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Azulula: “Queria mostrar a junção de um poema e um ritmo, neste caso um ritmo de Angola”

1589806080342Azulula é músico e compositor angolano participante do concurso “Musicando Carvalho Calero”, que traz  a música “Serão de inverno”, baseada nos textos do autor homenageado com as Letras Galegas este ano.
Domingos Conceição, músico e compositor, de nome artístico “Azulula” nasceu em Angola na Província do Cuanza-Sul, no Município do Sumbe em 1977, e medrou em Luanda.
A ligação com a música começou já na infância, em casa, com a influência da mãe, ouvia muita música, a rua era a sua escola. Nos anos 90, em Luanda, tentou juntar dois primos e criar uma banda, juntava-se com os amigos e faziam brincadeiras com latas. Também cantava na escola secundária em que estudava e todas as sextas feiras no final das aulas a professora convidava-o para cantar, e um dia sem que soubesse, a professora inscreveu-o num concurso de música da escola.
Um amigo que tinha uma banda de rock angolana denominada ”Os Quinta-Feira” emprestou-lhe uma guitarra e ai começou a aprender a tocar guitarra num orfanato.
Viajou para Portugal em 1998 com o intuito de estudar música e desenvolver uma carreira musical e ali frequentou escolas de canto e guitarra.
Foi então que em 2009 gravou o seu primeiro CD single e a partir dai deu início a sua carreira musical, que conta já com dois álbuns no mercado, “O Semba” e “Ritmo e Tradição”, o primeiro gravado em 2014 e o segundo em 2020.
As suas influências musicais passam pelo Semba, Quilapanga, Kizomba, World Music, os artistas que o influenciam são: Bonga, Lokua Kanza, Filipe Mukenga, Sona Jobarthe, etc.
Têm como objetivo criar uma carreira sólida e consistente, foi mentor do projeto musical Projecto Jihenda. Em 2016 e 2017 viajou para o Canadá onde fez vários concertos na cidade de Toronto, mas é em Portugal onde tem desenvolvido a sua carreira musical. É um executante de vários instrumentos musicais tais como a dikanza e a guitarra, já compôs músicas para vários artistas, escreve e compõe as suas próprias músicas onde é acompanhado por uma banda.
Aposta no World Music tendo como base a música de raiz urbana de Angola e acredita que a música é capaz de promover a paz e a união no mundo.

Como vês o panorama musical galego?
Pessoalmente gosto de ritmos diferentes e do pouco que conheço e escutei da música galega acredito ser um panorama musical rico em ritmos tradicionais e onde se pode sentir o pulsar das vozes em  ritmos contagiantes, e que pode espalhar-se rapidamente pelo mundo inteiro. Os músicos galegos tem uma forma muito própria de cantar e isto para mim torna a música galega única e especial.

Por que te animaste a participar no concurso “Musicando Carvalho Calero”?
Animei-me para participar no concurso porque identifiquei-me com o concurso, com o escritor e os seus poemas, mas também porque queria mostrar um pouco do que se pode fazer com a junção de um poema e um ritmo diferente, neste caso este ritmo com o qual compus este tema, sendo um ritmo propriamente de Angola, de toda lusofonia e de um modo geral de África.

Animei-me para participar no concurso porque identifiquei-me com o concurso, com o escritor e os seus poemas, mas também porque queria mostrar um pouco do que se pode fazer com a junção de um poema e um ritmo diferente, neste caso este ritmo com o qual compus este tema, sendo um ritmo propriamente de Angola, de toda lusofonia e de um modo geral de África.

Que opinas de que se lhe dedique o dia das letras a Carvalho Calero?
Penso que toda obra e os seus autores devem ser reconhecidos, e no caso de Carvalho Calero torna-se especial porque ele tinha uma causa a qual defendia e acreditava, e sinto-me privilegiado por poder participar deste evento grandioso que homenageia um grande defensor das línguas.

Sabes que Carvalho defendia umha grafia convergente com o português e nom a espanhola… A AGAL hoje defende umha soluçom binormativista para que se posam usar ambas normas ortográficas. O que achas desta possibilidade?
As línguas são um grande veículo de comunicação, creio que daria um excelente casamento e creio que as duas línguas, juntas, poderiam enriquecer-se mutuamente.

Que potencial pensas que poderia haver de abrir a produçom musical galega cara aos países lusófonos?
O povo lusófono é bastante recetivo a outras culturas e outros ritmos, por exemplo em Angola nós apreciamos todo o tipo de música e isto acontece por todos os países da lusofonia, algo que me faz acreditar que a produção musical galega nestes países seriam muito bem recebidas.

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