Brasil é o país convidado do Salão do Livro de Paris 2015

Dois escritores indígenas estão na França entre os representantes escolhidos para representar o Brasil



Brasil no salão de Paris

O ministério brasileiro da Cultura anunciou os 48 convidados para representar o país no Salão de Paris, entre eles estão escritores indígenas Daniel Munduruku, autor de “Os Filhos do Sangue do Céu”, da área infanto-juvenil, e Davi Kopenawa, das ciências humanas, que escreveu “A queda do céu”, além de famosos como Bernardo Carvalho (“Mongólia”) e Paulo Coelho (“O alquimista”).

A lista não traz grandes novidades nem para os leitores brasileiros, nem para os franceses, pois preferiu-se “arriscar pouco” e tentar “agradar a muitos”. Algumas das indicações soam como “um vez mais do de sempre”.

Autores com obras traduzidas em francês ou em processo de tradução, o equilíbrio entre autores novos e consagrados e a diversidade entre as regiões do país e os géneros literários, foram os critérios utilizados para a escolha dos escritores.

Há também criadores de História em Quadrinhos, como Fabio Moon, e dramaturgos, como Sérgio Roveri e Bosco Brasil. Na lista também estão nomes consagrados e com obras lançadas também em Portugal, como Leonardo Boff, que escreveu “Francisco de Assis e Francisco de Roma”, Daniel Galera (“Barba Ensopada de Sangue”) e Fernando Morais (“O mago – a incrível história de Paulo Coelho”), além do próprio Paulo Coelho.

Autores bastante premiados, como Milton Hatoum (“Relato de um Certo Oriente”, “Cinzas do Norte”), Bernardo Carvalho (“Nove noites”) e Cristóvão Tezza (“O Filho Eterno”), vencedores de diferentes edições do Prémio Portugal Telecom de Literatura, Ana Miranda (“Boca do inferno”), Alberto Mussa (“O Enigma de Qaf”), Michel Laub (“Diário da Queda”), Patrícia Melo (“O matador”, “Ladrão de Cadáveres”) e Tatiana Salem Levy (“Dois rios”, “Curupira Pirapora”).

O Salão do Livro de Paris vai decorrer de 20 a 23 de março de 2015, e o Brasil vai ocupar um espaço de 500 metros quadrados no evento.

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José Carlos da Silva

Desde 2008, José Carlos da Silva é correspondente do PGL no Brasil. Residente em Campinas (São Paulo), é produtor cultural e periodista. Como produtor cultural trabalha pela difusão da cultura caipira, que tem na viola de 10 cordas, sua maior expressão.

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  • http://www.isabelrei.com Isabel Rei Samartim

    Obrigada por estas notícias, caro. Sem ti não saberíamos destas cousas. Tinha de haver alguma mulher indígena e escritora. Cada vez gosto menos dessa palavra indígena… Parece-me que @s indígenas não gostamos dessa palavra… tampouco no Brasil, por mais que se utilize respeitosamente. Autóctone, do país, da terra. Uma mulher do país, uma mulher da terra escritora e convidada em Paris…

    • Jose Carlos Silva

      Isabel
      Vendo a lista de convidados para a representação, realmente
      não há nenhuma escritora indígena. No Rio de Janeiro mora a professora e
      escritora Elaine Potiguara, remanscente da Nação Potiguar –
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Eliane_Potiguara
      Também não tenho
      conhecimento de que não gostem do termo “indígena”. A palavra
      “autóctone” é pouco (ou quase nada) usada popularmente, ficando restrita
      aos documentos oficiais e textos acadêmicos. Em uma notícia talvez
      chegasse a confundir o leitor.