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Presidente da AGAL inicia colaboraçom em Xornal

PGL – O presidente da Associaçom Galega da Língua, Valentim Rodrigues Fagim, é um dos novos colaboradores da secçom de opiniom do diário Xornal. Fagim continua assim com a anunciada táctica pedagógica que assumirá a associaçom nos próximos quatro anos e que terá por finalidade tentar chegar a todas as pessoas.

Com a do Xornal, o presidente da AGAL colaborará em mais umha secçom de opiniom, que se somará ao seu compromisso com o Novas da Galiza e o Portal Galego da Língua (intitulada Língua nacional).

Oferecemos a seguir o primeiro texto na íntegra:

Hipátia de Alexandria era, se aceitamos a imagem que dela nos dá o filme de Amenábar, umha mulher teimosa. Entre os muitos temas que a desassossegavam estava o cosmos. Era a Terra o centro do universo ou era o Sol? E, se era o Sol, como se explicava que a distância entre o nosso planeta e o astro rei nom fosse a mesma durante todo o ano?

Hoje já temos a resposta: a terra descreve umha elipse arredor do sol, nom um círculo. A questom que hoje nos parece óbvia nom o era aos olhos de Hipátia. Por quê? Ela afinal era umha pessoa excepcional, curiosa, inteligente… mas, se continuamos a nos fiar do filme, Hipátia tinha umha limitaçom, umha limitaçom que temos todos e todas em maior ou menor medida: era filha da sua época.

Na etapa histórica que lhe tocou viver, o círculo era considerado a perfeiçom. Portanto, o universo devia estar ordenado em círculos. Será apenas quando ela decida romper com o aprendido que chegará à elipse. Enfim, obviar velhos esquemas para sobrevoar o campo todo e sair do recanto.

Como dizia, todas estamos presas ao nosso tempo. Na área da língua, que é a minha especialidade, as cousas nom som diferentes. Assim por exemplo, os nossos pais e avós foram sociabilizados em que:

Galego = limite

Explicado por extenso seria: a língua que eles falavam era um linguajar regional com umhas funçons limitadas.

Como sabemos, após o franquismo houvo um movimento social que revalorizou a língua, o que provocou a reacçom de grupos sociais contrários a essa tentativa de reestruturaçom. Um dos seus produtos foi umha outra equaçom, variante da anterior:

Galego = problema

Em minha opiniom, o nacionalismo galego, preso nos seus círculos particulares, nom conseguiu romper estas equaçons, que som poderosas porque assentam na realidade: para muitos galegos, sobretudo citadinos, o galego é umha carga, é prescindível. Nom presta.

A resposta tem sido sobretudo de natureza identitária: o galego é a língua do país, é a nossa, por isso deve ser preservada. Esta estratégia, ainda que imprescindível, tem-se evidenciado limitada.

Qual é entom a elipse da língua?

O galego é umha oportunidade porque é umha língua internacional que nos abre as portas do Brasil, de Portugal ou de Angola do mesmo jeito que o castelhano nos abre as da Argentina ou o México. Assim sendo, a Galiza pode ser o único país do planeta onde português e castelhano sejam línguas sociais e oficiais. Isto traduzido em linguagem técnica diz-se:

Galego = vantagem competitiva.

Em linguagem coloquial:

Ser galego = viver melhor.

Ora, para implementar isto há que obviar velhos esquemas, sobrevoar o campo todo e, enfim, sair do recanto.

 

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