A empregada e o cliente

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Por Celso Álvarez Cáccamo

2 de junho de 2013

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Um diálogo típico num estabelecimento duma cidade da Galiza, por exemplo numa cafetaria:

 

A Empregada: ¿Qué le pongo?

O Cliente: Um cafezinho. Com leite.

Empregada: Muy bien, con leche.

Cliente: E algo doce também. Algo com chocolate. Que tem?

Empregada: Tengo brownies. ¿Quiere?

Cliente: Sim, ponha-me um.

Empregada: Son muy buenos.

 

Desde o balcão, minutos más tarde:

 

Empregada (cordial): ¿Le gusta?

Cliente: Sim, muito bom.

 

O Cliente termina e aproxima-se do balcão:

 

Cliente: Que lhe devo?

Empregada: Son cuatro con ochenta.

 

O Cliente deixa uma nota de cinco euros:

 

Cliente: Deixe assim. Obrigado.

Empregada: Gracias.

 

Apesar das aparências do diálogo, Empregada e Cliente têm uma cousa em comum: as duas pessoas falam a sua segunda língua, a que aprenderam e começaram a usar bastante depois da infância. É evidente polo acento. O Cliente tem uma curiosidade:

 

Cliente: A propósito, de que parte do Brasil é?

Empregada (sorridente): De Porto Alegre. ¿Lo conoce?

Cliente: Não, não conheço, mas gostaria de ir.

Empregada: Ah, sí, es muy bonito.

Cliente: Bom, até outra.

Empregada: Hasta luego, gracias.

 

O Cliente, que tem anos a pensar sobre isto das línguas, confirma para si: “Definitivamente, galego, português e brasileiro são a mesma língua. E @s seus falantes, sobretudo nativ@s, também são iguais”.

O Cliente não sabe quando mudaremos, se é que mudaremos. Nem se nos deixarão mudar, se… se é que na verdade existe algo “superior” que não nos deixa agora, em lugar de nós própri@s. Recuperar o valor social da língua (não reproduzir o poder económico, não manter a miragem puramente cultural) implica novas estratégias, novas posições de dignidade que desafiem o que parece “superior”.

 

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