‘Decreto Filgueira’ explica a transcendência de Filgueira no processo de normatizaçom do galego

Este documentário, dirigido por Ozo Perozo, relata os acontecimentos que precedêrom a aprovaçom da normativa em vigor em 1982



Decreto Filgueira 1Desde já pode ser visionado on-line o documentário Decreto Filgueira, dirigido por Ozo Perozo, sobre o intenso debate que se produziu entre os anos 1971 e 1982 em relaçom a qual devia ser a orientaçom gráfica do galego. Este processo é explicado de forma ágil e didática no filme, o qual pode ser de grande ajuda para compreender os motivos que nos levárom a entender o galego como hoje é concebido, com todos os consensos e distensons com que chegou à atualidade. Também ajudará a compreender melhor a figura homenageada no próximo Dia das Letras, Xosé Fernando Filgueira Valverde, através de um episódio do qual foi protagonista no início dos anos 80, fundamental para a história recente da nossa língua.

Um debate intenso

As Normas Ortográficas e Morfológicas do Idioma Galego (ILG-RAG) foram oficializadas por decreto no ano 1982. Porém, nem foram as primeiras normas oficiais, nem contárom com o apoio de importantes setores da cultura galega, que debatia intensamente sobre qual havia de ser a orientaçom ortográfica do galego desde o início dos anos 70.

Decreto Filgueira - Albor_FilgueiraO documentário, de meia hora de duraçom e destinado fundamentalmente ao ensino secundário, percorre os diferentes posicionamentos lingüísticos e as formulaçons normativas que cada um deles gerou desde que em 1970 Carvalho Calero redigiu as primeiras Normas Ortográficas do Idioma Galego da Real Acadamia Galega, assumidas como próprias polo mundo de Galaxia. Em pouco tempo, no período de três anos, surgiriam duas propostas dissidentes que acabariam por tornar-se irreconciliáveis. De um lado, a que hoje conhecemos por “autonomista”, aglutinada em torno do Instituto Galego da Língua, que entre 1971 e 1974 publicou os manuais Gallego 1, 2 e 3. Do outro, a que hoje conhecemos por “reintegracionista”, que depois de ser formulada por Rodrigues Lapa e Martinho Montero entre 1973 e 1974 se foi aglutinando em torno de Carvalho Calero, que foi assumindo posturas cada vez mais reintegracionistas à medida que avançava a década. Começados os anos 80, a Xunta oficializava umhas normas que pretendiam o consenso, ainda que partindo de umha orientaçom convergente com o português. Estavam redigidas pola Comisión de Lingüística da Xunta que presidia Carvalho Calero. Porém, em 1982, umhas novas normas com umha orientaçom diferente relegavam as do velho catedrático de Galego. Até a atualidade. O decreto que as oficializou, assinado por Filgueira Valverde, que fora membro da anterior Comisión de Lingüística da Xunta, deu origem a um dos lustros de maior tensom no debate normativo.

No documentário intervenhem vários históriadores e pessoas que fôrom protagonistas daqueles factos de diferentes perspetivas (ver abaixo). Porém, pretende tornar compreensível o debate para pessoas que o desconhecem, especialmente alunado do ensino secundário. Com este objetivo, o filme conta, entre as entrevistas, com vídeos de animaçom que contextualizam os acontecimentos relatados na história do galego escrito.

INTERVENHEM

  • Decreto Filgueira - Barreiro RivasXosé Luís Barreiro Rivas. Conselheiro da Presidência de 1982 a 1986 e vice-presidente da Xunta de Galicia desde 1983 a 1986
  • Elvira Souto. Militante da Unión do Povo Galego (UPG) nos anos 70 (secretária-geral entre 1977 e 1978) e ativista da Associaçom Galega da Língua nos anos 80
  • Isaac Alonso Estraviz. Lexicógrafo, autor do Dicionário da Língua Galega e Membro da Associaçom Galega da Língua (AGAL)
  • Francisco Fernández Rei. Dialetólogo, autor da Dialectoloxía da Língua Galega e corredator das Bases pra Unificación das Normas Lingüísticas do Galego (1977). Membro do Instituto da Lingua Galega (ILG) desde 1973 e da Real Academia Galega.
  • José Luís Rodríguez. Catedrático de Filologia Portuguesa e secretário da “Comisión de Linguística” da Xunta (1979).
  • Maria Xosé Queizán. Escritora em galego desde os anos 60. Como ensaísta, destacam os seus trabalhos sobre feminismo.
  • José Luís do Pico Orjais. Musicólogo, autor de vários trabalhos sobre a figura de Filgueira Valverde.
  • Francisco Rodríguez. Militante da Unión do Pobo Galego (UPG) desde 1967 e ativista da Asociación Socio-Pedagóxica Galega (AS-PG) desde 1976.
  • Tiago Peres Gonçalves. Historiador, autor da Breve História do Reintegracionismo.
  • Uxío-Breogán Diéguez. Historiador, especialista na história do nacionalismo galego.
  • Carlos Velasco. Historiador, autor de Piñeiro e o piñeirismo em perspectiva histórica.

SINOPSE

Durante os anos 70, quando já se adivinhavam os perfis da Democracia, o mais constante debate lingüístico galego de todos os tempos, o da orientaçom ortográfica, reaparece com força. Como alternativas ao modelo de Galaxia, cujos esforços se centravam em manter a chama de umha cultura própria suportável para o Franquismo, concretizam-se duas novas propostas antagónicas. Por um lado, a que pretendia restaurar a afirmaçom lusista do galeguismo do pré-guerra, pouco a pouco aglutinada em torno da figura de Carvalho Calero. Por outro, a que defendia construir um galego independente do português, que tinha como guia o trabalho dialetológico do Instituto da Língua Galega. Ambas contárom com defensores de grande altura intelectual. Porém, chegados os anos 80, umha rápida sucessom de acontecimentos políticos, acabaria por fazer com que umha figura se tornasse imprescindível para explicar o desfecho de um conflito com epicentro em 1982. Filgueira Valverde, que representava a continuidade do modelo cultural que em torno do galego se tinha gerado durante os anos da Ditadura, deu nome a um Decreto fundamental para compreender a orientaçom que seguiu a língua até a atualidade.

O diretor

Ozo PerozoOzo Perozo trabalha atualmente trabalha na série da TVG O Faro, mas tem participado em outras produções de sucesso como Padre Casares ou Matalobos.

Prémio Galicia por Baseado en feitos que puideron ter acontecido no 34º Certame Audiovisual Liceo Casino de Vilagarcía (2006),  2º Prémio Festival de Cortometrajes Fantásticos Marienbad por Auga (2008), Prémio Melhor Curta em Galego por Auga no Festival de Cine Canalla de Sada (2008) e Finalista à Melhor Direçom de Arte pola curta A Danza de Katiuska nos Prémios AGAPI do Audiovisual Galego (1999).

Documentário e materiais didáticos

Na página web do documentário poderá-se igualmente aceder a material didático para o visionado do filme, ideado para a ESO e Bacharelato e disponível em diferentes normativas.


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  • PMG

    E esto vai-se projectar em escolas da Galiza? E vão deixar?

    • https://pgl.gal Valentim R. Fagim

      Bom, depende de cada professor/a. Se eu fosse professor de secundário passaria-o e usaria a unidade didática criada ao respeito.

  • Ernesto V. Souza

    ES-PE-TA-CU-LAR!!!

  • Ricard Gil

    Magnífico video Parabens para Ozo Perozo, a sua equipa , as pessoas que intervenhem no video ( ainda bem que saim gente do ILg) e os que fizerom possivel o vídeo , como sempre nom era sem tempo mas eu acho que tá na hora certa
    Depois para os que acharem que a mudança de norma nom suporia o abandono do galego bem , poderiamos discutir e mesmo concordoria mas o que tenho claro é embora tivessemos o mesmo abandono o que si teriamos e gente que sabe falar muito melhor porque hoje em dia qualquer professor sabe disto , a gente apenas muda cousas tipo os ditongos cast “ue” por o e “ie” por “e” , e todas as ja ge gi jo ju por xa xe xi xo xu , para dissimularem depois ponhem o foco em parvadas como em galegos às vezes é com b como no castelhano ( herba cabalo) as vezes como V como no português ( voda advogado) mas nom sabem quando utilizarem o inf conjugado ou fut subjuntivo , nom sabem o léxico ( mesmo o da RAG tipo atol e nom atolón ou tesouras e nom tixeiras ou xeonllo e non rodilla) nom sabem distinguir entre as formas cantara e cantasse e milhares de cousas que com ajuda do português teriamos há muito ultrapassado e e alem disso o galego e que sabe umha segunda língua útil e que ajuda no aprendizado doutras línguas ( sobretudo na ortografia do catalam o inglês e o francês polos seus duplos esses os g os j e o ç)

  • ranhadoiro

    Gostei do vídeo. Porém achei a falta uma referência a breve entrevista no La Voz
    a Filgueira, feita com motivo de ir-se publicar o “Decreto de Normalización”. Saiu no jornal um dia ou uns dias antes da publicação do Decreto.. Ali olha-se claro que a ele o que lhe preocupava era castela/espanha e o castelhano, o galego era uma anedota regional que nunca deveria questionar o castelhano, a língua a sério na Galiza.

    Além disso, não havia pontada sem fio, para ele, (E nesse ele há que meter a muitos)
    o reintegracionismo era um questionamento da natureza espanhola do “galego”, e por tanto um não senso nacional na “nacion” a que todos pertencemos.

    É bom tão bem lembrar dele, que foi famoso como professor de liceu em Pontevedra, polo seu jeito de massacrar e desrespeitar aos galegos falantes de aldeia, aos que humilhava,,,isso fala dele e do pouco siso dos ráguigos.

    • Xan Pedro

      mmm onde se pode atopar a entrevista esa?

  • Ângelo Cristóvão

    Vídeo importante e necessário. Parabéns aos promotores e autores. Talvez a limitação do tempo não tenha permitido incluir outros aspectos importantes da questão, na linha do que indica Ranhadoiro.

    Por outro lado é uma escandalosa falta de honradez o facto de que, ao 33 anos do “experimento” (1982-2015) os seus promotores, entre eles Xosé Luís Barreiro Rivas, não mostrem na entrevista um mínimo de autocrítica. Porque não cabe afirmar que o Decreto Filgueira foi uma decisão política importante e, ao mesmo tempo eludir a responsabilidade do resultado, a situação desastrosa em que se encontra o galego. Deux ex machina? A história tinha de ser necessariamente esta?

    • Ângelo Cristóvão

      Em qualquer caso o Decreto Filgueira foi atual e já não é atual. Estamos numa nova etapa. Por um lado é preciso que a gente nova conheça a história, e por outro temos de andar novos caminhos para ultrapassar esses erros. Neste caminho haverá que usar mais os substantivos colaboração, diálogo e abertura.