Ana Pontón: “O planeamento linguístico do Governo de Feijóo foi regressivo nesta última década, um decénio negro”



ana-ponton-1Neste ano 2021 há 40 anos que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um estatus legal que permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisar este período, iremos realizar ao longo de todo o ano, umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para darem-nos a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom de cara o futuro.
Desta volta entrevistamos a porta-voz nacional do BNG, e candidata à presidência da Junta, Ana Pontón.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?
Cada um dos passos que se foi dando, desde a recuperaçom da democracia, no avanço da reparaçom do galego em todos os usos foi positivo porque contribuiu a reparar a condiçom de equidade para o galego. Conseguir isto era necessário e face-lo possível foi umha realidade graças ao compromisso da sociedade galega.
Foi mui importante a Lei de normalización lingüística em 1983, como também o Plan xeral de normalización da lingua galega em 2004.
A creaçom da CRTVG, a entrada do galego como veículo de aprendizagem desde o que conhecer outras matérias ou as ordenanças de normalizaçom linguística dos concelhos fôrom iniciativas importantes e práticas para incorporar o galego a contextos próprios de estatus formais.

A creaçom da CRTVG, a entrada do galego como veículo de aprendizagem desde o que conhecer outras matérias ou as ordenanças de normalizaçom linguística dos concelhos fôrom iniciativas importantes e práticas para incorporar o galego a contextos próprios de estatus formais.

Porém, nunca fôrom desenvolvidas integramente, com o planeamento necessário nem com a avaliaçom que um processo de recuperaçom como este precisa. E isso explica, em grande medida, o ponto em que estamos, com o galego, longe de avançar como língua normalizada, presenta umha regressom contraria aos ditados dessas normas.

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situação na atualidade fosse melhor?
ana-ponton-2Nom se deveria ter atuado com a legislaçom própria da normalizaçom linguística como se esta for matéria de segunda, dando a sensaçom de que foi aprovada liturgicamente mas nom para ser cumprida. A falta de desenvolvimento normativo fijo parte de umha vontade política cativa que impediu um verdadeiro avanço na normalizaçom do galego.
E também tinha de vir acompanhado de um processo de formaçom e de educaçom no apego polo idioma próprio. Segue a ser necessário trabalhar a autoestima, o apego, para se reconhecer na própria língua e nos valores culturais que representa e transmiti-la às geraçons mais novas por via intrafamiliar e social.
Neste senso, foi umha carga proibir na escola o uso do galego como língua de transmissom do conhecimento de matérias científicas, ou eliminar a garantia do galego na etapa infantil como fijo o PP desde 2010. Também nom se deveu de retirar o apoio ao galego nos espaços de socializaçom lúdica da infância e adolescência nos meios de comunicaçom. A Xeración Xabarín está ai e reinvindica-se como tal, como umha boa mostra da importância dos meios em galego na restituiçom do idioma.
Também nom modificaria o artigo 335 da Lei de Función Pública para eliminar a obriga de realizar em galego polo menos umha das provas das oposiçons, pois é fundamental o conhecimento e uso desde a Administraçom para garantir o direito dos e das administradas a serem atendidas na sua língua.
O planeamento linguístico do Governo de Feijóo foi regressivo nesta última década, um decénio negro, e deve de recuperar o seu alento normalizador em positivo, deixar de confundir a sociedade com um discurso preconceituoso que só procura conservar o galego no âmbito da folcorizaçom e de certos conteúdos culturais, mas atua de freio perante os avanços do uso do galego, como pode ser atualmente o âmbito da tecnologia ou internacionalizaçom.

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Há que partir da realidade atual, já analisada polo IGE, que aponta umha situaçom de deterioro que verificamos dia a dia. Há que dar resposta às demandas dos informes do Conselho de Europa que pedem reverter a atual política linguística. Ai temos lugares de partida importantes. Também, abofé, cumprir as nossas próprias leis.
É necessário um novo marco educativo que garanta que o estudantado remata a escolaridade obrigatória com pleno domínio das duas línguas oficiais. Devem de se facilitar espaços de oportunidade que favoreçam o uso normal para quem quiger incorporar mais ou totalmente o galego na sua vida.

É necessário um novo marco educativo que garanta que o estudantado remata a escolaridade obrigatória com pleno domínio das duas línguas oficiais. Devem de se facilitar espaços de oportunidade que favoreçam o uso normal para quem quiger incorporar mais ou totalmente o galego na sua vida.

Nesta altura, é importante atendermos umha realidade nova como é o neofalantismo. É emocionante ver gente nova partilhando nas redes sociais a vontade de dar o passo ao galego. Há que acompanhar esse passo também desde as políticas públicas, porque tem as suas dificuldades e inseguridades. Precisamos visualizar referentes positivos que acompanhem. Penso que, polo geral, a sociedade está disposta a dar passos na normalizaçom linguística, consciente de que em galego sumamos.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?
Todas as normas devem de evoluir, é um sintoma de vitalidade da língua, bem o vimos na nossa historia recente e na de outras línguas com um estatus arraigado. A norma atual é resultado de um processo de avanço em que, principalmente a partir de 2003 com a chamada normativa da concórdia, arraigou a ideia de que cumpre termos presente o nosso tronco comum em origem, que é o português.

Avançar na melhora da qualidade do galego sempre deve de implicar atender o português. O domínio do estândar português é importante por motivos de irmandade, proximidade cultural e do ponto de vista comercial e económico, já que esta língua nos comunica com milhons de pessoas no mundo.

Avançar na melhora da qualidade do galego sempre deve de implicar atender o português. O domínio do estândar português é importante por motivos de irmandade, proximidade cultural e do ponto de vista comercial e económico, já que esta língua nos comunica com milhons de pessoas no mundo.

Por isso é tam importante desenvolver a Lei Paz Andrade. Construir pontes de comunicaçom é determinante para o futuro da sociedade e da língua galega, com um futuro seriamente comprometido devido à quebra da transmissom generacional e ao avanço da substituiçom linguística e as geraçons mais jovens apresentam mesmo problemas para terem um nível de competência linguística regular, nomeadamente nos espaços urbanos e periurbanos onde o galego está mui pouco ou nada presente nas suas vidas.

Neste contexto, como língua minorizada, o galego necessita o prestigio de possuir umha norma estável. Ao tempo, cumpre ir explorando esse outro caminho, bem como promover as achegas léxicas ao português evitando umha castelhanizaçom innecesária e injustificada.


PUBLICIDADE

  • ernestovazquezsouza

    Continuo sem ver sentido nenhum a esta série de entrevistas desmotivantes no PGL…

  • Mário J. Herrero Valeiro

    Que preguiça… Parece que estamos em 1980.

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Rem