O processo bolivariano (I) – Umha revoluçom minada?

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Por J. Alberte Corral Iglesias

Escrever hoje sobre o que está a acontecer na Venezuela obriga-nos a sublinhar que a política sempre expressa as relaçons de força e interesses de classe. E que toda a política se produz no quadro da luita de classes. Hoje, Washington junto a Wall Street e os grandes consórcios financeiros (Bancos, Entidades de Seguros, etc.) com as suas instituiçons para o saqueio, FMI, BM, etc. declarárom a guerra às classes trabalhadoras de todo o planeta. Nesta conflagraçom abrolha o processo bolivariano como facho guieiro para a construçom do socialismo, o que marca a sua grande importância nesta guerra. Ponderar sobre o acontecido nas últimas eleiçons para a Assembleia venezuelana adquire portanto umha grande importância. Examinar os fatores que intervinhérom e como operárom para que se desse esse resultado, que nom é precisamente o aguardado polo movimento chavista, constringe-nos a refletir sobre o acontecido, as suas causas e razons.

Tampouco devemos esquecer que a política nom é outra cousa que a condensaçom da economia, força e interesses. E portanto dentro das forças autonomeadas de oposiçom, existem com grande peso organizaçons contra-revolucionárias financiadas pela USAID e a NED. Deste jeito podemos afirmar que hoje os USA estám na Assembleia Nacional da Venezuela, da qual se servirám como estrado para levar a cabo a destruiçom dos avanços sociais e políticos acadados polo processo bolivariano.

A Venezuela tem a maior reserva do petróleo do mundo, (o lago Maracaibo, a faixa do Orinoco, etc.) e com a grande vantagem para a sua exploraçom de que o seu veio está no continente e é de doado acesso. Foi a revoluçom bolivariana quem fizo retroceder as políticas ditadas polo FMI e o BM para o saqueio do petróleo e entrega posterior às transnacionais, das quais a família Bush fai parte. Que os distintos serviços de inteligência norte-americanos conspirem contra a democracia venezuelana está na sua própria razom de ser. Venezuela jogou um papel crucial na constituiçom do ALBA; hoje os países que formam parte deste Organismo nom só instituírom umha unidade monetária de conta, o SUCRE, senom que estám começando a operar com a mesma, principiando a desbotar o dólar como moeda de transaçom internacional. A criaçom do ALBA significou a derrota do ALCA que era a consolidaçom do imperialismo norte-americano para a América Central e do Sul. A miseralizaçom do México atual é a constataçom das consequências da aceitaçom do ditado do imperador Bush pola oligarquia mexicana. A agricultura do país asteca está desbaratada e hoje nom é capaz de produzir suficiente milho para alimentar a sua própria populaçom, quando antes era excedentária. Ignacio Ramonet descreve-nos a desestruturaçom de México: “… três guerras: a dos cartéis do narcotráfico entre si polo controlo de territórios, a dos grupos Zeta (organizaçons delitivas constituídas por ex-militares e ex-polícias) que praticam o sequestro e o roubo contra a populaçom civil, e a dos militares e forças especiais contra os próprios cidadaos”. O abastecedor, mais de 90%, das armas tanto dos cartéis, dos Zetas, do Exército e da polícia som os USA

Nom é casual que os últimos Golpes de Estado na América Latina fôrom dados em Repúblicas pertencentes à ALBA: Venezuela, Bolívia, Equador, Honduras, enquanto nos três primeiros nom calhárom, nom foi assim na República das Honduras onde os golpistas auspiciados polos USA estám atualmente no poder com umha política de repressom e morte contra os movimentos populares e os seus quadros.

É importante sublinhar o valor estratégico do petróleo venezuelano para a economia gringa. O tempo de transporte polos grandes petroleiros da Venezuela até os EUA tem umha duraçom de 4 dias, esse mesmo petroleiro desde o Golfo Pérsico demora 4 semanas. Tampouco podemos esquecer a sua importância estratégico-militar, foi com petróleo venezuelano como se mantivo a estrutura militar de Estados Unidos da América durante a II guerra mundial.

Fatores do desencanto

A corrupçom, a delinquência, a ineficiência, impunidade, som os quatro ginetes do Apocalipse que minam e levarám à ruína a revoluçom venezuelana senom se lhe pom fim. Derrotar estas eivas é fulcral nom só para o processo bolivariano como também para a política emancipadora que se está a construir em muitas das naçons Latino-americanas. No decurso da açom revolucionária conta tanto a percepçom por parte da cidadania do cotiám como as grandes modificaçons estratégicas e estruturais. É de tanta importância o emocional como o racional para levar adiante umha revoluçom. A permanência da corrupçom e a impunidade para com os corruptos nom é entendida polo conjunto das classes trabalhadoras. Ilustremos com um exemplo: No tempo do anterior governo na “Alcaldia Mayor” de Caracas a muitos dos seus trabalhadores durante quatro anos descontárom-lhes dos seus ordenados as contribuiçons para a Segurança Social e as Prestaçons Sociais; pois bem, nunca fôrom depositadas nos organismos correspondentes. Portanto aos empregados da “Alcaldia Mayor” nom só se furtárom os quartos senom que tampouco aparecem como contribuintes da Segurança Social para os direitos de reforma. Hoje, esse alcaide que presumia de “vermelho-vermelhinho” é articulista de um dos jornais que conspira com o exterior para derrubar o processo bolivariano. Algo semelhante está a ocorrer hoje no Ministério para as Relaçons Interiores e a Justiça; nalguns dos seus Departamentos aos seus empregados descontam das suas remuneraçons os montantes para a S.S. e a P.S. e demoram em depositá-los na instituiçom correspondente: assim durante uns meses “alguém” está percebendo uns juros por os manter numha conta bancária.

O desenvolvimento da economia venezuelana nestes últimos anos achegou-se aos dous dígitos quando nom o foi, o que fizo desse País ser de novo território de receçom de emigrantes; pois bem, funcionários responsáveis da área de emigraçom mercam quintas ou apartamentos de grande luxo em urbanizaçons exclusivas para grandes milionários. O modo como tais funcionários se fizérom em poucos anos ricos foi cobrando desde 5.000 até 6.000 dólares polo visto de residência a emigrantes recém-chegados como turistas.

As polícias na Venezuela correspondem aos Estados e aos Concelhos, nom existe umha polícia nacional – está em processo de criaçom –, agás das funçons policiais da Guarda Nacional bolivariana, semelhante à Guarda Civil espanhola. É bem rechamante que o maior carecimento dos delitos, incluído assassinato e sequestro, sejam nos Estados (Miranda, Tachira, Zulia) governados pola contra-revoluçom. Esta desmesura exponencial do crime manifesta a deserçom dos arrabaldes das cidades venezuelanas tanto da Administraçom Central como das distintas Administraçons Estaduais, nom cumprindo portanto as suas obrigas de proteçom da cidadania, deixando-a desamparada perante os matulons e matachins que assolam os bairros populares, obrigando assim os seus habitantes a viver fechados nos seus “ranchos” a partir das primeiras horas da tarde para evitar ser violentados financeiramente ou fisicamente. É de constatar que som os operários e demais trabalhadores os moradores dos arrabaldes. Que som as classes populares as que suportam este terrorismo consentido de facto polas distintas Administraçons públicas. Porquê senom é possível que uns vinte mil delinquentes tenham amedrontados trinta milhons de pessoas? Porém, temos que consignar a insuficiência dos rendimentos monetários e nom monetários recebidos polos membros dos corpos policiais, a maioria dos salários nom permitem alugar um apartamento nos arredores das cidades e à vez sustentar com o par umha família. Também muitos destes corpos policiais carecem de apólices de defesa jurídica; portanto nom admira que até 20 porcento dos delitos sejam cometidos por membros das polícias, segundo declaraçons do Ministro de Interior venezuelano. Frente a esta situaçom, tanto a velha burguesia como a consolidada boli-burguesia nascida com a rapina pecuniária dos contratos e atividades públicas, residem em urbanizaçons com vigilância privada, guarda-costas, e todo-o-terrenos 4×4. Estes dous grupos sociais constituem realmente umha mesma classe, tanto na suas caraterísticas de poder económico e social como nas suas perspetivas de domínio sobre a totalidade social. Apesar de que algum dos membros da boli-burguesia se encha a boca com dizer que é “vermelho-vermelhinho”.

A ineficiência da burocracia pública, desde Ministros, Juízes, Diretores das Empresas Públicas, Administrativos, até o último contínuo, patenteia-se tanto em dilapidar os distintos orçamentos, em construir monumentos caros e vougos, quando esses recursos som precisos para reabilitar moradias nos bairros, nos infernais transportes de viageiros nos arrabaldes, na recolhida do lixo e o mantimento das ruas nesses mesmos bairros, etc. A incapacidade de gestom de muitos alcaides na recolha do lixo chega até a pôr em perigo a saúde dos setores populares que moram nos arredores, dando couces na política sanitária levada a cabo pola Administraçom Central com a construçom de centos de Centros de Saúde, o Cardiológico Infantil – que é um dos poucos existentes especificamente para nenos na América Latina –, a constante criaçom de Centros de Diagnóstico Integral (CDI), de Salas de Reabilitaçom Integral (SRI), os Ambulatórios de “Barrio Adentro” que graças aos seus serviços salvárom milhons de venezuelanos.

Esta incompetência tem muito que ver tanto com a corrupçom como com o nepotismo. Tanto na IV República como na atual República Bolivariana os membros empregados das Instituiçons Públicas, agás dos altos cargos institucionais, nom som escolhidos através de provas objetivas de conhecimentos para a açom a desempenhar mas pola afinidade familiar ou política do poder político de turno. Entom o importante para ter um emprego na funçom pública nom é a capacitaçom mas o ser ou nom afim. Esta ineptitude é umha grande peja que trava o Processo revolucionário venezuelano. A corrupçom é consubstancial ao capitalismo, som identidades. Este nom pode existir sem a sua institucionalizaçom na lei ou em parelho da mesma. Que o suborno seja um dos vetores de enriquecimento na República Bolivariana da Venezuela e fique impune, prova o divórcio entre o manifestado nos discursos e a prática, e também a carência de recursos e vontade para a combater.

Máis de Jose Alberte Corral Iglesias