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A crónica mais ‘heavy’: FestiAGAL’2009

António Carvalho – Na manhã de dia 24 chuviscava em Ourense, nada a ver com os dias anteriores, mas antes da partida para a capital heavy do reino europeu mais antigo presagiamos o pior, pois já todo o mundo sabe que em Santiago, além da Catedral e muitas outras cousas, também há chuva, muita chuva.

Com o carro carregado até rebentar com as últimas edições que soam em todos os corações dos amantes da língua do ‘metal’, iniciamos o que seria toda uma aventura de ritmos enfáticos: o FestiAGAL’2009.

Batendo o sol em Santiago!

A nossa ansiedade fez com que percorréssemos mais 60 quilómetros dos devidos: os solos de guitarra e a nossa sentida vivência da música mais vigorosa fizeram com que nem víssemos a saída para a auto-estrada de Santiago de Compostela e quando reparámos lá estávamos além do Ribeiro, em Melão… Mas não foi mal, os quilómetros a mais serviram para melhor digerirmos os sons amplificados.

Já em Compostela, na carvalheira de Santa Susana, homens e mulheres vestidos à última, com as t-shirts…, ou ainda melhor, camisetas NH / LH e os cabelos ao ar; todas/os a uma, colocaram o material na tenda agálica de vinte-e-cinco (25) metros quadrados, um palco suficiente para dar boa conta de alguma das nossas paixões: ‘metal’, agal, lusofonia e cerveja fria! E para completar a festa, em Santiago estava a bater o sol…

A norma mais heavy da Galiza

Depois de uma boa churrascada, com um vinho bem pelejão, iniciamos o FestiAGAL’2009 numa tarde, serão e noite de dia 24 que deixaram os primeiros bons-sabores: as camisetas made in Seioque… AC / DC, os Túzaros e a norma mais heavy da Galiza, chamaram… e muito, a atenção. E a lado mesmo, tínhamos o Bibliocafé da AGLP, cujo pessoal nos ofereceu um bom café, claro, para acalmarmos a nossa euforia!

As primeiras visitas confirmaram o que seria tendência durante os dois dias: o pessoal gosta da festa, do humor e da boa conversa, essencial para explicarmos uma visão que algumas e alguns teimamos seja o caminho certo: ‘Metal’ rima com AGAL! Isto é, conforme uma tradução livre e já bem conhecida da gente de Seioque…, Galego e Português a mesma ______ É!

Mas não só estivemos na nossa tenda, pois pelas 17h30 o presidente mais ‘metálico’, Valentim R. Fagim, lançava o seu Do Ñ para o NH na Galeria das Ideas, justo depois da AGLP ter apresentado o volume Língua e Sociedade. Embora as horas não eram as mais próprias para degostar da voz e as falas frenéticas do Valentim, o espaço esteve quase cheio e o evento deu para ver que o manual de cozinha linguística vai caminho de ser um dos grandes sucessos editorais do ano.

Mas a coisa não ficou por aqui. O concurso ‘Air Guitar’ chamou a atenção de vários cabeludos durante o serão, o Planeta NH fazia os seus primeiros adeptos e o Estudo Crítico, vinte anos depois, (2ª edição) tornava num dos livros mais populares da tenda… E isso era só a véspera, pois o mais grande estava por chegar!

 

Um momento dos treinos no concurso ‘Air Guitar’


De manhã, nas manifes; à tarde NH / LH

Sem tempo para estarmos totalmente cansas/os, pois a noite deu ainda para dormirmos 4 horas, pontualmente estávamos na Alameda compostelana por volta do meio-dia de 25 de julho, com uma banca em que mostrávamos os topos nas vendas da língua do ‘metal’ desta temporada.

A acolhida foi boa, e mais ainda porque a nossa presença lá deu para falarmos com diversas pessoas e mesmo intercambiarmos gostos musicais com a gente do Novas, que acaba de editar um disco para presentear todo o pessoal que apoia o seu projeto, igualmente comprometido no mercado do ‘metal’.

E já a tarde a apoteóse, o frenesi, e o alargamento do género fez com que o ‘metal’ se diversificasse e chegasse aos amantes do todos os estilos. O dicionário e-Estraviz concorreu com o dicionário da RAG, num duelo em que o pessoal exigiu e muito (se calhar não está bem dizermos, mas o primeiro passou por cima do segundo); onde o Planeta NH foi descoberto por muitas pessoas e onde livros como Bandeiras da Galiza ou a Origem Certa do Farol de Alexandria, esgotaram existências.

A heterogeneidade do pessoal que se aproximou até aonde nós, atraído pela poder do heavy metal, deu para que alguma gente que ainda não sintoniza estações de rádio reintegracionistas ficasse a saber o que era isso do NH ou do LH, e as reacções foram do melhor… quase sempre.

E assim correu a sobremesa, a tarde, o serão… e a primeira hora da noite. O som do ‘metal’ mais ouvido na tenda agálica, a música dos Túzaros, algum de cujos ex-integrantes também nos visitou, silenciou por volta de 22h00 para deixar que os concertos marcados para essa hora no Festigal tomassem o revezamento, com a promesa de o NH / LH também ser protagonista da noite musical.

Balanço: o ‘metal’ está vivo e é mais necessário do que nunca!

Sem tempo para muito mais algumas e alguns não ficamos para viver a noite e madrugada de 25; agora sim, tínhamos de voltar para a terra das termas, da água quente milagreira. E desta vez demos certo no caminho!

 

Foto-reportagem do FestiAGAL’2009


E ainda em Causa GZ…

P.S. 1: A norma mais heavy da Galiza, o ‘metal’, também esteve presente com toda a gente que reivindicou e comemorou o dia 25 de julho a lado da plataforma Causa Galiza. Aí, outros integrantes e seguidores do ‘metal’ agálico marcaram presença. Nós não temos o dom da ubiquidade, mas pelo vivido no parque de Belvis na madrugada de 24, na festa organizada por Briga, o ambiente teve de ser de arromba durante todo o dia 25.

P.S. 2: Decidimos não colocar na crónica nomes, pois esqueceríamos alguns, mas ficamos gratos com todas as pessoas, muitas, que nos visitaram, deram apoio ou até nos criticaram. Para todo o mundo o melhor do melhor!

P.S. 3: Sabemos que o presidente ‘metálico’ esgotou várias canetas e canso de autografar tantos manuais, a partir de hoje está a desfrutar de um bom e merecido repouso. Mas a tourné continua…

P.S. 4: Embora fosse muita a procura, ainda ficam camisetas NH / LH. Não percas a oportunidade e pede a tua escrevendo para secretaria [ arroba ] agal-gz.org.

 

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