António Carvalho – Em 14 de junho de 2008 Luís Gonçales Blasco, «Foz», recebia em Compostela uma homenagem a toda uma vida de compromisso e luta pelas liberdades e direitos da Galiza, o seu povo… e, claro, a sua língua. Agora, da AGAL e do PGL queremos contribuir com a divulgaçom de uma entrevista em que o «Foz» conta a sua história com a Língua.
O roteiro da vídeo-entrevista que apresentamos foi desenhado por Eduardo Maragoto e a gravação, realizada uma semana antes da homenagem, a 7 de junho de 2008, num café da compostelana praça de Fonseca, bem como a montagem, são fruto do trabalho de Roi Ribeira Bezerra.
O documento que servir como complemento à magnífica reportagem em volta da homenagem ao «Foz» que, sob o título «Com as raízes na terra», fora emitida em seu dia por Gzvídeos, além de dar a conhecer um pouco mais uma das pessoas de mais anos de militância na AGAL.
Igualmente, com esta entrevista damos a andamento no portal a uma nova categoria, Agal Hoje, de alguma maneira continuadora da velha AGAL e Futuro, série de entrevistas que tivera grande sucesso em seu dia no velho PGL.
Através de AGAL Hoje queremos mostrar as pessoas que fam possível a existência da Associaçom Galega da Língua. Elas som diversas, por idade, por género, por profissom ou por interesses mas estám unidas por umha visom comum: a nossa língua é um motivo de satisfaçom pessoal e umha oportunidade para a sociedade galega.
Assistir entrevista Luís Gonçales Blasco, «Foz»
Luís Gonçales Blasco «Foz» – Biografia
Nado em Foz (1941), já desde a adolescência se interessou na identidade e na literatura da Galiza. Começou, em Madrid, estudos de Ciências; lá entrou em contato com o fato de estudantes e trabalhadores galegos Brais Pinto onde se formou politicamente no nacionalismo galego e, socialmente, na esquerda: conheceu Méndez Ferrín que influiu muito nele como reflete no artigo «Ferrín na minha vida», publicado na obra coletiva A semente da nación soñada. Homenaxe a Méndez Ferrín (Xerais/Sotelo Blanco, 2008).
Em Compostela tomou parte ativa no movimento estudantil dos anos sessenta. Cofundou o Conselho da Mocidade, organização juvenil para recuperar o galeguismo político, que liquidaram Ramón Piñeiro e outros. Em julho de 1964 participou na fundação da União do Povo Galego.
Pelas suas atividades políticas no campo nacionalista e estudantil, em 1968 teve que se exilar a França, onde continuou a trabalhar para a União do Povo Galego, sendo o primeiro responsável pela criação da secção europeia da mesma. Quando conseguiu o passaporte espanhol, em 1977, viajou à Galiza e a sua vida discorrou entre ambos os países. Em 1978 começou uma aventura, com alguns amigos, como livreiro em Viveiro, nesta altura ainda alternou a sua vida entre França e a Galiza.
A livraria acabaria em fracasso económico, embora lograsse notável sucesso cultural. A seguir, achou o seu futuro no ensino, ao superar as oposições para professor de secundária de Língua e Literatura Galegas nos inícios de oitenta. É na altura que ingressou na Associaçom Galega da Língua, de que foi vicepresidente e, nos dias de hoje, integrante da sua Comissom Linguística.
Durante as décadas de 80 e 90 Luís Gonçales Blasco continuou muito ligado ao movimento político e cultural, tendo desenvolvido uma grande atividade no campo da investigaçom linguística e da memória histórica do Povo Galego, sendos inúmeros os ensaios publicados em revistas científicas e jornais galegos. Ainda em 2008 tornou-se académico-fundador da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP).
