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José Viale Moutinho novo académico de honra da RAG

PGL – Após a AGLP ter anunciado a eleiçom do sociolinguista Celso Álvarez Cáccamo como novo académico, a outra academia sediada na Galiza mas contrária à reintegraçom, a Real Academia Galega (RAG), anunciou que o poeta e ficcionista português José Viale Moutinho foi eleito a 20 de Dezembro de 2008, por unanimidade, novo académico  de honra dessa instituiçom.

Embora nascido no Funchal em 1945, Viale Moutinho desenvolveu quase toda a sua vida jornalística e literária no Porto, morando na actualidade na Madeira. Para além da adaptaçom que fijo de obras galegas como Memórias de um neno labrego (intitulado em português padrão como Memórias de um menino camponês), dedicou dous livros à Galiza que merecem destaque: Introdução ao nacionalismo galego e De foice erguida.

A sua Introdução ao nacionalismo galego tem o mérito acrescentado de ter sido publicado em Outubro de 73, durante a ditadura de Marcelo Caetano. Neste livro, para além de textos próprios, Viale inclui excertos do Sempre em Galiza e a Teoria do nacionalismo galego, publicada por Risco em 1920 quando como dizia Castelao, e lembra Viale Moutinho numha nota, Risco era alguém.

Também há vários textos da UPG e a enigmática autocrítica Uma lacuna grave se regista: a elisão do manifesto «Textos programáticos da União do Povo Galego», mas cujo teor adiante será apresentado nos seus essenciais extractos e na medida do possível; parece evidente que o autor nom reproduz o texto integro por culpa da censura; no mesmo livro fala da emoçom com que conheceu Otero Pedrayo.

O segundo livro em destaque dedicado à Galiza é De foice erguida. Poesia galega de combate. É do ano 1978 e Viale já nom toma as prudências do anterior: na capa figura um braço empunhando um fussil metralhador e no livro que começa com o Hino nacional galego (sic) abundam poemas tirados da imprensa da organização revolucionaria UPG, como ele lhe chama, ou de organizaçons afins.

Viale é um homem muito de esquerdas que publicou textos como Cancioneiro de Abril, estudo, entrevistas com autores e antologia da canção de intervenção. Muito interessado na guerra da Espanha tem livros dedicados a ela, como o conjunto de textos jornalísticos No pasarán!,como era de aguardar, Viale Moutinho, diferencia nesta obra o carácter plurinacional do estado espanhol.

Com notável influência linguística de Méndez Ferrin – que precisamente dedica a sua coluna no Faro de Vigo ao, para já, novo académico português da RAG, Viale Moutinho tem reconhecido a identidade do sistema linguístico galego-português, mas deixando claro que a grafia era um problema dos galegos.

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