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Breogám Antom M. Vila, estudante de filologia portuguesa

PGL – Breogám Antom M. Vila é estudante de filologia portuguesa e tem 18 anos. Contactou com a estratégia luso-brasileria na EOI, pensa que o reintegracionismo deve buscar apoios em todos os campos e está aberto a colaborar com garotas lusófonas interessadas na Galiza.

Chamas-te Breogám. Parece que o teu destino está marcado à nascença?

Chamo-me. Umha história que ninguém sabe é que meus pais me quigérom pôr Goidel, um nome irlandês ou escocês ao parecer, mas parece que houve probleminhas com a diplomacia dos países. Nom me desagradava, mas fico contente com Breogám. A verdade é que nom é a primeira pessoa que me diz: “tens cara de Breogám” ou “ah, eu já pensava que te chamarias assim…”. Curioso.

Como viveste a tua condiçom de galego-falante na ESO e no Bacharelato?

Bom, a verdade é que vivim de tudo. Polo lado bom e polo mau. Para ser sincero, eu, que na casa sempre falei em galego, comecei a usá-la fora de casa com treze anos aproximadamente. A mudança tivo reacçons de gente à quem parecia óptimo, que me animava a falá-lo. E também suportei a típica gente que che diz: “que fás falando o galego agora” ou que olha para ti com cara estranha. Mas depois de um mês tudo correu sozinho, à gente mesmo se lhe fazia estranho que falasse em castelhano com gente nom galega ou nas aulas de espanhol. Também nom tenho problemas em falar o espanhol, mas… nom é o meu. Utilizo-o simplesmente para a gente que nom é de aqui e pode estar de visita, e tudo bem. Sou tam feliz como qualquer outra pessoa. E olha que, dos meus colegas, os que falam galego som amplíssima minoria.

Que te levou a aderir à estratégia galego-luso-brasileira?

Meu pai levava estudando português um tempo e a partir de terceiro da ESO (quinze, dezasseis anos) comecei a interessar-me por Portugal e o português, e esse interesse medrou muito progressivamente até que no verao do ano passado, decidim estudá-lo, matricular-me na EOI de Ourense et voilá! Foi contactar com a lusofonia e desaparecerem as dúvidas: o português e o galego som, sem dúvida, a mesma língua.

Recomendas entom estudar português na EOI?

Com certeza. Acho que o português deveria ser quase obrigatório para galegos. Com um mínimo esforço, num ano manténs umha conversa tanto com a fonética portuguesa quanto com a brasileira, e em três anos podes chegar a dominá-las quase como um nativo. As questons de vocabulário de cada país já é cousa aparte, mas analisa-o bem: abre-se à tua vida todo um universo de 230 milhons de pessoas. Isto é impossível para qualquer outra pessoa seja de onde for, estude a língua que estudar. Temos uns privilégios muito grandes, e a gente nom aprecia o sortudos que somos. Umha verdadeira pena. Ademais, se tens a sorte de possuir um professor como o que tivem o ano passado tudo é óptimo. Acho que é bem conhecido na AGAL, mas nom estou seguro… (risos) Este ano estou em Compostela com Ivonete, umha brasileira. De Minas Gerais. Adoro o seu sotaque.

Este ano começas o teu périplo universitário, filologia portuguesa. Que che levou a iniciares estes estudos?

Quando começou o ano queria fazer filologia galega. O meu professor de português, o Valentim, mostrou-me a possibilidade da filologia que hoje estudo, pensei-o e decidim que era a melhor opçom. Por enquanto estou bastante contente, embora vaia só às aulas. SÓ! Nom há nenhumha pessoa matriculada, mas unicamente há umha matéria em que estou isolado porque o resto som comuns a todas as filologias. Nom é algo que me surpreenda, porque eu já esperava nom ter quase nenhum companheiro (de facto fizem apostas com os colegas), mas sim é algo que nom percebo. Olha: vai ser obrigatório oferecer o português a partir de 2013 na Estremadura, e em muitos lugares do estado espanhol leva o mesmo caminho, com certeza também na Galiza. Cada ano o número de escolas que querem ensinar português é maior. E entom? Quem é que vai dar aulas? Há um déficit muito grande de professores de português no estado espanhol, e é umha problemática grande, pois o fluxo é inevitável e constante. Há que mudar a visom que os galegos temos sobre a língua, já seja para o “galego“, para o “galego-português” ou para o “português“.

Que visom tinhas da AGAL, que te motivou a te associares e que esperas da associaçom?

A AGAL? Serei sincero. Eu jogava com um problema que algum colega da minha geraçom possui: e é que nom aceitava o reintegracionismo. Nom quero dizer que quem nom aceitar a normativa reintegracionista tenha um problema, mas que o que nom aceitam é que exista outra alternativa à RAG. Nom podia suportar que pola minha cabeça passasse a ideia de que português e galego… Uf! Nem pensá-lo, era como umha espécie de heresia dizer isso. Até que, como já disse, chegou o momento em que as considerei o mesmo. Entom a AGAL já foi algo aberto para mim, já passava a ter sentido, já nom era só umha organizaçom alternativa, já nom era só umha organizaçom lógica; mas umha associaçom necessária. Necessita-se construir umha alternativa e dar-se a conhecer. Despolitizar-se (se é que algumha vez estivo politizada), procurar apoios tanto no nacionalismo e o independentismo quanto no nom-nacionalismo. Se jogamos num campo reduzido vamos perder. Olha para o Barça: o terreno do Camp Nou é enorme, e que bem movem a bola…

Breogám tem 18 anos. Como pensas que se poderia transladar à juventude um quadro positivo para a língua? Umha focagem galego-luso-brasileira poderia ajudar neste empenho ou seria contraproducente?

Questom complexa, a verdade, porque acho que nom só há um único processo para fazer isso. Quero dizer que as mudanças que há que fazer em relaçom à língua som múltiplas. A primeira, por exemplo, deve ser a da mentalidade. Estes dias conhecim um rapaz de Lugo e umha de Verim, galego-falantes, que quando nom se dirigem a mim ainda mudam para o castelhano. E isto é mui triste para alguém da minha idade. Outro caso é o da administraçom autonómica. Deixando a um lado que a ocupem uns ou outros, é curioso que a minha geraçom lhe tenha mais apego ao Xabarín Club que a todos os planos de Normalizaçom da Junta. E esses planos fazem perder muito dinheiro… mas sobretudo tempo. Som quase trinta anos de governo autonómico deitados no lixo, onde o número de falantes nom fai mais que descer. Por outro lado, umha focagem desse tipo? Acharia-a ótima. Meu deus, conhecer, compartir a minha língua e colaborar com garotas lusas ou brasileiras interessadas na Galiza. Onde há que assinar?

Conhecendo o Breogám:

  • Um sítio web: O Vimeo.

  • Um invento: A internet.

  • Umha música: Se tenho que assinalar algum grupo, Mando Diao. Por que só posso dizer um? Odeio isto!

  • Um livro: Mesmo fazendo batota dói-me ficar só com El libro de los abrazos, de E. Galeano e Primavera con una esquina rota, de Benedetti.

  • Um facto histórico: Maio do 68, suponho. Mas se tivesse que dizer umha época pegaria no século I antes da nossa era, em Roma. Tinha que ser intensíssimo. E escutar falar o Cícero seria impagável.

  • Um prato na mesa: A picanha. Por que tenho que ir até Portugal para comê-la? E o polvo.

  • Um desporto: Vou ficar como um batoteiro, mas digo dous: nataçom e futebol.

  • Um filme: Un long dimanche de fiançailles (Um longo domingo de noivado). E sei que é um tópico, mas Amelie. Adoro Jean-Pierre Jenuet.

  • Umha maravilha: A capacidade do ser humano para gerar maravilhas.

  • Além de galego: alegre, risonho. Viver para chorar? Isso nom é viver.

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