Freixeiro Mato: “O binormativismo pode ser arriscado, mas o galego tem que correr riscos”



O linguista Xosé Ramón Freixeiro Mato, que no seu último livro Idioma e sociedade. Sobre normalización e planificación analisa amplamente a posiçom binormativista, e o presidente da AGAL, Eduardo Maragoto, participárom recentemente numha conversa para explicar o binormativismo a docentes e alunos e alunas galegas promovida pola Asociación Socio-Pedagóxica Galega.

Freixeiro Mato entrevistado por Eduardo Maragoto.

Freixeiro Mato e Eduardo Maragoto durante a conversa.

Os palestrantes começaram por explicar em que consistiria umha política linguística de carácter binormativista, que é aquela que “teria em conta que na Galiza existem dous modelos de codificaçom para a escrita”, de maneira que em vez de isso ser ignorado, ambos deveriam contar com algum estatuto legal para se poder “tirar o maior proveito de cada um deles e que os dous colaborem no processo de normalizaçom lingüística do galego”, segundo afirmou o presidente da AGAL, que explicou as principais semelhanças com o caso norueguês e outros no mundo.

A seguir, Freixeiro Mato explicou que, no fundo, do que se trataria é de incorporar o português ao repertório linguístico dos galegos e galegas, algo que se justifica na longa tradiçom de uso que tem o reintegracionismo e que necessita de sustento legal. “Parece lógico que [esse movimento] seja incorporado com todas as da lei a esse projeto de defesa da língua galega”. Também justificou a necessidade de avançar para o binormativismo no “momento altamente preocupante” por que passa o galego, no que representa o reintegracionismo na Galiza e no que pressupõe o portuguềs no mundo, que poderia funcionar como revulsivo.

A seguir, os palestrantes analisárom algumhas vantagens do binormativismo. Maragoto afirmou que “ninguém sabe quais serám as prioridades” dos e das galego-falantes do futuro, de maneira que nom convém descartar nenhuma das orientações linguísticas e reconheceu que no próprio reintegracionismo “nom estamos completamente cegos” quanto às fortalezas da norma oficial, da que dixo sentir-se orgulhoso por representar o esforço de muitas gerações de galegos e galegas que botárom mão da ortografia que conheciam para representar as suas falas desde o século XIX. Porém, afirmou, é preciso oferecer umha língua útil aos galegos e galegas, para que ela seja cuidada polos seus utentes. Para Freixeiro, seria somar utilidade a identidade, para além de resolver um conflito histórico. Afinal, ademais, se as pessoas galegas fossem competentes em português, muitas pessoas atualmente alheias ao processo normalizador poderiam sentir-se mais cómodas com o galego.

Freixeiro comparou o processo norueguês, que no ano 1971 renunciou a construir uma norma única (chamada samnorsk) e avançou para umha via binormativista, com o caso galego, que no mesmo ano de 1971 conheceu umas normas da RAG que, embora dependentes do espanhol, já reconheciam que esta dependência se daria enquanto nom se pudesse avançar na convergência com o português. Ao mesmo tempo, surgia o ILG com o propósito declarado de procurar a independência do português. De maneira que um binormativismo de facto na Galiza surgia no mesmo ano que um reintegracionismo de jure na Noruega. Na sequência deste reflexom, Maragoto defendeu que o binormativismo é tam vantajoso que nem sequer descartaria um futuro reencontro das duas normativas ao estilo de como fora tentando na Noruega através do samnorsk.

Freixeiro acabou por defender que um consenso cultural e político é possível, que afinal passaria pola renovaçom do Estatuto de Autonomia, no sentido também defendido por Henrique Monteagudo aqui. Freixeiro aplaudiu algumhas iniciativas que seguem o modelo binormativista, como Nós Diario.

Finalmente, para o presidente da AGAL uma premissa para avançar no binormativismo será que ninguém se veja obrigado a fazer o que nom quer. Para isso ser possível, é preciso adaptar minimamente o ensino para que as pessoas saiam com conhecimento passivo das duas normas, de maneira que seja possível que as pessoas se dirijam à Administraçom na norma que desejarem.

Junto com este vídeo-conversa, a AS-PG divulgou, em colaboraçom com a Deputaçom da Corunha, outros vídeos na série “70 minutos.com”, como uma conversa sobre Carvalho Calero de Manuel Castelao Mexuto e Ramona Giráldez Domínguez e mais três com recentes ganhadoras de importantes prémios literários: Pilar Pallarés (Premio Nacional de Poesía 2019), Olga Novo (Premio Nacional de Poesía 2020) e Alba Cid (Premio “Miguel Hernández” 2020), entrevistadas por Yolanda Castaño e Eva Veiga. Pode-se aceder a todos estes vídeos no seguinte link.

A Asociación Socio-Pedagóxica Galega é umha associaçom de grande importância na história da norma linguística, tanto no surgimento dos mínimos reintegracionistas, como na cozinha da reforma da atual norma ofical de 2003.

 


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  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Muito boa conversa, e quem melhor que o Freixeiro para nos certificar que a língua nacional nossa acha-se na Galiza num beco sem saída.
    Mais que um beco é uma nassa (sempre contentes entram quem vão ser vitimados nela), pois a saída só é uma.

    A nossa nassa chama-se a língua fácil, em palavras de Filgueira Valverde no La Voz, com motivo da “oficialização” do castelhano como norma de correção da nossa fala, e sacola de onde tirar todo o que lhe prestar ao falante

    • Ernesto Vazquez Souza

      Mas que de novo achega falar com gente que não se vai movimentar tipo Monteagudo ou Freixanes e que bem está como está ou com gente como Freixeiro e a ASPG que leva 30 ou mais anos indicando o caminho certo mas sem meter um pé nele?

      Não seria melhor conversar com gente da AEG e da AGLP que já está no caminho e falarmos de Norma Nacional, de lusofonia e de campanhas para a ativação da Paz Andrade e do português nos liceus e Universidades…

      Ou temos um elitismo de figuras e uma institucionalite que não podemos com ela?

      • https://pglingua.org/index.php abanhos

        Freixeiro o que teria que fazer é entrar na AGLP e ser coerente com o seu trabalho.

        Se o modelo binormativo é o de Nósdiário…apagai as luzes e vamo-nos. Ter tolerância, de aquela maneira com colaboradores, não é um projeto binormativo

        O português tem um não pequeno problema para a sua incorporação legal. Nao é uma língua espanhola…(const art3, Las demás lenguas españolas), por isso seria bem importante mudar o nome a português da Galiza, que é quem tem força de ação, pola magia das palavras.

        • Ernesto Vazquez Souza

          Caro: se fosse coerente não teria esse trabalho… e se não tivesse esse trabalho ninguém falaria a respeito do que escreve…

          Quanto ao Nós… é um projeto doutra equipa, doutra gente alheia ao reintegracionismo… lá eles…

          Eu continuo pensando naquela cousa que tu escreveste sobre o Yvo Peeters… esse e o de Lapa é o caminho… o resto uma rotunda sem fim, uma conversa com as mesmas gentes sobre nada e uma perda absoluta de tempo e recursos…

          • Galician

            Poderias explicar um bocadinho mais essa ideia, a de Yvo Peeters e a de Lapa? Obrigadíssimo…