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AGAL na Homenagem Nacional a Camilo Nogueira

Algumhas pessoas tardam em ser reconhecidas em toda a sua dimensom. A Camilo Nogueira Román nom falta o carinho e o reconhecimento de todos os galegos e galegas polo seu enorme contributo político à autonomia galega, mas ainda se repara pouco na atitude que tomou em Estrasburgo entre 1999 e 2004, ao usar, nas suas intervençons orais e escritas, o galego-português. É umha das razons pola qual foi nomeado membro de honra da Associaçom Galega da Língua (AGAL) em 2005.

Como tantas e tantos intelectuais atuais ou já falecidos, Camilo defendeu “a convergência plena do galego no galego-português intercontinental” em numerosos artigos e entrevistas. Porém, foi mais longe do que isso, e quando tivo oportunidade de o fazer onde realmente era necessário, nom deixou de pôr em prática a unidade que tantas vezes tinha defendido na teoria. Ele já tinha demonstrado grande afouteza noutras áreas, avançando com propostas nem sempre compreendidas na grande casa galeguista… mas o gesto de colocar a nossa variedade no mapa das línguas europeias é, para além de valente, simplesmente impagável.

Eduardo Maragoto. Presidente da Associaçom Galega da Língua (AGAL) Texto no volume coletivo

 

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O ato de homenagem a Camilo Nogueira realizado esta sexta-feira no Auditório da Galiza congregou centenas de pessoas de grande diversidade ideológica, e nom apenas da grande casa comum do galeguismo. À entrada e saída do evento, toda a gente lembrava ainda o grande reconhecimento de que goza Camilo Nogueira no conjunto da sociedade galega.

Honestidade, valentia e teimosia. Três qualificativos explicam o sucesso “interideológico” do ato que convocou centenas de pessoas em Compostela com vontade de aplaudir com força Camilo Nogueira e o seu legado, passado, presente e futuro. Assim foi destacado por muitos e muitas das comunicadoras de um ato que foi apresentado pola jornalista Fernanda Tabarés e os escritores Manuel Rivas e Suso de Toro. O segundo explicou como foi difícil que Camilo aceitasse a homenagem e admitiu que o político se encontrava ali “à força”. Já o primeiro, definiu Camilo como o “construtor de escadas”, em oposiçom ao tópico do galego que nom sabe se sobe ou baixa.

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Houvo representaçom de todos os partidos parlamentares. Pedro Puy, do PP, usou umha metáfora em certo modo paralela à de Manuel Rivas, destacando que, para além das ideologias que as pessoas professam, é preciso gerar instrumentos institucionais para estas se confrontarem, como fijo Camilo Nogueira com o seu enorme contributo à Autonomia galega durante a transiçom. Pedro Puy entrou no ato acompanhado de Xoaquín Leiceaga, Ana Pontón e Luís Villares. O primeiro salientou o europeísmo militante do Camilo quando nom era a posiçom mais popular nas fileiras nacionalistas. Pontón, por sua vez, lembrou que o Camilo sempre apostou em forças políticas próprias para a Galiza, e Villares refletiu sobre o a pegada política de Camilo na sua geraçom. Discursos emocionados dados por ordem alfabética, como explicou Tabarés entre umha das gargalhadas do público nessa noite.

camilo-02Entre a música galego-portuguesa de Tundal, Pardal na Rúa e Uxía, fôrom entrando mais amigos e amigas do político viguês. A lembrança do passado sindical e político do Camilo correspondeu a Pencha Santasmarinas, Ana Gandón ou Ana Miranda. As três celebrárom a sua entrega, capacidade de liderança e o ambiente de trabalho e debate sem limite de que gozavam as organizaçons em que marcou presença. A última, Ana Miranda, foi a encarregada de render tributo à sua açom política em Estrasburgo e recebeu um dos aplausos mais sonoros da noite quando lembrou as suas intervençons em galego-português. A partir dela, poucos intervenientes deixárom de lembrar esta faceta. Umha delas, Uxía Senlle, que foi corresponsabilizada polo próprio Camilo por trabalhar em prol do galego como língua internacional. Outro, o eurodeputado Gorka Knorr, que referiu como, desde a sua passagem pola Eurocámara, esta ficou com sotaque galego, lembrando como o Camilo detestava que a nossa língua, sendo internacional, fosse denominada “minoritária”.

Chegou o momento dos presentes, entre eles o dos netos e netas. A primogénita, cujas palavras protagonizárom um dos momentos mais emotivos da noite, foi a encarregada de lhe entregar um volume coletivo que conta com mais de umha centena de textos de homenagem, vários deles de sócios da AGAL ou em reintegrado.

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