Zeca Baleiro abre espaço para a música lusitana

Canções d'Além Mar traz a música contemporânea portuguesa para o Brasil



Silvia Zamboni

Silvia Zamboni

A pandemia e o isolamento social que assustam o Brasil (e o mundo) não intimidaram o cantor e compositor Zeca Baleiro e ele lançou em julho, seu novo trabalho, intitulado Canções d’Além-mar.

Este novo disco é o décimo quarto álbum de estúdio, lançado pelo selo Saravá Discos e está sendo distribuído inicialmente em formato digital.

Canções d’Além-mar. faz uma linda homenagem à música contemporânea de Portugal, interpretando composições, entre outros nomes, de Zeca Afonso, Vitorino, José Cid, Rui Veloso, António Variações e Sergio Godinho.

O belo trabalho de Zeca Baleiro vem recebendo elogios no Brasil e, também, em Portugal, onde o próprio Sérgio Godinho o classificou em suas redes sociais como “Genial apropriação da minha música (Às Vezes o Amor)”.

Esse trabalho é uma verdadeira ponte para a interação musical Brasil-Portugal, uma vez que quase não existe circulação da música portuguesa contemporânea no Brasil. Fala-se muito na dificuldade do sotaque, na falta de concertos lusitanos e tantos outros argumentos. A verdade é que boa parte da produção atual portuguesa é completamente desconhecida dos brasileiros.

Esse trabalho é uma verdadeira ponte para a interação musical Brasil-Portugal, uma vez que quase não existe circulação da música portuguesa contemporânea no Brasil. Fala-se muito na dificuldade do sotaque, na falta de concertos lusitanos e tantos outros argumentos. A verdade é que boa parte da produção atual portuguesa é completamente desconhecida dos brasileiros.

Em meio a sua agenda lotada, o Baleiro atendeu ao Espaço Brasil e participou de uma entrevista, o que nos deixou muito honrados, pois, somos fãs desde “Por Onde Andará Stephen Fry?”, o belo disco de estreia do compositor em 1997.

Qual foi a motivação para gravar um disco de músicas portuguesas?

Silvia Zamboni

Silvia Zamboni

Há muitos anos acalento essa ideia. Acompanho a música portuguesa desde os anos 80, quando ganhei de presente de duas amigas, Laurinda e Salete, um k7 com canções de Fausto, Vitorino, Sergio Godinho e José Afonso. Tempos depois, no início dos 90, ganhei de um amigo um cd do Pedro Abrunhosa e os Bandemónio. E a partir de 1999, quando lancei meu segundo disco,”Vô Imbolá”, me apresentei diversas vezes em Portugal e, a cada viagem, voltava carregado de cds portugueses.

O centenário de Amália Rodrigues influenciou no projeto?

Sendo bem honesto, não. Apesar de ser fã da Amália, este disco nem fados tem. É um recorte da música mais contemporânea, da produção musical desde os anos 60 até os dias atuais (ou quase rs).

Como foi feita a escolha das  músicas de Canções d’Além Mar?   (Com ícones como Zeca Afonso, Vitorino e António Variações).

Desde a origem da ideia, passaram-se 14 anos. Ouvi muitos discos e muitas canções nos últimos anos até me resolver por esse repertório. Reuni no álbum canções que gosto de cantar ou nas quais vi possibilidade de uma releitura interessante. A ideia era aproximar essas canções do meu universo sonoro. O critério, como sempre em meus trabalhos, foi afetivo mesmo. Aqui estão canções portuguesas de que gosto muito. E que acabam por fazer um resumo razoável da produção musical portuguesa dos últimos 50 anos.

Silvia Zamboni

Silvia Zamboni

É comum no Brasil pensar no fado ou ao trabalho de Roberto Leal. Como mostrar que a música portuguesa é mais do que isso? Como está a aceitação do público brasileiro?

Sim, aqui no Brasil conhece-se basicamente o fado ou o trabalho do Roberto Leal, uma música de viés mais folclórico. Eventualmente um grupo ou artista conquista um êxito temporário por aqui, como aconteceu com a Dulce Pontes ou o grupo Madredeus. Quanto à receptividade, tem sido muito interessante, tenho tido um bom termômetro pelas redes sociais. Muita gente – de lá e de cá – escreve dando suas impressões, está sendo curioso acompanhar.

Você também é ídolo em Portugal e Espanha, já tem concertos acertados para lançar o disco?

Antes da pandemia, planejávamos lançá-lo em cd e vinil, e eu tinha planos de ir a Portugal fazer o trabalho de divulgação pessoalmente. Com esse quadro, resolvemos lançar por ora apenas nas plataformas digitais e, assim que for possível, irei até lá para fazer o show do álbum. Quem sabe vamos até a Espanha também, saudade de tocar aí.

E nos demais países da Lusofonia?

Por ora sem planos. Mas eu adoraria poder estender nossa turnê portuguesa pelos países africanos lusófonos.

Acho que qualquer trabalho artístico que busque essa aproximação entre os países lusófonos acaba contribuindo para uma integração maior, mais plena entre os povos. Se é esse o desejo da Galiza, penso que será bem-vinda à comunidade.

A Galiza, hoje região espanhola, foi o berço da Língua Portuguesa (galego-português) e agora luta para reintegrar-se à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em sua opinião, como o  Canções d’Além Mar pode contribuir para esse processo.

Acho que qualquer trabalho artístico que busque essa aproximação entre os países lusófonos acaba contribuindo para uma integração maior, mais plena entre os povos. Se é esse o desejo da Galiza, penso que será bem-vinda à comunidade.

Conheça esse trabalho em:

Sítio oficial = http://zecabaleiro.com.br/balanews/163/canaaes-daalam-mar
Youtube = https://www.youtube.com/user/ZecaBaleiroTVbala
Instagram = https://www.instagram.com/zbaleiro/

José Carlos da Silva

Desde 2008, José Carlos da Silva é correspondente do PGL no Brasil. Residente em Campinas (São Paulo), é produtor cultural e periodista. Como produtor cultural trabalha pela difusão da cultura caipira, que tem na viola de 10 cordas, sua maior expressão.

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