quando estas lhe doíam. O homem disse: “Este é o sinal que estava a procurar. É muito claro. Deus ocupa-se de prover a quem o necessitar, o único que há de fazer é aguardar e nom correr detrás das cousas”. O homem pegou nas suas cousas e foi-se colocar à porta da sua morada a aguardar alguém que lhe trouxesse de comer e de beber. Passaram as horas, os dias e as semanas mas ninguém dava absolutamente nada. Aqueles que por lá passavam olhavam para ele enquanto ele punha expressões de pobre homem morto de fome e sede. Foi assim até que um dia passou-se por ali um outro homem muito sábio que morava naquele lugar ao qual se dirigiu o nosso protagonista dizendo-lhe: “Caro amigo, Deus é que me enganou. Enviou-me um sinal errado para fazer-me ver que as cousas eram dum jeito e na realidade som de outro. Porque me tem feito isto? Eu sou um homem que acredita nele…”
Seguidamente contou-lhe o que lhe acontecera no bosque anteriormente…
O homem sábio ouviu e escuitou para depois dizer-lhe: “Eu quero dizer-che algo. Eu sou também um homem que acredita nele. Deus nom envia sinais vãos. Ele enviou-che um sinal para que apreendesses”. Mas o homem perguntou: “Porque me abandonou?”
Entom o sábio respondeu: “Que fazes aqui tu que és forte e inteligente como um leom e estás pronto para lutar polas cousas que consideras justas comparando-te com um débil cervato ferido? O teu lugar é procurar as necessidades de quem te precisar e lutar por elas.
Eis as razões polas que escrevemos o Atlas:
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Porque a visom das cousas nom é a mesma para todo o mundo. Nós temos a nossa particular forma de ver a realidade presente, passada e futura. Há umha narraçom dos factos galega; umha forma de ver o mundo desde aqui e portanto umha versom galega de ver a história.
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Porque nom somos um débil cervato ferido. Somos um forte e poderoso leom que pode subverter a ordem “natural” das cousas; podemos lutar em vez de aguardar que nos chova do céu umha ajuda que nem Deus nos vai oferecer. Só nós devemos procurar a nossa ajuda.
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Só com grandeza da nossa alma e inteligência é que podemos solucionar os nossos problemas
