PGL – A Gentalha do Pichel realiza neste sábado, dia 31, um novo roteiro pola zona histórica de Compostela na seqüência da visita aos Lugares de Memória. Como em convocatórias anteriores, contarám com um convidado que os ajudará a interpretar diversos espaços. Nesta ocasiom, o especialista será o nosso colaborador Ernesto Vázquez Souza.
A saída do roteiro está combinada para as 17 horas da Praça do Pam (Cervantes), e algum dos lugares que se visitarám e conhecerám em chave histórica, cultural e lingüística som a Rua da Troia, Sam Martinho Pinário, Sam Francisco, a faculdade de Medicina, a Rua das Hortas, a Rua do Pombal, a Alameda, a Praça da Galiza, a Rua do Vilar, a Rua do Franco, o Colégio de Fonseca ou a Praça de Maçarelos, entre outros.
A seguir, reproduzimos a auto-biografia de Ernesto Vázquez Souza, guia do roteiro.
Nasci na Crunha, em 1970, numa família de classe meia, mas pouco convencional. Na minha casa não se falava muito galego, mas a minha mãe tinha, entre outros, algum daqueles livros de Galáxia e Akal. Estudei num colégio de curas (de ai a minha atracção polo laicismo) onde também não se falava galego. Aprendi história local, a conversar e a saudar com o meu avô, num passeio ritual entre a estátua de Pondal, o Obelisco e a de Curros.
Caminhei muito pola Galiza rural nos 80, e decidi-me por falar a língua comum com os amigos, polas tascas e pubs (sempre muito didáticos). Entre 1989 e 1993, assisti a dorminhentas aulas na UdC, onde cursei 3 medíocres anos de Hispânicas e 2 excelentes de Galego-português. Porém, o que mais gostei de história e literatura apanhei-o na Biblioteca do Circo de Artesãos. Acabei a carreira, e trabalhar, apenas era possível em cousas soltas.
Morreu meu avô e herdei humor, um relógio, um Divino Sainete, um Pondal, um par de Valle-Inclán, quatro ou cinco Biblioteca Gallega e muitos livros locais. Depois, sob magistério conversador de X. M. Dobarro tomei muitos imperiais com gente interessante e andei a pesquisar por arquivos e bibliotecas galegos, também por Cuba e Uruguai (1994). Comecei a investigar em 1995 sobre Ánxel Casal, o que me reencontrou com a história republicana dos vizinhos da Pescadaria e me abalou o que aprendera.
Andei muito por Compostela entre o Sarmiento, Fonseca e as Ánimas, apanhei bons amigos. Reflecti, escrevi alguma cousa e completei um aborrecido programa de Doutoramento (1995-97). Polo Verão de 1996 fui de Intercampus a Pelotas (RS) e tomei mate no Brasil gaúcho. No ano seguinte defendi uma tesina sobre Scórpio de Carvalho Calero; fui durante um trimestre primaveral professor de língua e cultura galega para o Cervantes, em Chicago e ganhei uma Bolsa de investigação da Deputação da Crunha para pesquisar sobre a sua Biblioteca.
Em 1998 andei de leitor em Montevideu, comprei livros em Tristam Narvaja e aproveitei para ler e conversar entre mates, lá e em B. Aires. Voltei, protestei polos pagos, polemizei sobre tema vário e encontrei-me com sona de maleducado e fora dos circuitos académicos. Defendi a fins de 2000 a minha tese (que não foi prémio extraordinário) e peregrinei com uma Bolsa de postdoutoramento polos arquivos espanhóis (Alcalá, Salamanca, Madrid, Valhadolid). Daquela escrevi alguma cousa sobre livros e repúblicas, enquanto iam-me fechando muita porta.
A que é minha mulher ganhou uma vaga de funcionária em Valhadolid e, dado que o futuro era mouro pola Galiza, e por não variar, emigrei. Procurei a vida em diversos ofícios e aprendi algo de imprensa e de carpintaria. Desde 2004, por acaso e até que disponham, trabalho para a Biblioteca da UVa. Agora, ando sem tempo, colaboro com a Casa de Galiza local, passeio com o meu filho, reconheço a minha pátria dispersa pola internet. Às vezes, até leio bons livros.

+ Ligações relacionadas:
- Outros roteiros da Gentalha do Pichel
- O operário em construção [secçom de Ernesto Vázquez Souza no PGL]
- «De cânones e canões»: Apresentação [Velho PGL, 28/03/2006]
