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Cresce o número de falantes de Português nas zonas urbanas de Moçambique

PGL – Em Moçambique, o número de falantes da língua portuguesa está a crescer nas áreas urbanas, sobretudo na população jovem residente de Maputo, mas o português falado no país ‘ganha’ sotaques das várias línguas locais.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Moçambique amostram que o português é falado por 40 por cento da população moçambicana, estimada em 20,3 milhões de habitantes, usado em casa por nove por cento e reconhecido como língua materna por 6,5 por cento.

Na cidade de Maputo, que conta com uma população de aproximadamente 960 mil habitantes, mais de 412 mil pessoas têm o português como língua materna, contra as 302 mil que usam o xichangana e 93 mil que têm o xironga como língua materna.

Perpétua Gonçalves, docente na Universidade Eduardo Mondlane de Maputo, explica na obra intitulada “Português de Moçambique: uma variedade em Formação”, que “Noventa por cento dos que têm a língua portuguesa como língua materna vivem em meio urbano”, num pais que possui 23 línguas de origem bantu (usadas nas 11 províncias do país, mas nenhuma das línguas autóctones cobre todo o território nacional) e onde 80 por cento reside nas zonas rurais, áreas onde, aliás, “há pouca motivação e poucas situações em que é necessário usar o português”.

Conforme indica o INE Moçambicano, o número de falantes de português em Maputo é notório entre crianças dos cinco aos nove anos (85.603), mas os residentes da capital moçambicana que estão na faixa etária entre os 35 e 39 anos são os que menos dominam a língua portuguesa: 16 mil.

O professor Lusa Calane, da faculdade de língua portuguesa na Universidade Pedagógica afirma ser “natural” que o número de falantes do português cresça, justificando com o facto de a língua ser uma instituição que segue um “processo dinâmico” e aponta ainda que a “evolução” da língua portuguesa como resultado da aposta do Estado moçambicano que, logo após a independência do país, em 1975, “adoptou o português como língua oficial da administração pública e da educação”. Lusa Canale acrescenta que “É natural essa evolução (…). Após a independência, muitas famílias começaram a ensinar os seus filhos a língua portuguesa, e (hoje) falam preferencialmente em português, por considerarem que os filhos estarão mais apetrechados em competência linguística na escola”.

 

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