PGL – O sacerdote José Regadio faleceu no passado sábado aos 89 anos de idade por mor de umha pneumonia. Regadio era responsável da ediçom do célebre almanaque agrícola Mintireiro verdadeiro desde a sua fundaçom, sendo esta umha das escassas publicaçons periódicas que se mantivérom na nossa língua durante a ditadura franquista.
Com a morte de Regadio, a continuidade do almanaque está agora em dúvida. O proprietário da imprensa que o editava, Norgraf, destacou que o autor tinha comentado que deveria procurar outro redactor para quando ele já nom estiver.
O Mintireiro Verdadeiro do padre de Filgueira (Palas de Rei), natural de Monte Rosso, chegou a ser a única possibilidade de leitura em galego para muitos habitantes da Galiza, fazendo-se tiragens de até 15.000 unidades. Este ano, fôrom distribuídos mais de 6.000 exemplares, com pedidos de fora do país. Ainda, da editora destacam que existe um mercado paralelo, que se encarrega de distribuir mais de 10.000 cópias que imitam a publicaçom original.
A necessidade do ‘Mintireiro’
A posta em andamento deste projecto deveu-se, fundamentalmente, «a umha necessidade económica, éramos dez irmaos e mais a minha mae», explicava há uns anos Regadio.
Do Mintireiro Verdadeiro chegárom a vender entre doze e quinze mil exemplares por todo o país, nuns tempos em que O Gaiteiro de Lugo, hoje em maos da Deputaçom provincial, desaparecera do mercado.
Nos quase 50 anos da publicaçom, mantivo-se o desenho, o conteúdo e o estilo deste calendário. Nalguns dos primeiros números, Regadio contou com umha colaboraçom de excepçom, Avelino Pousa Antelo, quem escreveu para o Mintireiro umha crónica. Este destacado investigador da nossa cultura participou também, ocasionalmente, no outro grande calendário agrícola da segunda metade do século XX, o ZZ.

