Um país paralelo

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Na lotaria que é nascer, se o fas na Galiza podes ser umha criança com as sete vogais de série, alguém que nom necessitará do galego para nada mais que para superar algumhas cadeiras no ensino obrigatório, umha pessoa que, com os estímulos corretos, quererá aproximar-se dumha língua em que nom foi educade… Falar da nossa língua foi sempre falar de pontos de partida, mas deve ser também falar mais de pontos de chegada.

Sabemos que a atual autonomia com o seu atual governo é um impedimento para a normalidade da nossa língua. Os mínimos legislados -e cumpridos as menos das vezes- som insuficientes, e é necessário turrar coletivamente para continuar consolidando e ampliando garantias neste sentido. Porém, no nível micro, no nível individual, está a acontecer a magia em muitos casos. USBs cheios de álbuns baixados da rede que se intercambiam em recreios, concertos no espaço público que fam alguém lembrar aquela copla que sabia por sua nai, agora com base electrónica, qualquer jovem começando a escrever em galego nas suas redes sociais como primeiro passo para umha vida na nossa língua.

Existe um lapso vital em que umha referência, um encontro fortuito com alguma pessoa ou com alguém, pode desencadear umha ânsia de conhecimento e de paixom imensas. Quando a nível governamental e social unicamente se reproduz umha ordem -espanholizadora, castelhanizante, individualista- é umha fortaleza que haja pessoas e coletividades fazendo chegar a possibilidade do contacto com um legado que nalgumhes está latente e que para outres significa um vínculo com um novo mundo de potencial autoestima e cumplicidade com outrem.

Os mínimos legislados -e cumpridos as menos das vezes- som insuficientes, e é necessário turrar coletivamente para continuar consolidando e ampliando garantias neste sentido.

Sabermos de estatísticas e tendências é útil para afrontar um repto que temos para com a sobrevivência dumha série de experiências comuns, mas o pessimismo-realismo que se infere da análise desses dados é estéril se nom se emprega como força de melhora, ambiçom e trabalho coordenado por ganharmos domínio sobre as questons sobre as quais temos certa capacidade de intervençom. Trabalharmos pola língua desde os estímulos que estám condicionando no presente a relaçom de pessoas jovens diversas com o galego devera ser um ponto central dumha estratégia ausente desde os organismos e instituiçons cuja razom de ser devera ser velar polo correto desenvolvimento do galego. Diante dessa irresponsabilidade e da confiança cega que erroneamente temos sobre o âmbito institucional, os ocos estám a ser cobertos, afortunadamente, polo associacionismo, pola militância e pola iniciativa pessoal.

Diante dessa irresponsabilidade e da confiança cega que erroneamente temos sobre o âmbito institucional, os ocos estám a ser cobertos, afortunadamente, polo associacionismo, pola militância e pola iniciativa pessoal.

Nalgum plano ainda nom real, na Galiza o galego é normal e é a língua que a juventude emprega em toda a parte. As pessoas que já habitamos essa realidade paralela podemos mudar a trajetória doutras muitas e contribuir para deslocar a responsabilidade da língua para outras mans mais cientes. Porque nom há cousa que nos aproxime mais do melhor dos mundos possível, que é aquele por cuja vinda luitamos ativamente, que ensaiar no presente a prática que imaginamos.

[Este artigo foi publicado originariamente no Novas da Galiza]

Máis de Élia Lago
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