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Félix e David alunos do IES São Clemente

IMG_2543Félix e David são dois alunos de Formação Profissional, ramo de Informática, no IES São Clemente, em Santiago, onde cursaram a disciplina “Sistemas Operativos em Rede” em português, dentro das secções bilingues que o centro oferece.

Com pouco conhecimento prévio da língua, não tiveram qualquer problema em seguir as aulas a partir do primeiro dia e, concluído o primeiro período, no mês de janeiro animaram-se a fazer um estágio de duas semanas no INETE, Instituto de Educação Técnica, em Lisboa, onde se integraram nas turmas com normalidade. A experiência foi ótima pois ao finalizarem o curso, em março, fizeram um segundo estágio (que ainda não concluiu) de práticas em empresas lisboetas.

Sobre a sua experiência no curso em português em Santiago e o seu primeiro estágio em Lisboa, falamos nesta entrevista.

Cursastes uma disciplina bilingue em português, ‘Sistemas Operativos em Rede’: foi difícil a imersão linguística? Fez-se de maneira paulatina, ou desde já se começou a um nível alto?

David: A integração da língua em si não é assim tão complicada, seria muito mais complexo fazer o mesmo em inglês. O português tem a vantagem de que como é tão similar ao galego… Embora não tenhas conhecimentos básicos dessa língua, o ser galego já te implica ter um alto grau de compreensão. Portanto, é muito mais fácil.

Félix: Não! De facto a Rita (a professora de português) começou a falar português desde o princípio.

D: Vantagens de ser galego…

Então, sem nenhum problema?

F: Problema zero.

Após duas semanas no INETE, achastes diferenças entre o modelo educativo português e o galego?

F: Muda bastante, sim.

D: Sim. O sistema educativo muda bastante de lá para aqui. Tem uma metodologia mais interativa entre alunos e professores, porque também estes podem aprender dos alunos. Discutir um problema, planeá-lo de mil maneiras distintas…

E como foi a imersão linguística? Houve problemas de compreensão?

F: Eu pessoalmente sentia-me um pouco perdido, no primeiro dia, chegas lá e vês-te forçado a falar o idioma, e, claro, ao princípio esbarras um pouquinho, mas ao cabo duns dias já tomas impulso.

Notastes diferenças entre a fala dos professores nas aulas e a dos alunos fora delas?

F: Também é verdade que o idioma é distinto entre alunos a professores, a verdade, porque tinham um pouco mais de gíria fora da aula.

D: Sim.

Quando eu estive lá, como Erasmus, percebi uma descoberta mútua com os portugueses com que entrava em contacto: eu dei-me de conta das nossas semelhanças com eles, e alguns deles deram-se de conta das suas semelhanças connosco, por exemplo quando lhes dizia que palavras como “carvalho” ou “eira” também existiam aqui, perante o qual ficavam espantados. Tivestes experiências semelhantes?

D: Eu tive uma descoberta nesse sentido porque já tivera uma companheira portuguesa neste centro, o São Clemente, Cláudia, dois anos atrás. Já conhecera Santiago, já sabia o que era a Galiza… Mas é o que dizes tu, chegas lá e muitas vezes não sabem o que é um galego quando historicamente estamos ligados! E também é certo que os espanhóis falam muito pouco aos portugueses. Nesse aspeto, os portugueses sabem muito mais dos espanhóis do que os espanhóis dos portugueses.

Passou-vos que vos falavam em castelhano?

D: Não, mas sim em inglês. Perguntavam-nos se preferíamos que nos falassem em inglês e nós dizíamos que não éramos de Madrid, que percebemos melhor o português.

Gostaram da cidade?

F: Gostamos sim, muito bonita.

Suponho que o estágio se fez curto…

F: Sim, em duas semanas fizemos muito, mas a correr. Todos os dias sem parar. Chegávamos a casa muito cansados.

D: Andávamos 10 quilómetros diários, segundo o podómetro do Félix, sem contar o metro!

Considerais que a experiência, tanto pelo facto de fazer um estágio no estrangeiro como pela imersão linguística em português, foi benéfica para o vosso futuro laboral?

F: Sim, tudo o que faças abre portas

D: Sim, toda a formação extraordinária do que queiras fazer, como uma língua, sempre o é. As línguas abrem portas. O inglês que se fala em todo o mundo, mas também o português que se fala em muitos sítios: Portugal, Brasil, Angola… E permite-te ir as empresas de lá que têm, tecnologicamente falando, uns bons investimentos e pode-se aprender muito deles e tirar-lhe muito proveito.

Recomendaríeis a outros alunos do vosso curso que façam o mesmo estágio?

F: Com certeza.

IMG_1875Que descobristes de Portugal, nessas duas semanas, que não conhecíeis com anterioridade?

F: Tudo!

D: Os horários para comer, a barbaridade de falsos amigos que há entre o espanhol, português e galego, o que pensam os portugueses dos espanhóis, o respeito que têm por exemplo no âmbito educativo, são muito respeitosos em comparação com o que ocorre aqui, por exemplo na relação professor-aluno; por exemplo, os telemóveis, que aqui são habituais nas aulas e lá nem te passa pela cabeça… Ou dizer um palavrão… São mais educados.

F: O sistema de ensino, completamente distinto.

D: A gastronomia, uma cultura… Por exemplo as ruas, que são muito coloridas, os azulejos, tudo muito decorado… E muito verde também.

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