PGL – Daniel Cerqueiro é o director da empresa Galinus Talher de Novos Médios. Nascido há 32 anos na Corunha, realizou estudos de Ciências Físicas na Universidade Compostela, doutorando-se posteriormente em Modelizaçom Numérica em Ourense.
Desde 2003, mora com a sua mulher na formosa vila de Corcubiom. Esta foi a pequena entrevista que figemos ao Daniel para conhecermo-lo um pouco melhor e para oferecer-lhe partilhar connosco a sua chegada aos postulados reintegracionistas.
PGL – Caro Daniel, Corcubiom é umha vila pequena, de marcado carácter marinheiro e com menos de 2.000 vizinhos. Como é a vida de um galego falante lá?
Daniel Cerqueiro – Muito natural. A grande maioria da gente fala e vive em galego, e convive em perfeita harmonia com a gente que utiliza outras línguas.
Ademais, o feito de que haja muitos emigrantes retornados proporciona umha grande riqueza lingüística à bisbarra.
PGL – Chama a antençom que a página da Câmara Municipal tenha a opçom de consulta em galego-português.
Daniel Cerqueiro – Sei, certamente chama a atençom. O site do concelho de Corcubiom foi um dos nossos primeiros trabalhos, e tivemos a sorte de que tanto o presidente da câmara municipal como o tenente aceitárom que se criara umha versom em galego-português.
Temos que dizer que a experiência foi muito positiva, já que nom tivemos praticamente reacçons contra, mas sim muitas mostras de apoio.
PGL – Durante anos, vivi-che e cresce-che no bairro dos Malhos, na Corunha. Atrevo-me a aventurar que os teus anos de liceu transcorrérom em espanhol, ou é umha visom distorcida a que nos vendem de que na Corunha nom se fala galego?
Daniel Cerqueiro – Pois a verdade é que assim foi. No colégio onde realizei os meus estudos era bem raro falar em galego e eduquei-me num ambiente espanhol falante, com muitos prejuízos sobre o uso da nossa língua.
PGL – Da Corunha para Compostela, passando por Ourense e finalmente Corcubiom. Em que momento decidi-che passar ao galego e que razons te motivárom?
Daniel Cerqueiro – O cambio foi gradual. Nos meus anos universitários fum pouco a pouco acercando-me à nossa língua, utilizando-a cada vez em mais ocasions, mas nom foi até que mudei para a Costa da Morte quando decidim utiliza-la em todas as circunstâncias. A naturalidade com a que se vive aqui em galego deu-me o pulo preciso para dar esse salto.
Polo tanto vivim em própria pessoa um processo normalizador. –risada-
PGL – E o teu passo para a grafia histórica da nossa língua, como foi?
Daniel Cerqueiro – Igual que no caso anterior, o passo foi muito gradual. É mais, ainda estamos nesse processo de aprendizagem.
As razons para esse cambio fôrom várias. Por um lado a deriva do nosso idioma cara a perda paulatina de falantes, e por outro as enormes possibilidades que tem o nosso pais se nos abrimos cultural e economicamente ao mundo lusófono.
PGL – Director de Galinus. Poderias explicar brevemente qual é a linha do vosso trabalho?
Daniel Cerqueiro – Trabalhamos desde há 6 anos em comunicaçom na internet. Fazemos desenho web, marketing on-line e relaçons públicas na rede. Dentro de todo isto, estamos trabalhando muito em redes sociais, marketing viral (nomeadamente através do vídeo) e comercio-e.
Também realizamos assessoria TIC as empresas que precisam um guia sobre como utilizar as novas tecnologias para melhorar a sua produtividade.
Para conhecer mais sobre a nossa empresa e a nossa particular visom da internet e as novas tecnologias, convido á gente a achegar-se ao nosso site (www.galinus.com).
PGL – Que lugar ocupa no vosso projecto a norma galego-portuguesa?
Daniel Cerqueiro – Por uma banda, esta norma tem um efeito inspirador, já que nos indica cara onde devemos ir, incluso desde o ponto de vista meramente económico.
Isso sim, até o de agora nom encontramos as condiçons adequadas para poder desenvolver todas as nossas lavouras nessa norma. Há um rejeitamento devido ao desconhecimento de grande parte da sociedade (e mais na Costa da Morte) que fai que muita gente repare mais na forma que no fundo da mensagem e isso é um luxo que nom nos podemos permitir.
Por elo queremos colaborar activamente a normalizar a visom da sociedade sobre este tema e que cada um poda desenvolver-se na normativa que lhe pareça conveniente.
PGL – Todos nós levamos dentro um normalizador em potência, crês que existe algumha outra estratégia para a defesa da língua na Galiza que nom passe pola luso-brasileira?
Daniel Cerqueiro – Nom creio que ninguém tenha uma soluçom definitiva ao respeito, mas acredito sinceramente que a médio prazo, a única via normalizadora é a aceitaçom por parte da sociedade de que o galego forma parte da lusofonia, ainda que seja desde um ponto de vista unicamente utilitarista.
PGL – Daniel, conhecendo o teu amor polo futebol, só acrescentar para a despedida: Força Dépor! Embora a equipa directiva pareça desconhecer a nossa língua e faça gala no escudo do topónimo deturpado, não é?
Daniel Cerqueiro – Sim, isso é algo que doe muito aos siareiros galego falantes da equipa. Espero que esta situaçom se reverta no futuro e o clube assuma a sua condiçom de símbolo galego com todas as consequências.
PGL – Grande abraço e muito obrigado Daniel.
Daniel Cerqueiro – Um abraço para ti e para todos os leitores do PGL.
Conhecendo Daniel Cerqueiro:
Um sítio web: www.quepasanacosta.com, a nossa contribuiçom na Costa da Morte à liberdade de informaçom.
Um invento: A Internet. Se algum dia chegamos de verdade a sermos livres, muito terá que ver esta rede de redes.
Umha música: Muitas, mas se tenho que elixir quedo com Stevie Wonder e toda a música da Motown.
Um livro: Sostiene Pereira.
Um facto histórico: Sei que é um tópico, mas encanta-me recordar a Revoluçom dos Cravos.
Um prato na mesa: Tortilha de pataca.
Um desporto: O Futebol. E ademais tenho que reconhecer que som do Dépor desde há muitos, muitos anos.
Um filme: Aqui sim que me parece difícil eleger, já que gosto muito do cinema (nomeadamente do clássico). Quando era criança tinha-o claro: Singing in the rain. [Serenata à chuva (Portugal) | Cantando na chuva (Brasil)].
Umha maravilha: a Costa da Morte. Por algo vivo onde vivo.
Além de galego: todas as línguas me parecem dignas de respeito.

