Caminho dos três anos de Semente



crianças a jogar numa escola Semente 1

A Semente Compostela fai o vindouro novembro três anos a funcionar. Três anos escolares intensos, mas cheios de emoçons e de esperanças. Cheios de cançons, de descobrimentos e de ensinamentos. E cheios de surpresas.

A Semente é um centro para crianças de entre 2 e 6 anos que nasceu em 2011 por iniciativa da associaçom cultural compostelana a Gentalha do Pichel. Naquela altura considerávamos que precisávamos de umha rede de centros de imersom linguística que permitisse que aquelas famílias que quixerem legar o galego às suas crianças tivessem um ensino 100% em galego. E começamos por criar um. A nossa hipótese é que havia procura, e três ano depois as vagas estáḿ completas e afrontamos o desafio de termos que crescer para o ano próximo.

Mas desde o princípio defendemos que, sendo umha iniciativa local, a nossa iniciativa nom tinha sentido se nom conseguíamos espalhar o modelo polo País, porque continuamos a crer que a nossa necessidade é a de toda a Galiza. A nossa hipótese de base é que somos umha moreia de pessoas aquelas que nom queremos ser a derradeira geraçom em milénios que fale galego, e estamos dispostas mesmo a criar as nossas próprias escolas para o conseguir. Hoje dous grupos mais da Semente funcionam em Vigo e Trasancos, e o vindouro setembro abrirá umha nova Semente no bairro viguês de Teis. E o nosso e-mail nom deixa de receber mensagens de pessoas com as mesmas inquietudes procedentes da Corunha, de Bertamiráns, Lugo, Ourense, Alhariz, e de mais lugares que de certeza esquecemos e que ligárom para nós com a vontade de participar da Semente.

Mas nom queremos enganar ninguém, somos umha iniciativa pequena e modesta, e falta muito para os nossos projetos se tornarem realidade. Enfrentamos grandes tarefas todos os dias. Muitas delas tenhem a ver com luitar contra os preconceitos de quem nos vê como umha escola privada. Somos umha iniciativa popular, como o som as associaçons culturais, desportivas, os sindicatos… As colaboradoras e colaboradores económicas sustentam as bolsas daquelas famílias com menos recursos. Nunca ninguém ficou fora do nosso centro por motivos económicos. A interaçom com o bairro e a cidade é um do nossos princípios pedagógicos, fugindo de sermos qualquer guetto ou reserva.

Durante estes três anos trabalhamos para fazer rede entre as famílias preocupadas pola língua por meio de concertos, atividades, cursos… Todas estas iniciativas permitírom-nos dar-nos a conhecer e contribuir para consolidar umha comunidade, umha rede de pessoas consciencializadas com os seus direitos e os das suas crianças. Especialmente importantes fôrom as iniciativas Sementinhas o Sementando a Semente, que continuam a reunir grande quantidade de pais e maes para fornecer um espaço de lazer em galego.

O próximo desafio que enfrentamos e o de criarmos um centro em Vigo, no bairro de Teis. Já temos local e já começamos com a reforma. Fica por diante um verao de trabalho e planificaçom. Na nossa página web www.sementevigo.com tendes toda a informaçom sobre o processo. Há umhas semanas que começamos a campanha 10.000 € para a Semente Vigo, com o objetivo de captar fundos para a reforma que o local precisa. As achegas som muitas, mas precisamos ainda de muitas mais.

O grupo da Semente Trasancos foi o último em se criar. Porém, desde há quase um ano mantém umha atividade constante de obradoiros, romarias, conta-contos e outras atividades para crianças com o objetivo de dar a conhecer a iniciativa entre pais e maes da comarca. O alvo é abrir um centro no ano 2015-2014, mas todo está ainda por ver.

Este ano 2014 poremos a andar a Associaçom Escolas de Ensino Galego, umha Coordenadora entre Sementes que trabalhará de maneira específica os temas de Pedagogia, Língua e recursos para os centros. A associaçom é umha velha aspiraçom das pessoas que integramos a Semente mas, ao contrário do que muitas iniciativas no País, nom quigemos criar a coordenadora antes de termos estruturas locais a coordenar.

As Escolas de Ensino Galego tomam o seu nome das escolas que as Irmandades da Fala criárom nos anos 20 do século passado na Corunha, geridas por Leandro Carré e Ángelo Casal. Tomamos esse nome porque gostamos de nos enquadrar numha corrente histórica muito frutífera, a do ensino popular na Galiza, com experiências que vam desde as escolas criadas com dinheiro da emigraçom, até a escola de Barreiros nos anos 50, as escolas de Ferrado ou as escolas Racionalistas de antes do ano 36. Queremos significar-nos como um elo mais na história do ensino popular, mas ligamo-nos também com um movimento internacional que naçons sem estado de toda a Europa que levam anos a desenvolver experiências similares. São as ikastolas no País Basco, as Bressolas na Catalunha Norte, as Caladretas occitanas, as Diwan bretoas… A imersom linguística é a nossa característica principal, e isso tem grande importáncia, porque nom temos constáncia de metodologias de imersom que se tenham levado a cabo na Galiza de jeito sistemático. Isto implica um grande desafio, pois estamos a desenvolvê-las à medida que avançamos, adaptadas à realidade sociolinguística do nosso País.

A Semente é, pois, ainda um gromo pequeno, com duas ponlinhas e umha terceira que rebule no casulo. Mas a experiência destes três anos diz-nos que a terra é fértil, e que o tempo proverá. Quem sabe o que seremos dentro doutros três anos. O que sim sabemos é que há três anos sonhávamos com cousas que hoje som realidades, e nom queremos deixar de fazê-lo. O trabalho começa a dar os seus frutos, mas precisamos ser muitas mais. Precisamos de ti.

NOTA:

Artigo publicado originalmente no Fest-AGAL n.º 5 (julho de 2014)


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  • Ernesto V. Souza

    Muito bom texto, Miguel, e grande iniciativa, a melhor sem dúvida de todas quantas em andamento.