A IIª Assembleia Nacional de Cerna, reunida o passado domingo, 21 de maio, aprovou a sua tese política e os seus novos estatutos. Na tese política incluía-se um apartado sobre cultura onde, entre outras declarações, figura a decisão de Cerna de dar oficialidade à normativa internacional do galego seguindo o modelo norueguês de duas normativas.

Na assembleia discutiu-se um documento relativamente extenso sobre língua e cultura, reproduzimos, pelo seu interesse, uma parte do mesmo:
A nossa língua nacional não é uma língua qualquer – nisto temos uma sorte que Catalães e Bascos não têm – é uma língua universal; é uma língua que se fala nos cinco continentes; é uma língua oficial de muitos organismos supranacionais, é língua oficial da OUA, é língua oficial das Nações Unidas, é língua oficial de múltiplos Estados independentes: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tome e Príncipe, Timor Leste… de todos os Países da C.P.L.P. (Comunidade de Países de Língua Portuguesa).
Há hoje quem nega esta realidade reivindicada por toda a tradição galeguista e nacionalista, desde Murguia a Castelao. Mas que falante de galego não se pode entender com um Português, nomeadamente do Norte? As diferenças entre a nossa forma de falar a mesma língua não são maiores que as que há entre Mexicanos, Argentinos, Espanhóis, Bolivianos e nem sequer as que há entre Andaluzes e Burgaleses ou Estremenhos; pois bem, ninguém negou nunca que todas essas gentes falam a mesma língua.
Há hoje quem vê com menosprezo os nossos vizinhos do Sul. Não é outra cousa que o reflexo do desprezo que a Espanha sente por Portugal. Nisto, como em tantas outras cousas a nossa mente está colonizada.
Mas se nos desprendermos destes prejuízos, veremos a importância que tem falarmos a língua oficial do Brasil (toda uma potência) ou da Angola (país emergente com grande futuro e onde o português língua oficial de toda Angola o que não empece o estudo e fomento das diferentes línguas africanas que se falam no país).
Mas há também quem nega este caráter internacional da nossa língua e considera que o galego é uma língua diferente da portuguesa, uma espécie de cousa intermédia entre espanhol e português.
Durante a ditadura franquista estas opiniões viram-se reforçadas apesar de alguns vultos importantes da nossa cultura tomarem partido pelo achegamento gráfico à língua portuguesa, salientando Ernesto Guerra Dacal, Ricardo Carvalho Calero, Jenaro Marinhas e o português Rodrigues Lapa que desde os tempos de Nós era um grande amigo da Galiza.
Quando se vê aproximar-se o ensino do galego na ensinança regrada, primeiro voluntario e depois obrigatório, o confronto entre as duas visões do galego vai-se incrementar e aparecerão diferentes propostas normativas, seriam as primeira as aprovadas pela Real Academia Galega em 1970 e 1971, asinha o ILG publicará o primeiro volumem do seu método Gallego 1 onde a normativa da RAG não é respeitada em assuntos de tanta importância como o plural de animal que fazia em animales, anos depois o ILG corrigiria esta opção. Com a chegada de um professor asturiano, Constantino Garcia, para a cátedra de filologia românica, Carvalho Calero, que era catedrático de língua e literatura galegas foi sendo preterido na universidade galega. Como consequência o Instituto da Língua Galega, dirigido por Constantino Garcia, acabou por elaborar uma normativa para a escrita da nossa língua tendo como modelo a ortografia do espanhol.
Depois do debate, a Assembleia aprovou uma Tese da que reproduzimos a parte referida à língua:
Tendo em conta a diversidade de critérios, CERNA opta atualmente por um modelo norueguês, nesse país convivem e partilham oficialidade duas normativas diferentes; o caso da Noruega é mais difícil do que o nosso por serem duas variedades linguísticas bastante más diferentes, as nossas são apenas gráficas e fonéticas, em norueguês as diferenças lexicais e morfológicas são muito mais importantes do que na Galiza.
CERNA defende esse modelo para o país e por enquanto, utilizara-o nas suas publicações e documentos.
Mais informações http://www.cerna.org/
