Pancho Casal: “Há que avançar na oficialidade das duas formas escritas do galego”



pancho-casalPancho Casal é o candidato da Marea Galeguista, entrevistamo-lo com motivo da convocatória eleitoral para o Parlamento da Comunidade Autónoma Galega prevista para o próximo 12 de julho. Há uns dias publicamos também as respostas da candidata polo BNG, Ana Pontón. Do candidado de Podemos Galiza Antón Gómez-Reino e do Partido Popular.

Nos textos da vosssa coligaçom falades de avançar num modelo binormatista. Em que medida e prazos pensa que se poderia concretizar?
A língua própria do país é a nossa maior obra coletiva e é por isso que temos que dar-lhe uma atenção preferente. Um idioma que permite a comunicação no mais achegado e que também é uma janela que abre caminhos globais e favorece especialmente uma relação e fluxos com os países lusófonos.
Num contexto em que há uma perda de falantes de galego, tornar-se-á prioritário promover o uso transversal do galego em todos os âmbitos, atualizar as ferramentas disponíveis, assim como o discurso linguístico, para adaptarmo-nos à situação atual e com o objetivo de apostar pelo galego como uma língua de coesão social.
Para além disto, claramente há que avançar na oficialidade na Galiza das duas formas escritas do galego, porém isto não é um tema de prazos ou de tempo, embora seja um tema de vontade política e de consciencialização da cidadania.

Claramente há que avançar na oficialidade na Galiza das duas formas escritas do galego, porem isto não é um tema de prazos ou de tempo, embora seja um tema de vontade política e de consciencialização da cidadania.

Se chegassem à presidência da Junta, como pensades desenvolver a Lei Paz Andrade?
Até o dia de hoje a Lei Paz Andrade que foi aprovada em 2014,  ficou vaziada ao não ter partida dos orçamentos para o seu avanço pleno. Ficou parada na substancialidade da mesma, se bem é certo que é um grande progresso no achegamento entre a Galiza e Portugal. Mas o governo do PP na Junta da Galiza não tem previsto fundos para a sua posta em funcionamento nem um desenvolvimento serio da lei. De facto, só com olhar as vagas de professorado de português na Galiza desde que foi aprovada a lei é suficiente para perceber do que estamos a falar. Ou já, sem ir mais para além, só com  olhar o escaso índice de uso e fala do galego entre a juventude, isto já é indicativo de por onde vão as políticas linguísticas na Galiza.

Contemplades avanços concretos para a introduçom do português no ensino formal?
O avanço tem que ser para além da própria carga didáctica, a aprendizagem da língua tem que ser feita do lado de experiências vividas, quer isto dizer, temos ferramentas como o Erasmus+ que teria que ser explorada para fomentar os intercâmbios entre os liceus de Portugal e os IES da Galiza, também existem ferramentas europeias a este nível na formação profissional. Temos que olhar as vantagens da nossa vizinhança e da nossa posição dentro da União Europeia.
Baixo o próprio texto legislativo da Lei Paz Andrade, introduziremos o português no ensino meio, criando as necessárias vagas de professorado para imparti-lo. Ofertaremos língua portuguesa em todas as EOI de Galiza.

Considerades avançar para a integraçom oficial na CPLP?
Esta é uma petição que é competência exclusiva do estado espanhol, dentro das relações internacionais. Porém, o poder autónomico da Galiza deveria trasladar ao governo do Estado a possibilidade de que o Presidente da Junta da Galiza agisse como delegado do Estado na CPLP. Existem ferramentas legais e diplomáticas para fazer isto possível. Para nós é vital a Galiza estar presente na CPLP como membro de pleno direito.

O poder autónomico da Galiza deveria trasladar ao governo do Estado a possibilidade de que o Presidente da Junta da Galiza agisse como delegado do Estado na CPLP. Existem ferramentas legais e diplomáticas para fazer isto possível. Para nós é vital a Galiza estar presente na CPLP como membro de pleno direito.

Avançaríades para a emissom das televisons portuguesas na Galiza?
Este é um tema presente na Lei Paz Andrade. Televisões, jornais, rádios e resto de meios teriam já que estar presentes na Galiza. Mas como todo o que envolve a Lei Paz Andrade foi um grande acordo, com grandes medidas, um bom envelope mas que não conta com os orçamentos previstos para seu desenvolvemento.
Já existem propostas conjuntas de produções para a televisão, mas que não afundam nos usos linguísticos de uma e da outra beira do Minho. As séries coproduzidas para a televisão, por um exemplo, são dobradas por atores que eliminam o sotaque da ecuação de aproximação linguística.  Temos que avançar na legendagem em português destas co-produções, temos que avançar na introdução na Galiza da rica produção audiovisual do Brasil. A lusofonia não entra unicamente em Portugal, entra na Angola, Macau, Timor-Leste,… A nossa proximidade com Portugal tem a suas vantagens, porém o contato com a lusofonia tem que ser para além do eixo Atlântico europeu.
Se bem que, sendo possibilistas e pragmáticos, o mais fácil neste caso é dar entrada às televisões portuguesas na Galiza.

Como valorades a homenagem a Carvalho Calero este ano, pensades que pode servir-nos para reconsiderar a orientaçom da língua?
Carvalho Calero era de justiça que tivesse um ano das letras, sempre é bom visualizar todas as realidades. Também achamos que seria bom homenagear autores galegos que foram relevantes figuras em Portugal. Um deles é o Pedro Guisado, autor de “Xentes d’aldea”. Um livro com desenho da capa de Castelao e editado e impresso em Lisboa na década de 20 do século XX. Outra pessoa a resgatar é a Matilde Rosa Araújo, de pais galegos e nascida em Lisboa, é uma das grandes autoras de literatura infantil do século XX, vários contos seus foram editados por a editora Ir Indo na Galiza.

[Este questionário foi respondido por escrito e originariamente em reintegrado]


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  • Sèndagu

    Se as duas regras envolverem EXATAMENTE a mesma pronúncia, a mesma gramática e o mesmo vocabulário, poderá-se prosseguir. Se a variação escrita implica soluções diferentes, estamos enfrentando outra versão achafalhada do “café para todos” e a consolidação de 2 idiomas diferentes