João Aveledo – A Árvore em Portugal dá-nos conta das diferentes formações vegetais e espécies de árvores no Portugal continental, assim como da sua cultura (plantação e poda) e do seu papel na natureza.
Mas este livro de leitura agradável transcende o estritamente científico, transmitindo uma corajosa mensagem de defesa das espécies autóctones, que recomenda o uso da vegetação espontânea nas plantações, «não apenas por razões ecológicas, mas sobretudo por questões culturais, porque são elas que mantêm o cunho local e o aspecto tradicional da paisagem», uma defesa da flora portuguesa associada, de um modo muito claro, a uma vontade de afirmação da identidade nacional.
É, sem dúvida e felizmente, uma obra de outra época, mas apesar do tempo decorrido desde a primeira edição, as teses defendidas nela continuam vigentes. «Os conceitos apresentados, tanto no que diz respeito à presença da árvore como da mata na paisagem rural, e na cidade; a crítica e descrição da utilização da árvore nas diferentes formas em que surge nas paisagens ecologicamente equilibradas; a razão de ser de técnicas ancestrais e a irracionalidade de outras mais recentes, continuam a ter actualidade e a sentir-se a flagrante necessidade de serem novamente expostas e divulgadas mesmo que algumas citações tenham hoje mais aprofundadas explicações científicas», escreve Ribeiro Telles no prefácio da reedição.
Francisco Caldeira Cabral estudou arquitectura paisagista na Universidade de Friedrich-Wilhelm em Berlim entre 1936 e 1939. Em 1940 torna-se docente no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa e inicia o ensino de arquitectura paisagista em Portugal.
Gonçalo Ribeiro Telles, discípulo seu, é o segundo arquiteto paisagista formado em Portugal. Em 1957 torna-se docente no Instituto Superior de Agronomia. Tem colaborado com Francisco Caldeira Cabral em diversos projetos, como as propostas para as estruturas verdes da Lapa (1958) e do Plano de Urbanização de Lisboa (1959) ou este mesmo livro A Árvore em Portugal, um sucesso que iria marcar a teoria e a prática na arquitetura paisagista do além-Minho.
João Aveledo
Filho de mestres e neto de labregos. Bichólogo e boticário (sem botica) é professor de Processos de Diagnóstico Clínico. Livros publicados: Mátria da Palavra (antologia de poetas galego-lusófonos) (1990), O Livro Vermelho do Reintegracionismo. Citações do Presidente Não-Lê-se-Nom (1995) e Arceia (2008).
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