Num artigo publicado recentemente na monografia Estudos sobre Gramática e Sociolinguística Galego-Portuguesas da Revista Galega de Filoloxía da USC, editada por Xosé Manuel Sánchez Rei, o linguista compostelano de origem britânica reclama uma “lingua de calidade” como espaço de confluência onde o galego deveria, por um lado, avançar para a convergência com o português, mas por outro fazê-lo sem renegar das suas “características próprias”.
A proposta nom é nova, tendo sido dada a conhecer polo filólogo Xosé Ramón Freixeiro Mato. A novidade nesta ocasiom é que volta a ser defendida publicamente em diálogo com propostas surgidas nos últimos anos no seio do reintegracionismo, nomeadamente na AGAL, como o binormativismo.
O artigo começa por dar uma interpretaçom de como o consenso entre as diferentes posturas normativas do galego se quebrou com a aprovaçom das NOMIG (pola RAG e o ILG) e a publicaçom posterior do Decreto de Normativizaçom da Língua Galega em 1982, respondidas polo reintegracionismo com as normas da AGAL de 1983, ao lado dos mínimos, continuadores das pré-existentes Orientacións para a escrita do nosso idioma (1980). Estes acontecimentos dérom origem a um conflito ainda atual que de facto se polarizou nos últimos anos com a desapariçom dos “mínimos” e a aceitaçom pola AGAL “da plena confluência ortográfica” plasmada no livro Ortografia Galega Moderna Confluente com o Português no Mundo.
Em vez de binormativismo, que seria muito redutor por focar principalmente a ortografia e conceber a questom como pugna entre dois setores irreconciliáveis, seria “mais proveitoso colocar as diferentes posições em termos dum espectro ou continuum, onde o espaço cinzento intermédio nom separa os extremos, antes bem os une: uma terra de ninguém (ou de todas e de todos) onde pode agromar e fluir a concórdia. É precisamente isto o que pretende o conceito `língua de qualidade`”, que, segundo Baxter, conta com suficientes pessoas partidárias em ambos os campos do debate para avançar para uma nova concórdia.
Segundo o autor, parte da soluçom passa por nom circunscrever o debate apenas à ortografia e por salientar que o declive do galego se deve principalmente a outras causas, pois este só tem incidência entre os falantes conscientes do galego. Ora bem, nas atuais circuntâncias, qualquer problema interno deveria ser superado pois pode ser utilizado para “reforçar o preconceito do galego como inferior ou instável”. Assim, “qualquer movimento cara a uma confluência e a superaçom da conflituosidade interna só poderá ser benéfico para o presente e o futuro da língua”.

Segundo Baxter, uma vez que a AGAL reconheceu que ensinar a ortografia portuguesa nas aulas de galego poderia geral conflito com os setores mais isolacionistas, o reintegracionismo ortográfico parece “inviável a curto ou mesmo a médio prazo”. Desta maneira, em vez de binormativismo, que seria muito redutor por focar principalmente a ortografia e conceber a questom como pugna entre dois setores irreconciliáveis, seria “mais proveitoso colocar as diferentes posições em termos dum espectro ou continuum, onde o espaço cinzento intermédio nom separa os extremos, antes bem os une: uma terra de ninguém (ou de todas e de todos) onde pode agromar e fluir a concórdia. É precisamente isto o que pretende o conceito `língua de qualidade`”, que, segundo Baxter, conta com suficientes pessoas partidárias em ambos os campos do debate para avançar para uma nova concórdia.
O artigo na íntegra pode ser lido aqui:
BAXTER Lingua de calidade un concepto integrador para tender pontes e superar as diferenzas entre isolacionismo e reintegracionismo