Madredeus, grupo musical português de grande fama mundial



madredeus-foto-do-grupo-por-diario-de-noticiasDentro da mini-série que estou a dedicar a pessoas coletivas lusófonas, e, em concreto a grupos musicais da Galiza e de Portugal, não podia esquecer-me de nenhuma maneira do grupo português Madredeus, que, com toda justiça, está considerado como um dos de maior projeção mundial, depois de ter atuado em numerosos países do planeta, além de, como é lógico, Portugal e os Açores. Madredeus levou a sua extraordinária música e as suas canções aos seguintes países lusófonos: Brasil, Angola, Cabo Verde e Macau. Também a outros 40 países do planeta, como Coreia do Norte, Noruega, Japão, México, Colômbia, Bélgica, Sérvia, Grécia, Itália, Espanha, França, Alemanha, Suiça e o Reino Unido.

O grupo foi criado na cidade de Lisboa no ano 1985, por um coletivo de pessoas integrado por Pedro Ayres Magalhães, Rodrigo Leão, Francisco Ribeiro, Gabriel Gomes e a cantora Teresa Salgueiro. É este o número 56 da série de artigos dedicada à Lusofonia.

UMA PEQUENA BIOGRAFIA DO GRUPO

De forma sintética apresento uma singela biografia dos Madredeus. Os membros fundadores do grupo foram Pedro Ayres Magalhães (guitarra clássica), Rodrigo Leão (teclados), Francisco Ribeiro (violoncelo), falecido em setembro de 2010, Gabriel Gomes (acordeão) e Teresa Salgueiro (voz). Magalhães e Leão formaram a banda em 1985, Ribeiro e Gomes juntaram-se a eles em 1986. A Teresa Salgueiro descobriram-na cantando fados com uns seus amigos num local noturno lisboeta, sendo de imediato convidada a entrar no coletivo, o qual ainda não tinha nome. Em 1987, o local de reunião e trabalho do grupo era a antiga igreja do Convento das Xabregas no bairro lisboeta chamado Madredeus, onde estava aposentado o Teatro Ibérico. Este local foi o estudo de gravação de um LP duplo (convertido em CD mais tarde) de 19 temas musicais sob o nome de Os Dias da MadreDeus, e com bom critério a todos pareceu-lhes adequado o nome de Madredeus para o coletivo que tinham criado, que terminou por ser muito popular no Portugal daquela altura. Por médio da sua música de fusão, que lhe dá de novo vida ao fado e incorpora sons próximos ao classicismo e ap “pop”, o grupo tardou pouco em converter-se numa banda emblemática para a história da música popular de Portugal. O elemento instrumental tem um grande peso no coletivo, embora, também lhe deva muito à voz rica em matizes da sua solista vocal Teresa Salgueiro.

Por médio da sua música de fusão, que lhe dá de novo vida ao fado e incorpora sons próximos ao classicismo e ap “pop”, o grupo tardou pouco em converter-se numa banda emblemática para a história da música popular de Portugal. O elemento instrumental tem um grande peso no coletivo, embora, também lhe deva muito à voz rica em matizes da sua solista vocal Teresa Salgueiro.

Os diretivos e roteiristas da companhia discográfica EMI ficaram fascinados com o trabalho e as peças musicais deles, e decidiram gravar e editar em 1987 o primeiro disco que vimos de citar, composto de 19 canções gravadas em direto pelo quinteto no convento lisboeta antes mencionado onde ensaiava o grupo. A 29 de novembro de 1987 o grupo debuta e atua na cidade do Porto, e no dia seguinte em Lisboa, acompanhando ao grupo Sétima Legião, que apresentava o seu disco Mar de Outubro. O público asistente logo apreciou que a sua música requeria uma nova atitude por parte do ouvinte. Nas primeiras entrevistas que concederam, os membros de Madredeus insistiram em que os arranjos instrumentais inspiravam-se nas tradições da música popular portuguesa, e que a sua intenção era despertar de novo o entusiasmo e o gosto pela cantiga em idioma português. O grande sucesso do seu primeiro álbum foi imediato e quase que inesperado. O que levou ao coletivo a realizar um projeto musical estável, com edição posteriormente de novos discos: Existir (1990), Lisboa (1992), O Espírito da Paz (1994) e Ainda (1995).

madredeus-foto-do-grupo-por-musica-em-pautaO disco Existir foi gravado nos estúdios Namouche de Lisboa. Depois de três anos de percurso musical, finalmente, esta era a primeira experiência do grupo num estúdio de gravação, e foi aí onde conheceram o produtor António Pinheiro da Silva, que fora membro das bandas portuguesas mais influentes da década de setenta: Perspectiva e Banda do Casaco. O relacionamento com ele facilitou a edição e produção conjunta do disco Existir, e uma frutífera colaboração até o ano 1996. Em 1991 gravaram ao vivo o seu duplo álbum Lisboa. O disco inclui a presença de artistas convidados, e entre eles o grande mestre de guitarra portuguesa Carlos Paredes, e uma coral de 80 vozes vindo das ilhas Açores, especialmente para o concerto. Neste mesmo ano de 1991 Madredeus atuou no Estado Espanhol por primeira vez e, em concreto, na cidade de Barcelona. Um ano mais tarde na Exposição Universal de Sevilha, e, em 1993, a EMI decidiu lançar o grupo ao circuito internacional com digressões e concertos por Alemanha, Bélgica, Grécia e Espanha. Pedro Ayres, que já estava envolvido num projeto paralelo com o grupo Resistência, convidou o guitarrista José Peixoto para que o substituísse nalguns concertos, o que deu lugar a que Madredeus se convertesse num sexteto. Entretanto, Rodrigo Leão levava a cabo um projeto pessoal, que foi causa duma temporal ausência do grupo, denominado Rodrigo Leão & Vox Ensemble, em que explora a experiência da música religiosa. Com este projeto chegou a editar dous discos: Ave mundi luminar (1993) e Mysterium (1995).

madredeus-foto-do-grupo-por-tv124Em 1994 o grupo iniciou as conversas com o cineasta germânico Wim Wenders, que preparava a rodagem de um filme sobre Lisboa, como capital europeia da cultura nesse mesmo ano, e queria usar algumas das cantigas de Madredeus para a banda sonora. Finalmente, o grupo compôs toda a música original da longa-metragem de Wenders, que teve um grande sucesso, tanto para a difusão do filme como do grupo Madredeus. Na mesma primavera de 1994 lançaram o seu novo disco, cujo título recolhia as impressões que o público estrangeiro tinha perante as canções do grupo, sob o título de O Espírito da Paz. As nove canções foram apresentadas ao público geral num concerto memorável que teve lugar no mosteiro da Batalha (onde os portugueses derrotaram às infames forças castelhanas no seu dia, na denominada “Batalha de Aljubarrota”). Mais tarde o grupo volta para Lisboa, com o objetivo de participar no concerto organizado em homenagem ao cantor Zeca Afonso, no estádio de Alvalade da capital portuguesa, e mais tarde para tocar no Coliseu do Porto no mês de julho. Foi aí onde Rodrigo Leão anunciou publicamente a sua decisão de deixar o grupo Madredeus, incapaz de seguir o ritmo exaustivo de trabalho do coletivo e preferindo consagrar-se à sua carreira musical em solitário. Também para mostrar que os portugueses são “galegos aperfeiçoados”, com os mesmos problemas típicos de relacionamento e as “susceptibilidades”, que acontecem entre os indivíduos tanto nos grupos portugueses como nos galegos. No prazo de uma semana Leão foi substituído no grupo por Carlos Mª Trindade, que já integrou o coletivo nos seguintes concertos e digressões.

Em março de 1995 editam o disco Ainda, banda sonora original do filme de Wenders Lisbon Story, do que falamos antes, com que também filmaram os videoclipes das cantigas Céu da Mouraria e Alfama. Rodrigo Leão volta a aparecer no grupo neste disco. No mês de abril o grupo deslocou-se às ilhas Açores para tomar parte num documentário dedicado ao grupo, dirigido pelo holandês Rob Rombout. Em novembro atuam em Lisboa durante a apresentação do livro Um Futuro Maior da autoria de Jorge P. Pires, que relata a biografia dos Madredeus.

Ao longo do seu roteiro histórico Madredeus teve na sua constituição diversas mudanças de membros. O quinteto inicial (Salgueiro, Ribeiro, Ayres, Gomes e Leão) passou a ser um sexteto com a incorporação do guitarrista José Peixoto, precisamente antes de gravar o disco O Espírito da Paz. As extensas turnés do grupo por muitos países do mundo, apresentando os seus discos mais famosos e apreciados alargaram enormemente a  sua fama, até ser considerado o coletivo de mais cotado e importante da música portuguesa de todos os tempos.

Ao longo do seu roteiro histórico Madredeus teve na sua constituição diversas mudanças de membros. O quinteto inicial (Salgueiro, Ribeiro, Ayres, Gomes e Leão) passou a ser um sexteto com a incorporação do guitarrista José Peixoto, precisamente antes de gravar o disco O Espírito da Paz. As extensas turnés do grupo por muitos países do mundo, apresentando os seus discos mais famosos e apreciados alargaram enormemente a  sua fama, até ser considerado o coletivo de mais cotado e importante da música portuguesa de todos os tempos.

Em dezembro de 2005 Teresa Salgueiro editou um disco sob o título de Obrigado, em que reúne 14 colaborações com outros tantos artistas que foram registadas entre 1991 e 2004. Entre os nomes que acompanham a cantora destacam Maria João, José Carreras, Caetano Veloso, Jah Wobble e o gaiteiro galego Carlos Nuñez.

Na atualidade fazem parte dos Madredeus os seguintes membros (entre parênteses figura o ano em que se incorporaram a Madredeus):

  -Beatriz Nunes, voz (2012).

  -Pedro Ayres Magalhães, guitarra clássica (1985).

  -Carlos Mª Trindade, teclado (1995).

  -Ana Isabel Dias, harpa (2009).

  -Jorge Varrecoso, violino (2012).

  -António Figueiredo, violino (2012).

  -Luís Clode, violoncelo (2012).

Nota: Um amplo depoimento sobre a história do grupo pode ser consultado na wikipedia.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

0.-Madredeus: Coisas pequenas. O Paraíso. Haja o que houver.

Duração: 15 minutos. Ano 2013.

  1.-Madredeus: O Paraíso (Ao vivo).

Duração: 8 minutos. Ano 2012.

  2.-Ainda.

Duração: 8 minutos. Ano 2010.

  3.-O Paraiso (14 canções).

Duração: 67 minutos. Ano 2019.

  4.-O Porto: Madredeus ao vivo.

Duração: 91 minutos. Ano 2019.

  5.-Concerto com a Flemish Radio Orchestra de Brugge.

Duração: 148 minutos. Ano 2019. DVD Euforia.

  6.-Madredeus: Concerto no Japão (Ao vivo, 1994).

Duração: 82 minutos. Ano 2016.

  7.-Madredeus: Haja o que houver. Oxalá. Vem, além de toda a solidão. Os foliões.

Duração: 17 minutos. Ano 2020.

  8.-Madredeus: O navio. Amanhã. Matinal.

Duração: 14 minutos. Ano 2020.

  9.-Madredeus: Ao longe o mar. A vaca de fogo.

Duração: 8 minutos. Ano 2016.

10.-Madredeus: Os moinhos. Pregão. Maio maduro maio.

Duração: 13 minutos. Ano 2014.

11.-Canção aos novos.

Duração: 10 minutos. Ano 2015.

12.-O Porto (Concerto no Coliseu do Porto, 4 de abril de 1998).

Duração: 103 minutos. Ano 2017.

13.-Coliseu ao vivo, 1991.

Duração: 57 minutos. Ano 2013.

14.-Madredeus no CC de Belém, em 1993.

Duração: 66 minutos. Ano 2013

15.-Existir.

Duração: 44 minutos. Ano 2017.

16.-Um Amor Infinito.

Duração: 70 minutos. Ano 2017.

17.-Faluas do Tejo.

     Duração: 45 minutos. Ano 2017.

18.-Movimento.

     Duração: 78 minutos. Ano 2017.

19.-Lisboa.

     Duração: 96 minutos. Ano 2017.

20.-Essência.

     Duração: 24 minutos. Ano 2013.

21.-Madredeus: Concerto em Belgrado-Sérvia, 2006.

    Duração: 42 minutos. Ano 2013.

DISCOGRAFIA BÁSICA DE MADREDEUS

  a.-Discos:

  -Os dias da Madredeus (1987).
-Existir (1990).madredeus-capa-cd-faluas-do-tejo
-Lisboa (CD duplo gravado em direto, 1992).
-O Espírito da Paz (1994).
-Ainda (1995).
-O Paraíso (1997).
-O Porto (1998).
-Antologia (2000).
-Movimento (2001).
-Euforia (2002).
-Um amor infinito (2004). 

  b.-Em colaboração com A Banda Cósmica:

  -Metafonia (2008).

  -A Nova Aurora (2009).

  -Castelos na Areia (2010).

  c.-Ao Vivo:

  -Lisboa (Coliseu dos Recreios de Lisboa, 1992).

  -O Porto (Coliseu do Porto, 1998).madredeus-capa-cd-lisboa

  -Eufória (Flemish Radio Orchestra, 2002).

  d.-Antologias:

  -Antologia (coletânea, com 2 cantigas inéditas, 2000).

  -Palavras Cantadas (canções do grupo de 1990 a 2000, dirigido ao público do Brasil).

  e.-Remixes:

  -Electrónico (releitura electrónica de vários temas, 2002).

  f.-Colaborações:

  -Filhos da Madrugada (“Maio Maduro Maio”, 1994).

  

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Visionamos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinemafórum, para analisar o fundo (mensagem) deles, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada ao grupo musical português Madredeus. Na mesma, além de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, discos, CDs e monografias.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino uma Audição Musical das mais famosas peças do grupo, em que participem alunos e docentes. A escolha das peças musicais da audição podemos fazê-la dos seguintes discos do grupo: O Espírito da Paz (1994), Antologia (2000) e O Porto (1998).

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.


PUBLICIDADE