Helena Baraibar: “A presença das crianças favorece positivamente o uso do euskara”

Atualmente existem 111 ikastolas onde som escolarizadas 56.760 alunas e alunos.



A AGAL está a preparar um novo debate online e ao vivo na próxima terça-feira dia 28 de junho, às 20h, como anunciamos aqui, sob a chave da “Transmissão intergeracional” dentro do projeto Novo Ensino para o Galego. Neste encontro, junto com Alonso Caxade e Sánti Quiroga, participará também a filóloga basca Helena Baraibar Aizeburu, diretora e coordenadora do projeto linguístico das ikastolas.

Helena, como umha achega prévia ao encontro digital, falou para o PGL em relaçom à experiência educativa e de recuperaçom linguística no País Basco.

Que papel teve a alfabetizaçom de pessoas adultas na normalizaçom linguística?

Falarmos do movimento de alfabetizaçom de adultos leva-nos ao final da década de 60 e à década de 70. Nessa altura é quando se inicia de forma incipiente e vai apanhando força rapidamente. Esse processo deu-se mais significativamente em 80 e perdeu vigor nas décadas posteriores, na mesma proporçom foi-se generalizando a opçom de pôr em andamento a escolarização em euskara.
O forte movimento de alfabetizaçom assim como o de euskaldunizaçom de adultos responde à conscientizaçom político-linguística e à compactaçom social a favor da língua que se dá na nossa sociedade durante a última década do franquismo e continua depois com a transiçom e o desenvolvimento das autonomias da CAV e Navarra. As gau-eskolas (escolas noturnas) e os euskalteguis1 (AEK e, uma vez constituído o Governo Basco, também HABE) som os espaços aos quais vam todas aquelas pessoas que, sendo cientes do estado precário e diglóssico que padece o euskara, proponhem melhorar a sua competência comunicativa, desenvolvendo as capacidades para a comunicaçom formal oral e escrita.

Maiormente som pessoas que tenhem o euskara como primeira língua, mas devido a que tiveram um processo de escolarizaçom íntegro em castelhano, sentem muitas dificuldades para lerem e escreverem em euskara ou para compreenderem textos orais e escritos na sua própria língua. Ou simplesmente, sentem-se motivados para serem num futuro utentes competentes de maneira integral na sua própria língua.

Por outra parte, em 70 vivenciamos a expansom do euskara batua (padrom, 1968) que foi um elemento substancial, nom só para o movimento de alfabetizaçom, mas também para o nascimento das ikastolas (escolas de imersom em euskara) que constituiram a base do que atualmente denominamos Euskal Eskola (Sistema Educativo Basco) no início de 80, onde forom gestados três modelos linguísticos diferenciados segundo a presença que se outorgava ao euskara: o modelo A (euskara como 2ª língua), modelo D (imersom em euskara, onde é lecionado o castelhano como 2ª língua) e o modelo B (onde as horas letivas som repartidas entre as duas línguas co-oficiais, salvo as horas dedicadas ao estudo da língua estrangeira)

Durante estes anos existe uma consciência ativa no relativo ao euskara que se alimenta na necessidade imperiosa de agir pela língua, dado o seu estado sumamente enfraquecido em todos os níveis: isençom de uso em todos os âmbitos formais (meios de comunicaçom, ensino, administraçom…), transmissom familiar muito fraca, falta absoluta de prestígio social, bascófonos com forte complexo de inferioridade no que ao uso do euskara se referir, (devido a que que nos âmbitos urbanos menosprecia-se o simples facto de falá-lo, chegando a se dizer que é uma “caserada”), que os conduz a se converterem em monolíngues castelhanófonos e a renegarem das suas origens linguísticas.

Nesse contexto, principalmente em ambientes urbanos, dá-se uma compactaçom da sociedade em prol do euskara, iniciando assim um movimento forte de recuperaçom que supom aumentar o uso informal da língua (em espaços familiares, entre amigos, na rua…), conceder-lhe prestígio usando-o em âmbitos nos quais praticamente nunca tinha tido acesso em épocas anteriores e conscientizaçom linguística pela normalizaçom (uso generalizado do euskara) que vai acompanhada, por sua vez, de um empenho em recuperar e reforçar todas as manifestaçons culturais bascas.

Principalmente em ambientes urbanos, dá-se uma compactaçom da sociedade em prol do euskara, iniciando assim um movimento forte de recuperaçom que supom aumentar o uso informal da língua (em espaços familiares, entre amigos, na rua…), conceder-lhe prestígio usando-o em âmbitos nos quais praticamente nunca tinha tido acesso em épocas anteriores e conscientizaçom linguística pela normalizaçom (uso generalizado do euskara) que vai acompanhada, por sua vez, de um empenho em recuperar e reforçar todas as manifestaçons culturais bascas.

Assim sendo, esta consciência linguística que floresce de forma muito notável na sociedade basca e fai com que muitas pessoas nom bascófonas frequente

No uso oral, o basco ganha, perde ou mantém-se no número de falantes?
O uso oral de uma língua depende, entre outros fatores nom menos relevantes, do grau de competência linguística dos falantes. Durante os últimos 30 anos houvo um aumento notável de bascófonos devido precisamente ao sistema de escolarizaçom já referido, cuja evoluçom foi claramente favorecedora para o euskara, de tal maneira que na CAV hoje falamos de euskaldunizaçom praticamente universal da populaçom em idade escolar, como podemos observar neste gráfico: 2000-2019, Evoluçom do tanto por cento dos alunos de Infantil, segundo o modelo educativo (A, B, D), tanto na rede concertada (cor-de-rosa), como na pública (azul)

m as gau-eskolas para aprender o euskara, tende para menosprezar os usos dialetais dela, muito enraizados na populaçom vernácula, e fomentar o uso da forma padrom inclusive na comunicaçom oral, sem considerar o contexto em que se desenvolve o ato comunicativo e, portanto, sem valorizar o grau de adequaçom da forma oral ao registo linguístico requerido. Já no século XXI, é que se inicia uma reflexom sobre os diferentes registos linguísticos (vulgar- neutro- culto), outorgando a cada um deles um valor relativo, considerando o contexto do ato de comunicaçom. Atualmente, vivenciamos em certos âmbitos uma disparidade de opiniões sobre em que contextos orais e inclusive escritos deveriam ser promovidas formas dialetais tomadas de usos quotidianos, por forma a fomentarmos o uso do euskara. Este debate posiciona é o euskara batua vs. euskalkia2, sem ter em consideração o facto de que os diferentes usos e registos linguísticos nom som melhores nem piores per se, mas como pertencem todos à língua, a sua maior ou menor pertinência depende da adequaçom deles ao contexto comunicativo. Desta maneira, uma pessoa chegará a ser falante eficiente se é capaz de adequar a forma linguística ao contexto e atingir com sucesso o seu objetivo comunicativo.

O aumento de jovens euskalduns, portanto, foi sumamente importante na faixa dos 16-24 anos, onde passamos de 25% em 1991, a 71,4% em 2016, segundo o inquérito sociolinguístico da CAV. Neste esquema podemos apreciar a evoluçom pormenorizada da aprendizagem do euskara nas diferentes faixas etárias.

É esperável portanto que o uso do euskara na rua também tivesse aumentado significativamente. O último inquérito sociolinguístico do País Basco data de 2021. Nessa altura, uma em cada oito pessoas observadas na rua falava euskara (12,6%). Esse dado geral coincide com o recolhido em 2016. Desde 1989 até 2021 o uso do euskara na rua aumentou 1,8%. O melhor dado foi registado em 2006, uns 13,7%, e depois de registar descidas durante 10 anos (2006-2016), no último registo parece manter-se estável a percentagem.

É preciso assinalar, além disso, que os valores nom som homogéneos em todos os territórios: Biscaia 8,8%; Guipúscoa 31,1%; Álava 4,6%; Navarra 6,7% (nestes dous últimos cresceu ligeiramente) e nas três províncias do lado francês o uso é de 5,3%.

Por outro lado, a evoluçom dos usos também varia segundo os âmbitos sociolinguísticos. Naqueles espaços em que o conhecimento da língua é inferior a 50% da populaçom, o uso mantém-se estável e, no entanto, desce naqueles em que a populaçom euskaldun é mais densa, segundo se observa neste esquema: Evoluçom do uso do euskara segundo os contextos sociolinguísticos, 1993-2016 (%)

Nestes dados estatísticos, aliás, é evidente que a presença das crianças favorece positivamente o uso do euskara e que o uso entre as mulheres de qualquer idade é superior ao uso que fazem os homens (M: 13,6%; H: 10,9%)

haurrak: crianças; gazteak: jovens; helduak: adultos; adinekoak: idosos

E, por fim, o uso varia também dependendo das faixas etárias: Evoluçom do uso do euskara em Euskal Herria, segundo as faixas etárias, 1989-2016 (%)3

Na hora de interpretarmos estes dados de uso do euskara, convém termos em consideração o nível de competência linguística. Reparemos nestes dados globais de populaçom: em 25 anos cresceu em 6% o número de falantes equilibrados, atingindo atualmente os números de 751.000 (28,4 %); 16,4% son bilingues recetores e 55,2% monolingues em castelhano. Esta evoluçom positiva deve-se em grande medida ao referido sistema educativo e de facto é nas idades mais precoces onde o número de bilingues é superior. Mas ainda resta muito caminho por andar.

Reparemos nestes dados globais de populaçom: em 25 anos cresceu em 6% o número de falantes equilibrados, atingindo atualmente os números de 751.000 (28,4 %); 16,4% son bilingues recetores e 55,2% monolingues em castelhano. Esta evoluçom positiva deve-se em grande medida ao referido sistema educativo e de facto é nas idades mais precoces onde o número de bilingues é superior. Mas ainda resta muito caminho por andar.

Mas, a este ritmo, quantos anos fazem falta para atingirmos um uso normalizado do euskara na nossa sociedade? Parece ser que o ritmo que levamos é lento. Urge tomar certas medidas e aplicarmos políticas linguísticas ativas para reduzirmos o período de tempo de euskaldunizar o país.
Nas ikastolas acreditamos em que para atingirmos o conhecimento generalizado do euskara que permita fazer um uso “confortável” dele, devem ser implementados modelos educativos de imersom reforçada, onde tomando como objetivo o educar os estudantes no plurilinguismo, também se priorize o conhecimento da língua e cultura bascas e o seu uso formal (na interaçom didática) e informal (na interaçom dentro da ikastola e na sociedade), para conseguirmos o perfil de saída do aluno definido no nosso Projeto Educativo: “que os alunos sendo plurilingues, sejam falantes capazes e ativos em euskara e pessoas comprometidas com a recuperaçom da cultura e língua bascas”

Para tal fim estamos atualmente nas ikastolas a tentar reforçar o Projeto Linguístico do Centro através de uma linha de trabalho que chamamos Tratamento Integral e Integrado das Línguas. Com esta linha além de priorizarmos trabalhar a oralidade de uma ótica competencial e de maneira sistemática em todas as etapas educativas, formamos o professorado para serem cientes da dimensom linguística da sua matéria, seja qual for a sua área. Dado que, se bem há alguns anos repitamos quase a modo de mantra “todos os docentes somos professores de língua”, sobretudo no secundário, som poucos os docentes de áreas não linguísticas que, além de evidenciarem os objetivos específicos da área, formulam os objetivos linguísticos relacionados com as operações cognitivo-linguísticas que devem desenvolver os alunos para progredirem significativamente na matéria. Som ainda menos os docentes que didatizam esses objetivos e os avaliam. Nesta nova linha de formaçom temos como objetivo guiarmos os docentes nesse tipo de tarefas.

Além de priorizarmos trabalhar a oralidade de uma ótica competencial e de maneira sistemática em todas as etapas educativas, formamos o professorado para serem cientes da dimensom linguística da sua matéria, seja qual for a sua área.

Porém, achamos que passamos muitos anos a pensar que ensinar euskara nom era muito diferente de ensinar castelhano, francês… Quer dizer, considerando que ensinar euskara como um sistema de comunicaçom era suficiente para optarem por ele na vida quotidiana. Faltou-nos em muitos casos sermos cientes de que num ambiente linguístico bilingue (ou plurilingue, por melhor dizer), onde uma das línguas está menorizada, requer que o falante possua uma consciência linguística proativa a favor dela, para que chegue a apostar nela e lhe dê um uso normalizado, além de usá-la como língua veicular na escola. Essa atitude necessita de uma reflexom por parte do falante (e do docente) sobre a natureza das línguas, chegando a ser ciente de que dependendo de determinados fatores sociopolíticos estas podem perdurar no tempo, ganharem ou perderem prestígio (então, ganharem ou perderem falantes) ou desaparecerem.

Faltou-nos em muitos casos sermos cientes de que num ambiente linguístico bilingue (ou plurilingue, por melhor dizer), onde uma das línguas está menorizada, requer que o falante possua uma consciência linguística proativa a favor dela, para que chegue a apostar nela e lhe dê um uso normalizado.

Por tudo isto neste processo de reativaçom do Projeto Linguístico em que estamos imersos nas ikastolas, estamos a tentar reforçar a formaçom sociolinguística de todos os membros da comunidade educativa: docentes, famílias e alunos. Tentamos fazer destaque na história social do euskara, isto é, trabalhamos os fatores que contribuiram na sua menorizaçom e também na sua recuperaçom. E, sobretudo, estamos a tentar que cada aluno, de maneira vivencial, tenha a opçom de conhecer a trajetória que fizeram as línguas no seu âmbito familiar e seja ciente do fundamental que é a sua opçom em prol do euskara, para continuar sendo euskaldun ou tornar euskaldun.

Neste sentido, sobretudo em idades precoces (Infantil e Primário), achamos que devemos dar atençom à formaçom-sensibilizaçom das famílias, sejam do perfil linguístico que forem, já que o input linguístico que se recebe em casa joga um papel muito importante nos hábitos de comunicaçom e competência linguística. Para obtermos resultados positivos no que refere a potenciar o uso e qualidade do euskara, necessariamente o input da ikastola tem de estar em sintonia de forma coerente com o recolhido na vida familiar.

Esta visom integral e integrada das línguas, finalmente, conduz-nos necessariamente a trabalharmos outros objetivos e âmbitos. Os alunos nom aprendem euskara unicamente através dos professores ou do âmbito familiar. A interaçom que se dá nas atividades de lazer tanto entre iguais (entre alunos) como instrutor-aluno é primordial nom só para avançar na competência linguística, como também para gerar uma ideologia positiva em volta do euskara, sem relacioná-lo unicamente com atividades e desafios académicos. Assim sendo, atualmente experimentamos na sociedade uma sensibilizaçom crescente que está a permitir organizar e desenvolver iniciativas extraescolares para as crianças, adolescentes e jovens, em que para além de programar atividades próprias de lazer estas som acompanhadas de objetivos linguísticos, para cuja implementaçom som postas em jogo diferentes estratégias. Nestes casos é evidente que para atingirmos os resultados positivos é preciso trabalhar a sensibilidade e consciência linguística dos instrutores jovens que as monitorizam. Nesta linha de trabalho fomentamos a colaboraçom entre as ikastolas e os serviços municipais relacionados com atividades desportivas e culturais.

Atualmente experimentamos na sociedade uma sensibilizaçom crescente que está a permitir organizar e desenvolver iniciativas extraescolares para as crianças, adolescentes e jovens, em que para além de programar atividades próprias de lazer estas som acompanhadas de objetivos linguísticos, para cuja implementaçom som postas em jogo diferentes estratégias.

A respeito disto, durante os últimos anos estám a se dar passos importantes em diversos âmbitos de euskalgintza para impulsionar atividades de tempo livre onde se prioriza o uso do euskara, posto que contamos com diversas investigações desenvolvidas na Universidade do País Basco que evidenciaram a ideologia que tenhem os jovens universitários sobre o euskara. As visões mais generalizadas correspondem-se com estas ideias: o euskara serve principalmente para estudar, nom se sentem confortáveis falando em euskara, nom lhes serve para a comunicaçom informal…

Dito isto, achamos que devemos olhar para o futuro com o objetivo de nom continuar a fazer os mesmos erros e de experimentar novas linhas de trabalho; nomeadamente aquelas que se mostram como défice nas pesquisas de campo que se estám a desenvolver a nível universitário.

Como se consegue manter uma populaçom infantil bascófona numa vila em que elas convivem com pessoas que nom falam euskera (e às vezes nem entendem)?

Dependendo da percentagem de bascófonos nesse entorno e do uso que dam ao euskara, variará notavelmente o uso da língua entre a populaçom infantil. Nom obstante, segundo o apontado na 2ª questom, através dos modelos de imersom (modelo D) as crianças chegam a aprender euskara e desde que se trabalhe de maneira ativa que a socializaçom entre iguais seja em euskara, consegue-se que entre elas também se relacionem em euskara. Mas isso nom se consegue gratuitamente, quer dizer, hai que trabalhá-lo de maneira programada e sem fissuras durante toda a etapa infantil e primária. Principalmente hai que tentar que as crianças aprendam a brincar em euskara, tenham esse hábito e também vivam nessa língua. Infantil e Primário som etapas fundamentais para adquirir hábitos linguístico, assim com a competência comunicativa. Sem dúvida, no Secundário deve-se continuar a trabalhar explicitamente a consciência linguística, se se quiser atingir o perfil de saída do aluno descrito no Projeto Educativo.

Principalmente hai que tentar que as crianças aprendam a brincar em euskara, tenham esse hábito e também vivam nessa língua. Infantil e Primário som etapas fundamentais para adquirir hábitos linguístico, assim com a competência comunicativa.

Na Galiza existem zonas, em recuo, onde o galego é a língua hegemónica. Este mesmo recuo acontece no vosso contexto?

Essa é precisamente a tendência que temos observado também ultimamente e fica recolhida num dos gráficos anteriores. Com certeza, responde a diferentes fatores. Por um lado estám as mudanças demográficas acompanhadas de políticas urbanísticas, devido às quais existe um grande fluxo de populaçom nom euskaldun que opta por zonas rurais afastando-se das cidades. Por outro lado estám a falta de consciência linguística dos euskalduns, a mudança de hábitos de lazer, a imigraçom, em resumo, a globalizaçom. Isto tudo trouxo como consequência palpável que em populações pequenas onde o uso do castelhano era mínimo durante anos, atualmente presenciemos um uso significativo do castelhano e uma presença considerável de outras línguas. Nós chamamos este fenómeno crescente de “desaparicemento dos entornos protegidos do euskara”.

Coloco um exemplo galego: numa área urbana ou vilega, numha turma do sistema escolar obrigatório há umha ou duas crianças que falam galego. Em poucos dias acabam por se “adaptar” e mudam para o castelhano. É familiar esta fotografia sociolinguística para ti, Helena?

É. Acontece exatamente a mesma coisa devido à natureza social das línguas. Para podermos usar uma língua num entorno determinado é necessário, em primeiro lugar, que se dê nele umha massa significativa de falantes dela e, aliás, que se crie um ecossistema onde se potencie a língua menorizada e todos os sujeitos sejam conscientes da necessidade de o fazer. Para isto é impreterível que nos centros escolares a língua menorizada nom seja unicamente objeto de estudo e passe a ser uma língua útil para o uso diário.

Contudo, neste mundo cada vez mais globalizado, dado o input generalizado que recebemos em línguas maiorizadas, especialmente no mundo digital ligado ao entretenimento e ao lazer, é difícil. É necessário muito esforço e de planos de intervençom programados, generalizados e constantes.

Felizmente, na atualidade hai novas iniciativas neste sentido e, ainda que sempre estaremos em inferioridade de condições a respeito dos produtos digitais em línguas maiorizadas, podemos avançar e melhorarmos o leque de entretenimento e lazer nos ecrãs e também trabalharmos de maneira consciente favorecendo a sua divulgaçom e uso, com conhecimento de que os estudos estatísticos sobre o consumo de produtos culturais em euskara (livros, cinema, teatro, imprensa…) também referem níveis muito baixos.

Quais os pontos fortes do sistema de linhas linguísticas no sistema educativo em Euskal Herria? Quais os fracos?

Como referi numha das perguntas anteriores, hoje podemos afirmar que o modelo D de imersom em euskara é o que mais sucesso tem e sabemos, também por estudos que se desenvolveram, que é o modelo que demonstra melhores resultados na competência comunicativa em euskara. Todavia, os resultados nas ikastolas, segundo os últimos dados obtidos no Diagnóstico de Avaliaçom do Departamento de Educaçom da CAV, nom som otimistas: aumentou consideravelmente a percentagem de alunos que permanece nos níveis mais inferiores de competência comunicativa em euskara, sobretudo, entre os alunos de 2ºESO, como se pode observar neste gráfico.


Hasierako maila: nível inicial; Erdi-maila: nível intermédio ; Maila aurreratua: nível avançado

Portanto, o trabalho atual de potenciarmos o Projeto Linguístico das ikastolas que referi acima, responde à necessidade de reativar a comunidade educativa e de encararmos seriamente, dito de maneira resumida, dous desafios principais: melhorar e acelerar o processo de aprendizagem do euskara em todas as etapas educativas e ativar a consciência linguística de todos os membros da comunidade educativa.

As crianças da Semente recebem, por parte do corpo docente e dos pais e mães, recursos na sua língua nas variedades brasileira e portuguesa (textos, sites, apps, audiovisual…). É uma ferramenta muito útil sempre mas sobretudo em tempos de globalização. Qual é a vossa estratégia neste sentido?

No que diz respeito aos recursos em euskara, sobretudo digitais e audiovisuais de entretenimento e lazer, padecemos um grande défice, que é acentuado conforme avançamos de Infantil a Primário e Secundário. Foi dito anteriormente na entrevista, ultimamente os meios públicos e muitos privados do entorno de euskalgintza1 som conscientes da situaçom e estám a trabalhar nisso.

Quanto aos recursos propriamente didáticos existe mais variedade e inclusive a mesma Federaçom de Ikastolas tem profissionais que se dedicam à produçom e ediçom2 deles em formatos variados (papel, digital, audiovisual, manipulativo) num intuito de adequarem os recursos didáticos às novas metodologias e melhorarem o ensino do euskara e em euskara. Aliás, a mesma entidade além de promocionar recursos didáticos, leciona regularmente formaçom pedagógica aos docentes das diferentes etapas educativas e organiza cursos de formaçom linguística do nível C2 para os professores e de nível C1 para os alunos.

1 Euskalgintza: associações ou entidades que trabalham pola normalizaçom do euskara em diversos âmbitos.

2 A editorial IKASELKAR é que publica os materiais didáticos produzidos pola Federaçom de Ikastolas.


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