Obrigada pola legislaçom, a TVE começou a emitir conteúdos audiovisuais na nossa língua, mas está a fazê-lo mui lentamente e utilizando inteligência artificial generativa na legendagem, o que elimina a qualidade e reduz gravemente as possibilidades de uso por parte da populaçom galegofalante.
A Mesa pola Normalizaçom Linguística recorda que a entidade pública ainda nom dispõe da percentagem mínima de conteúdos dobrados e legendados em galego a que está obrigada (2,5% na TV e na RTVE Play e 100% no Clan TVE) e classifica de “vergonhoso” que o primeiro passo que deem, dous anos após a aprovação da Lei Geral de Comunicação Audiovisual que obriga a RTVE a emitir em galego, seja utilizando IA, “eliminando a qualidade sobre uma quantidade onde o galego está completamente ausente”.
O presidente da Mesa, Marcos Maceira, lembra que, apesar de ser um canal público com maiores obrigas legais relativamente ao uso do galego e paga também por pessoas galegas, a TVE é neste momento a que apresenta menor percentagem de oferta em galego, mui por baixo dos 0,92% do conjunto de plataformas.
Para a Associaçom Galega de Profissionais da Traduçom e da Interpretaçom (AGPTI), a substituiçom do trabalho humano e profissional por IA generativa prejudica a qualidade final dos conteúdos, ao mesmo tempo que aprofunda a precarizaçom dum setor cada dia mais atacado polo uso nom ético de ferramentas assistidas por IA, que violam os direitos de autoria e de propriedade intelectual na sua própria conceçom.
Tanto a AGPTI como o sindicato Atores e Atrizes da Dobragem Associados (ADA) recordam que as características próprias do audiovisual impossibilitam a sua traduçom com ferramentas de Inteligência Artificial, pois estas nom tenhem em conta elementos essenciais distintos do texto (imagem, sons, contextos culturais, requisitos específicos para pessoas com necessidades auditivas especiais etc.). Só o trabalho profissional de traduçom e interpretaçom garante um resultado final de qualidade que respeite tanto o conteúdo original como o direito do público a usufruir destes conteúdos em condições ótimas.
A ADA considera que a utilizaçom da inteligência artificial para tentar dar cumprimento a esta normativa nom só desconsidera o labor de todas as pessoas que trabalham no setor, como também “vai contra o espírito da lei, ao constituir mais um freio do que um impulso para a língua galega”.
Assim, a Mesa, a AGPTI e a ADA denunciam esta má prática como “um ataque direto ao setor da traduçom audiovisual e aos direitos linguísticos do público telespectador”, especialmente grave e inadmissível por se tratar de uma instituiçom pública como a RTVE.
